Maioria das campanhas do Paraná ainda não tinha prestação parcial registrada na véspera do prazo
Levantamento da Gazeta em arquivos oficiais do TSE gerados às 4h05 de sábado mostra que quase 80% das candidaturas presentes na base ainda apareciam apenas com relatório financeiro; prazo termina neste domingo
Por Gazeta do Paraná
Créditos: TRE/Divulgação
A maioria das campanhas eleitorais do Paraná ainda não tinha a prestação parcial de contas identificada na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes do último dia do prazo. Levantamento realizado pela Gazeta do Paraná, a partir dos arquivos oficiais de prestação de contas eleitorais de 2026 disponibilizados pelo TSE em seu Portal de Dados Abertos, mostra que, entre 877 candidaturas aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual presentes na base analisada, 690 ainda apareciam apenas com “relatório financeiro”, enquanto 187 já possuíam registros classificados como prestação “parcial”.
O arquivo utilizado pela reportagem foi gerado pelo sistema do TSE em 12 de setembro de 2026, às 4h05, conforme informação registrada na própria base disponibilizada para download. Os números, portanto, representam o cenário existente naquele momento e não incluem necessariamente prestações encaminhadas posteriormente no sábado (12) ou neste domingo (13).
Isso significa que, às 4h05 de sábado, aproximadamente 78,7% das candidaturas presentes nos arquivos analisados ainda não tinham uma prestação parcial identificada na base.
O dado não significa que essas candidaturas estejam irregulares. O prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral termina somente neste domingo (13), portanto candidatos e partidos ainda podem cumprir a obrigação dentro do período previsto.
A prestação parcial deve reunir a movimentação financeira e os recursos estimáveis em dinheiro recebidos ou utilizados desde o início da campanha até 8 de setembro.
Governo
Entre as seis candidaturas ao Governo do Paraná que apareciam nos arquivos financeiros analisados pela Gazeta, apenas Tayna Miessa Tsushida (UP) já tinha registro classificado como prestação parcial.
Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD), Luiz Felipe Martins França (Missão), Mauricio Thadeu de Mello e Silva (PDT) e Samuel de Mattos Figueiredo (PSTU) apareciam na base apenas com registros classificados como “relatório financeiro”.
Isso não significa que os candidatos tenham deixado de cumprir a obrigação. O cenário corresponde à base gerada às 4h05 de sábado, quando o prazo para apresentação da prestação parcial ainda estava aberto.
Os relatórios financeiros são informações encaminhadas durante a campanha sobre movimentações de recursos e não se confundem com a prestação parcial, obrigação específica prevista no calendário eleitoral.
Senado
Situação semelhante aparecia entre os candidatos paranaenses ao Senado.
Dos oito nomes presentes na base financeira analisada, dois já tinham registros classificados como prestação parcial: Deltan Dallagnol (Novo) e Joaquim Silva Maciel (UP).
Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Filipe Barros (PL), Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), Gleisi Hoffmann (PT) e Karen Guerreiro (Missão) ainda apareciam somente com registros classificados como relatório financeiro.
Assim, naquele cenário, seis das oito candidaturas ao Senado presentes nos arquivos ainda não apresentavam registro identificado como prestação parcial.
Quase 80% nas proporcionais
O maior volume está nas disputas proporcionais. Entre as 373 candidaturas a deputado federal presentes nos arquivos financeiros analisados, 79 possuíam prestação parcial registrada e 294 apareciam somente com relatório financeiro. Isso corresponde a 21,2% com parcial identificada e 78,8% sem esse registro naquela atualização.
Para deputado estadual, a proporção era praticamente a mesma. Das 490 candidaturas presentes na base, 105 tinham prestação parcial registrada e 385 apareciam somente com relatório financeiro. Nesse grupo, 21,4% apresentavam registro de prestação parcial e 78,6% ainda não.
Somados os quatro cargos analisados, eram 187 candidaturas com prestação parcial identificada entre as 877 presentes nos arquivos, contra 690 que ainda apareciam apenas com relatório financeiro.
Como a Gazeta fez o levantamento
A Gazeta do Paraná acessou o Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral, onde a Justiça Eleitoral disponibiliza para download as bases referentes à prestação de contas das Eleições 2026. A reportagem utilizou os arquivos destinados às contas dos candidatos, realizou o recorte do Paraná e separou os registros conforme os cargos disputados.
A análise considerou o campo referente ao tipo de prestação de contas. A partir dele, a Gazeta identificou quais candidaturas possuíam registros classificados pelo sistema como “PARCIAL” e quais apresentavam somente registros classificados como “RELATÓRIO FINANCEIRO”.
Foram consideradas 877 candidaturas presentes nos arquivos financeiros analisados: seis ao Governo do Paraná, oito ao Senado, 373 à Câmara dos Deputados e 490 à Assembleia Legislativa.
A metodologia exige uma ressalva importante. A ausência da classificação “PARCIAL” na base gerada às 4h05 de sábado não significa descumprimento do prazo, que permanece aberto até este domingo. Da mesma forma, candidaturas que não constavam dos arquivos financeiros utilizados não foram incluídas no cálculo.
Prazo termina neste domingo
Este domingo (13) é o último dia para candidatos e partidos apresentarem à Justiça Eleitoral a prestação parcial de contas. Segundo o TSE, devem ser informadas as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro ocorridos desde o início da campanha até 8 de setembro.
A Justiça Eleitoral prevê a divulgação das prestações parciais em 15 de setembro. A partir daí será possível comparar o cenário consolidado com a base analisada pela Gazeta e verificar quais candidaturas apresentaram as informações dentro do período estabelecido.
Os dados também permitirão aprofundar a análise do financiamento da eleição no Paraná, incluindo a origem dos recursos, os principais doadores, os maiores fornecedores das campanhas e a destinação do dinheiro público utilizado na disputa.
Créditos: Redação
