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Trump questiona eleição no Brasil e diz que votação “pareceu fraudada”

Presidente dos EUA criticou extensão da votação até as 19h, enquanto Alckmin chamou declaração de equivocada e defendeu segurança das urnas

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos — Crédito: Reprodução / Redes Sociais

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26) a organização do segundo turno das eleições brasileiras e afirmou que o processo “pareceu fraudado”. A declaração foi feita ao ser questionado por jornalistas sobre a prorrogação do horário de votação no domingo (25).

Trump criticou especificamente a decisão de estender a votação por duas horas, até as 19h, em locais onde as urnas ainda estavam abertas.

“Acho que pareceu ruim a eleição, o jeito que foi organizada, com a prorrogação [do prazo de votação]. Muito estranho”, afirmou.

Questionado se poderia tomar alguma medida em relação à eleição brasileira, Trump disse que não governa o Brasil. Ao mesmo tempo, afirmou manter uma boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para o quarto mandato.

“Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só pensei que a eleição foi... eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele”, declarou.

Prorrogação da votação

A ampliação do horário ocorreu no domingo, durante o segundo turno. A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de relatos sobre restrições na circulação de transporte coletivo em diferentes cidades brasileiras.

A decisão permitiu que seções eleitorais que ainda estavam funcionando permanecessem abertas até as 19h.

Lula terminou a eleição com mais de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno, recebeu cerca de 59,8 milhões.

Alckmin rebate Trump

O vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin respondeu às declarações de Trump em entrevista à TV Vanguarda, no interior de São Paulo.

Alckmin classificou a avaliação do presidente norte-americano como equivocada e afirmou que um país não deve interferir na política de outra nação.

“Totalmente equivocada, né? Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. O Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, segurança jurídica. Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide”, afirmou.

Depois, Alckmin citou as negociações comerciais conduzidas pelo Brasil com outros mercados como alternativa às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Segundo o vice-presidente, o governo pretende continuar negociando com os norte-americanos e ampliar acordos comerciais com outros países e blocos.

“Encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estados Unidos para ter um bom acordo. Estamos abrindo o mercado, fizemos acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-União Europeia e estamos bem encaminhados para um acordo Mercosul-Canadá. Mesmo com o tarifaço batemos recorde de exportação”, disse.

Trump diz que não tomou partido

Trump também afirmou que não escolheu um lado na eleição brasileira e que apenas acompanhou o processo.

A atuação do governo norte-americano durante a campanha, porém, foi alvo de críticas de parlamentares democratas dos Estados Unidos. Em 24 de setembro, 31 integrantes do partido enviaram uma carta à Casa Branca na qual afirmaram existir um esforço coordenado do governo Trump para pressionar o Brasil antes da eleição.

Segundo os parlamentares, medidas adotadas pelo governo norte-americano buscavam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre as ações citadas estavam as tarifas impostas a produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Na avaliação dos democratas, as medidas estariam relacionadas à tentativa de evitar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

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