Créditos: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Virginia Fonseca e Blaze viram alvo de ação que pede R$ 120 milhões por apostas na Copa
Ministério Público acusa influenciadora e plataforma de apostas de promover campanha para atrair apostadores durante a Copa do Mundo de 2026 e pede indenização por danos morais coletivos
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze, acusando ambos de integrarem uma estratégia coordenada para atrair apostadores durante a Copa do Mundo de 2026. A ação foi apresentada nesta quarta-feira (8) e pede indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 120 milhões.
Segundo o MP, Virginia teria induzido seguidores ao erro ao incentivar apostas na vitória de Cabo Verde contra a Argentina, em partida disputada na última sexta-feira (3), pelas fases eliminatórias do Mundial. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a influenciadora afirmou estar "esperançosa" de que o goleiro cabo-verdiano, Vozinha, "pegaria todas" durante a partida.
Na ação, o Ministério Público sustenta que o conteúdo não estava identificado como publicidade e utilizava uma linguagem emocional capaz de estimular seguidores a realizar apostas sem apresentar informações sobre as probabilidades reais do resultado. A Argentina venceu o confronto por 3 a 2.
De acordo com o MPDFT, a publicação não foi um episódio isolado, mas parte de uma campanha estruturada da Blaze para ampliar o número de apostadores durante a Copa do Mundo.
"As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026", afirma o órgão na ação.
Segundo o Ministério Público, a plataforma intensificou a publicidade durante os jogos do torneio para aproveitar o envolvimento emocional do público e incentivar apostas impulsivas.
Pedidos da ação
Além da indenização de R$ 120 milhões, o MP pede que a Justiça determine, em caráter de urgência, que Virginia retire das redes sociais conteúdos publicitários sobre apostas que:
- prometam lucros irreais;
- induzam consumidores ao erro;
- estimulem apostas em equipes, partidas ou eventos esportivos específicos;
- utilizem publicidade disfarçada em conteúdos pessoais, familiares ou de viagens sem identificação clara de que se trata de propaganda.
O processo também aponta indícios de práticas abusivas por parte da Blaze, como retenção de valores depositados por usuários, bloqueio de contas e exigência de metas de apostas consideradas inatingíveis.
Segundo o MPDFT, as investigações tiveram início em 2023, período em que a empresa ainda operava sem autorização federal. A ação informa que foram analisadas mais de 42 mil reclamações de consumidores e que servidores do órgão chegaram a criar contas na plataforma para monitorar a publicidade e as práticas adotadas pela empresa, incluindo o envio frequente de e-mails promocionais.
Ainda conforme o Ministério Público, as campanhas teriam como principal público pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, atraídas pela promessa de renda extra e pela influência exercida por personalidades contratadas para divulgar a plataforma.
Depoimento na CPI das Bets
Virginia Fonseca já havia sido ouvida em maio de 2025 pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal, na condição de testemunha.
Na ocasião, afirmou que sempre alertou os seguidores sobre os riscos das apostas, disse que seus contratos não possuíam a chamada "cláusula da desgraça" — que prevê remuneração baseada nas perdas dos apostadores — e declarou que não utilizava sua própria conta para gravar vídeos publicitários. A influenciadora também informou que mantinha contrato com a Blaze, mas não mais com a Esportes da Sorte.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Virginia Fonseca informou que tomou conhecimento da ação pela imprensa e afirmou que responderá tecnicamente às alegações nos autos.
Os advogados sustentam que o próprio Ministério Público reconhece na ação que ainda existem diligências pendentes, como a obtenção de contratos e outras informações consideradas relevantes para esclarecer a natureza da relação entre a influenciadora e a plataforma.
A defesa afirma ainda que não houve conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízos aos consumidores e argumenta que eventual responsabilização deve ser baseada em provas concretas, e não em presunções.
Blaze diz que ainda não foi notificada
Também por meio de nota, a Blaze informou que, até o momento, não foi formalmente intimada sobre a ação.
A empresa afirmou que atua em conformidade com a legislação brasileira, adota práticas voltadas ao jogo responsável e disse que prestará todos os esclarecimentos às autoridades assim que for oficialmente notificada.
