PT-PR mira Deltan após vitória de Lula; senador eleito fala em ameaça
Partido afirma que mensagem se refere à retomada de processo no TSE que questiona a candidatura do ex-procurador, eleito com mais de 2,9 milhões de votos
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O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná publicou, nesta segunda-feira (26), uma mensagem direcionada ao senador eleito Deltan Dallagnol (Novo), com a frase “Deltan, vc é o próximo…”. A publicação provocou reação do ex-procurador da Operação Lava Jato, que classificou o conteúdo como uma ameaça política. O partido, por sua vez, afirma que a mensagem se refere à disputa judicial sobre o registro da candidatura de Dallagnol no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A postagem foi divulgada menos de 24 horas após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Na arte publicada no Instagram, a frase aparece em letras brancas sobre fundo preto, acompanhada da versão em inglês: “Deltan, you’re next”. Na legenda, o diretório acrescentou: “Tá no nosso radar. Aguardem…”.
Dallagnol reagiu nas redes sociais e relacionou a publicação aos votos recebidos na eleição para o Senado pelo Paraná.
“Não deu nem 24 horas depois da eleição, o PT já ameaça os 3 milhões de votos que o Paraná confiou a mim”, afirmou.
O ex-procurador também associou o episódio a uma tentativa de perseguição política contra adversários. A interpretação, porém, é contestada pelo partido, que sustenta que a mensagem diz respeito à continuidade da contestação judicial de sua candidatura.
PT cita processo eleitoral
Em manifestação à imprensa, o PT do Paraná afirmou que a publicação está relacionada ao recurso apresentado contra o registro de candidatura de Dallagnol. A legenda pretende cobrar a retomada do julgamento no TSE e sustenta que o ex-procurador não reúne condições legais para assumir o mandato.
O advogado do partido, Luiz Eduardo Peccinin, afirmou que a equipe jurídica pretende pedir agilidade na análise do caso.
A explicação do PT contrasta com a interpretação de Dallagnol, que classificou o conteúdo como uma ameaça política. Até o momento, conforme as informações apresentadas sobre o episódio, não há indicação de que a publicação contenha ameaça explícita de violência física.
Disputa sobre a candidatura
Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em 4 de outubro, com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14% dos votos válidos para o cargo. Filipe Barros (PL) ficou em primeiro lugar, com 3.148.583 votos.
A situação eleitoral do ex-procurador, entretanto, segue em discussão judicial. O caso remonta à decisão do TSE, em 2023, que cassou seu mandato de deputado federal. Na ocasião, a Corte entendeu que ele havia pedido exoneração do Ministério Público Federal em circunstâncias relacionadas à existência de procedimentos disciplinares, com o objetivo de evitar a aplicação das regras da Lei da Ficha Limpa.
Para a eleição de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deferiu o registro de candidatura por 4 votos a 3. A decisão foi contestada por adversários políticos no TSE.
Em 3 de outubro, véspera da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu individualmente o registro. No dia seguinte, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão e restabeleceu a possibilidade de contabilização dos votos até o julgamento definitivo do recurso.
A Procuradoria-Geral Eleitoral também apresentou parecer favorável à manutenção do registro, argumentando que a decisão de 2023 não produziria automaticamente a inelegibilidade de Dallagnol para a nova disputa.
O processo chegou a ser incluído na pauta do TSE em 8 de outubro, mas, segundo as informações divulgadas, não havia decisão definitiva do plenário até segunda-feira (26).
Decisão pode definir destino da vaga
O resultado do julgamento será determinante para a situação do senador eleito. Se o TSE mantiver o registro, Dallagnol poderá seguir para a diplomação e a posse, conforme o calendário eleitoral. Caso a candidatura seja definitivamente indeferida, a decisão poderá levar à anulação dos votos e abrir uma nova discussão sobre o preenchimento da vaga.
A diplomação dos eleitos está prevista para ocorrer até 18 de dezembro, e o início do mandato no Senado está marcado para 1º de fevereiro de 2027.
Enquanto o processo não for concluído, a situação eleitoral de Dallagnol permanece em disputa. A publicação do PT acrescentou um novo capítulo ao confronto entre o partido e o ex-procurador, que divergem tanto sobre o significado da mensagem quanto sobre a validade da candidatura.
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