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Em Curitiba, Lula revela conversa com Fachin sobre caso Master e faz ataque indireto a Moro

Presidente participou de comício na Boca Maldita ao lado de Requião Filho, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha e afirmou ter pedido ao presidente do STF a divulgação dos autos envolvendo o Banco Master

Por Gazeta do Paraná

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Em Curitiba, Lula revela conversa com Fachin sobre caso Master e faz ataque indireto a Moro Créditos: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, aproveitou o comício realizado neste sábado (12), na Boca Maldita, em Curitiba, para entrar diretamente em dois dos assuntos que dominam o cenário político nacional e paranaense: as investigações envolvendo o Banco Master e a disputa pelo Governo do Paraná.

Diante de milhares de apoiadores, Lula revelou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a condução do caso Master. Sem citar nominalmente o ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao banco, o presidente criticou o que classificou como divulgação seletiva de informações da investigação.

“Eu estive com o presidente da Suprema Corte, o ministro Fachin, que é aqui do Paraná, dizendo para ele que não era possível que um cidadão, um juiz, o relator ficar soltando matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele”, afirmou.

Lula disse ainda ter pedido a Fachin a divulgação dos autos para que seja possível conhecer quem está envolvido nas investigações.

O presidente endureceu o discurso ao tratar das suspeitas relacionadas ao caso e afirmou que eventuais responsáveis devem ser expostos e punidos independentemente de posição política ou institucional.

 

Recado ao STF

Durante o discurso em Curitiba, Lula também afirmou que ministros do Supremo não podem utilizar o cargo para enriquecimento e classificou a função na Corte como uma espécie de “sacerdócio”.

O presidente defendeu que investigações avancem mesmo quando atingem pessoas próximas ao poder. Citou como exemplo o próprio filho, mencionado em investigações relacionadas às fraudes no INSS, e afirmou acreditar na inocência dele, mas disse que não haverá proteção caso seja comprovada alguma irregularidade.

Lula estendeu o raciocínio aos integrantes do próprio Supremo e afirmou que eventual responsabilidade deve ser apurada independentemente de quem esteja envolvido.

A fala ocorre em meio à crescente tensão política em torno das investigações do Banco Master e da divulgação de informações relacionadas aos personagens citados nos autos.

 

Moro vira alvo sem ter o nome citado

A passagem por Curitiba também colocou Lula diretamente no ambiente da disputa pelo Palácio Iguaçu.

Sergio Moro (PL), candidato ao Governo do Paraná e ex-juiz da Operação Lava Jato, não teve o nome mencionado explicitamente pelo presidente durante o discurso. Lula, porém, fez uma declaração interpretada como referência direta ao antigo adversário.

“Não conheço todos os candidatos aqui do Paraná, mas sei que tem um que não vale o que come”, afirmou.

O contexto político e a história entre Lula e Moro deram à declaração endereço praticamente inequívoco. Moro comandou processos da Lava Jato que levaram à prisão do petista, que permaneceu 580 dias detido na Superintendência da Polícia Federal justamente em Curitiba.

As condenações de Lula foram posteriormente anuladas pelo STF, e decisões posteriores reconheceram a parcialidade de Moro na condução de um dos processos.

 

Requião chama Moro para o debate

Quem transformou a referência indireta em confronto explícito foi Requião Filho (PDT).

O candidato ao Governo do Paraná aproveitou o palanque para desafiar Moro a participar dos debates da campanha eleitoral.

“Sérgio, pare de fugir, vem debater com a gente. O Paraná merece um pouquinho mais”, afirmou Requião Filho.

A provocação ocorre em um momento decisivo da corrida pelo Palácio Iguaçu. A presença de Lula em Curitiba foi utilizada pela campanha de Requião Filho para tentar ampliar a nacionalização da disputa estadual e aproximar o candidato do eleitorado do presidente no Paraná.

Além de Requião Filho, participaram do ato o candidato a vice-governador Michele Caputo, o ex-governador Roberto Requião e os candidatos petistas ao Senado Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha.

 

Boca Maldita

O ato marcou o retorno de Lula à Boca Maldita em uma campanha presidencial. O mesmo espaço recebeu um dos principais comícios do petista em Curitiba durante a eleição de 2022.

A quantidade de participantes neste sábado varia conforme a fonte. Há estimativas publicadas entre 15 mil e 30 mil pessoas, sem um levantamento oficial independente que permita estabelecer com precisão o público. Por isso, a Gazeta do Paraná opta por não atribuir um número fechado ao ato.

A primeira-dama Janja também discursou e relembrou sua relação com Curitiba, cidade onde viveu durante anos, além da própria trajetória de Lula na capital paranaense.

A passagem do presidente pelo Paraná ocorre a poucas semanas do primeiro turno e transforma a Boca Maldita em mais um capítulo da disputa nacional refletida na eleição estadual.

Para Requião Filho, a presença de Lula representa uma tentativa de converter a força eleitoral do presidente em votos na corrida pelo Governo do Paraná. Para Moro, significa enfrentar em seu próprio Estado um adversário com quem trava uma disputa política que atravessa quase uma década.

Neste sábado, essa velha rivalidade voltou ao lugar onde parte importante dela foi construída: Curitiba.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp