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Vereador e secretário são presos por suspeita de crimes sexuais contra adolescentes no Paraná

Operação Gomorra identificou ao menos 16 possíveis vítimas em Xambrê; investigação aponta que cargo público e atividade religiosa teriam sido usados para aproximação de adolescentes

Por Gazeta do Paraná

Vereador e secretário são presos por suspeita de crimes sexuais contra adolescentes no Paraná Créditos: Divulgação MPPR

O vereador Edinalvo Lima Venturi (MDB), presidente interino da Câmara Municipal de Xambrê, e Pedro Henrique da Silva Mota, então secretário municipal de Cultura, foram presos preventivamente durante a Operação Gomorra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, em conjunto com a Polícia Civil.

A investigação apura suspeitas de exploração sexual, importunação sexual e produção e armazenamento de conteúdo envolvendo violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo as autoridades, pelo menos 16 possíveis vítimas já foram identificadas.

Pedro Henrique foi exonerado da Secretaria de Cultura pela Prefeitura de Xambrê no mesmo dia da operação. Edinalvo, por sua vez, havia sido eleito vereador pelo MDB em 2024 e exercia interinamente a presidência da Câmara Municipal.

 

Cargos na mira

Um dos pontos mais graves revelados pela investigação é a suspeita de utilização da posição ocupada no poder público para facilitar a aproximação com adolescentes.

Segundo o delegado do Gaeco de Umuarama, Matheus Prado Amui Rodrigues, um dos investigados teria se valido da função exercida junto à administração municipal para estabelecer contato com adolescentes. Ele também desenvolvia atividades em uma instituição religiosa, ambiente que, conforme a investigação, teria sido utilizado para criar proximidade com possíveis vítimas.

Depois dos primeiros contatos, a abordagem avançaria para as redes sociais. Os investigadores sustentam que adolescentes eram persuadidos a produzir e enviar imagens e vídeos íntimos em troca de dinheiro ou outras vantagens.

As apurações indicam ainda que os dois investigados compartilhavam entre si informações sobre os adolescentes e materiais recebidos. Até o momento, porém, o Gaeco não aponta que ambos necessariamente agissem juntos na abordagem: cada um teria realizado contatos individualmente.

 

Investigação começou por acaso

A descoberta dos possíveis crimes sexuais ocorreu durante outra investigação do Gaeco.

Em março deste ano, o órgão deflagrou a Operação Res Privata, destinada a investigar suspeitas de irregularidades envolvendo contratos administrativos em Xambrê. O celular de um dos alvos foi apreendido naquela ocasião.

Durante a perícia no aparelho, investigadores encontraram conversas e outros elementos que não estavam relacionados diretamente ao objeto inicial daquela operação, mas apontavam para possíveis crimes contra adolescentes.

A descoberta, tecnicamente chamada de encontro fortuito de provas, deu origem à nova investigação e à Operação Gomorra.

A partir do conteúdo localizado no aparelho, o Gaeco conseguiu identificar possíveis vítimas e reunir elementos que posteriormente fundamentaram os pedidos de prisão preventiva e de busca e apreensão.

 

Celulares apreendidos

Durante a Operação Gomorra, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal. Documentos, anotações e aparelhos celulares foram recolhidos e serão submetidos a novas análises.

Uma terceira pessoa também acabou presa em flagrante durante as diligências após ser encontrada, segundo o Ministério Público, com munições ilegais. A identidade dela não foi divulgada.

Os investigadores trabalham agora com a possibilidade de surgirem novas vítimas. A avaliação do Gaeco é de que a posição social e institucional ocupada pelos investigados pode ter dificultado que adolescentes ou familiares procurassem anteriormente as autoridades.


Reação política

O caso também provocou reação dentro do MDB. A Executiva Nacional da legenda informou que decidiu pela expulsão imediata de Edinalvo Lima Venturi. Já o diretório estadual afirmou que acompanha o caso e que, diante de condenação ou comprovação de conduta incompatível com os deveres partidários, serão adotadas as medidas previstas no estatuto, inclusive a expulsão.

A Câmara Municipal de Xambrê divulgou nota afirmando repudiar qualquer forma de abuso, violência ou exploração sexual de crianças e adolescentes. O Legislativo também defendeu que sejam respeitados o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência.

As investigações continuam e os fatos atribuídos aos presos ainda dependem de apuração e eventual julgamento. Até a divulgação inicial do caso, as defesas dos investigados não haviam apresentado manifestação pública.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp