Venezuela anuncia acordo petrolífero de US$ 100 bilhões com os Estados Unidos
Governo de Delcy Rodríguez afirma que investimentos serão destinados à recuperação da infraestrutura e à expansão da produção de petróleo no país
Por Valéria Mendes
Créditos: Brasil de Fato
Em comunicado publicado no dia 28 de agosto, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um acordo petrolífero com os Estados Unidos. “A Venezuela anuncia um acordo histórico com o governo dos Estados Unidos, que terá um impacto significativo no renascimento da nossa nação”, declarou.
O acordo contempla o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos, com potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo. Segundo o governo venezuelano, estão previstos mais de US$100 bilhões em investimentos e mais de US$209 bilhões em tributos para o Estado. O projeto pretende facilitar a entrada de investimentos privados destinados à recuperação e à modernização da infraestrutura petrolífera do país.
Quatro dias antes, em 24 de agosto, Delcy Rodríguez havia afirmado que a Venezuela estava produzindo 1,23 milhão de barris de petróleo por dia, o maior nível registrado desde fevereiro de 2019. Segundo a presidente interina, o país também firmou cerca de 50 acordos para novos investimentos em mais de 76 áreas de produção de hidrocarbonetos.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em aproximadamente 303 bilhões de barris, o equivalente a cerca de 17% das reservas globais. Grande parte desse petróleo está concentrada na Faixa do Orinoco e é classificada como petróleo extrapesado, cuja exploração exige investimentos elevados e tecnologia especializada.
Além do acordo anunciado em agosto, nesta quarta-feira (2), empresas internacionais assinaram novos compromissos para ampliar projetos de petróleo e energia na Venezuela. Entre elas estão Chevron e Eni. Os acordos, firmados em Caracas, fazem parte de uma estratégia mais ampla para ampliar a produção venezuelana e atrair capital estrangeiro para o setor energético.
Nos últimos meses, a Venezuela também promoveu mudanças em sua legislação de hidrocarbonetos para ampliar a participação de empresas privadas no setor. O governo venezuelano afirma que a retomada da atividade petrolífera permitirá aumentar a arrecadação e direcionar recursos para áreas como saúde, educação e serviços públicos.
O avanço das negociações ocorre em um momento de pressão sobre o mercado internacional de petróleo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta críticas em meio à alta dos preços dos combustíveis, enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completa cerca de seis meses sem perspectiva clara de encerramento. O governo norte-americano apresenta a ampliação do acesso ao petróleo venezuelano como uma das estratégias para aumentar a oferta e conter os preços da gasolina.
Ao mesmo tempo, os estoques da Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos vêm caindo. Na semana encerrada em 28 de agosto, o volume armazenado chegou a aproximadamente 286,6 milhões de barris, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA).
Créditos: Redação
