Goteiras e infiltrações voltam a expor problemas em colégio entregue a iniciativa privada em Guarapuava
APP-Sindicato denuncia que unidade administrada pelo grupo Apogeu continua com falhas estruturais, falta de funcionários e dificuldades na merenda escolar
Por Gazeta do Paraná
Créditos: APP Sindicato
Denúncias recebidas pela APP-Sindicato voltam a expor problemas estruturais no Colégio Estadual Francisco Carneiro Martins, em Guarapuava, unidade que integra o programa Parceiro da Escola e é administrada pelo grupo Apogeu. De acordo com relatos encaminhados ao Núcleo Sindical de Guarapuava, as recentes chuvas agravaram infiltrações e goteiras em salas de aula, levantando preocupações sobre as condições de segurança e o ambiente de ensino.
Imagens encaminhadas ao sindicato mostram pontos de vazamento no interior da escola. Segundo a presidente do Núcleo Sindical de Guarapuava, Jane Fátima de Almeida, o problema é recorrente e afeta uma instituição histórica que atende estudantes de diversos bairros do município.
Além das infiltrações, a entidade afirma que a escola enfrenta déficit de trabalhadores em diferentes setores e dificuldades relacionadas ao fornecimento de alimentos para a merenda escolar. Conforme os relatos, as cozinheiras precisam reorganizar os insumos disponíveis para garantir o atendimento aos estudantes. O sindicato também denuncia que o espaço destinado ao descanso das agentes de serviços gerais funciona em um ambiente utilizado como depósito de móveis e materiais sem uso.
A APP-Sindicato informou que continuará cobrando providências tanto da Secretaria de Estado da Educação (Seed) quanto da empresa responsável pela administração da unidade. Para a entidade, as condições encontradas divergem das promessas apresentadas durante a implantação do programa Parceiro da Escola, especialmente no que diz respeito à manutenção da infraestrutura, ao quadro de funcionários e à qualidade dos serviços prestados.
Os problemas, segundo o sindicato, não são recentes. Em abril deste ano, a entidade já havia denunciado a precariedade da estrutura da escola, incluindo laboratórios de informática com equipamentos antigos e insuficientes para atender às turmas, paredes descascadas, falta de pintura interna, corrimãos enferrujados e tubulações oxidadas. Apesar de intervenções na parte externa do prédio, os problemas internos, segundo a APP, permaneceram sem solução.
O Colégio Francisco Carneiro Martins teve sua gestão transferida para a iniciativa privada no fim de 2024, por meio do programa Parceiro da Escola, mesmo sem atingir o quórum necessário na consulta pública realizada com a comunidade escolar. A decisão gerou protestos de estudantes e educadores, que eram contrários à mudança no modelo de gestão.
A APP-Sindicato também mantém críticas ao programa por considerar insuficiente a transparência na aplicação dos recursos públicos destinados às empresas gestoras. Além disso, a iniciativa segue sendo alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado e de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) em tramitação no Supremo Tribunal Federal, que discute a legalidade do modelo de gestão compartilhada adotado pelo Governo do Paraná.
