Rússia ameaça atingir alvos britânicos após avanço de apoio militar à Ucrânia
Moscou ameaça atingir instalações militares britânicas em resposta ao apoio de Londres à Ucrânia e à transferência de tecnologia para produção de mísseis
Por Julia Maraschi
Créditos: Divulgação
A Rússia afirmou, nesta quinta-feira (27), que poderá atacar instalações e equipamentos militares britânicos dentro ou fora da Ucrânia caso Kiev continue utilizando armas fornecidas pelo Reino Unido contra território russo. A declaração, que foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ocorreu em meio ao aumento do apoio britânico à Ucrânia.
O Reino Unido anunciou recentemente o fornecimento de tecnologia sigilosa para a produção de mísseis de cruzeiro Storm Shadow a Kiev, permitindo que os ucranianos ampliem sua capacidade de fabricar esse tipo de armamento. A França também autorizou a transferência de tecnologia relacionada a esse armamento.
A importância dos Storm Shadow
O Storm Shadow é um míssil de cruzeiro de longo alcance utilizado pela Ucrânia para atingir alvos militares russos. A nova parceria é importante devido ao fato de que a Ucrânia não dependeria mais de estoques enviados pelos aliados e, com o acesso à tecnologia, poderá produzir os próprios mísseis e aumentar potencialmente a quantidade disponível para ataques de longo alcance.
Moscou afirmou que, se armas britânicas forem utilizadas em ataques contra território russo, o Reino Unido não poderá se eximir da responsabilidade. Zakharova também acusou Londres e Paris de “brincarem com fogo”.
Ameaça ao Reino Unido
Apesar da declaração, a Rússia ameaçou atingir alvos militares britânicos, mas isso não significa que tenha anunciado um ataque iminente ao território britânico. A declaração fala em possíveis ataques contra instalações e equipamentos militares britânicos na Ucrânia e “além” dela.
A expressão deixa aberta a possibilidade de que Moscou considere alvos fora do território ucraniano, mas não representa, por si só, um anúncio de bombardeio imediato ao Reino Unido.
O Reino Unido, um dos principais apoiadores militares europeus da Ucrânia desde o início da invasão russa em larga escala, em 2022, ampliou seu envolvimento ao ajudar o país a desenvolver sua própria capacidade de produção de armamentos de longo alcance. A medida também envolve a França, que autorizou a transferência de tecnologia relacionada ao míssil Storm Shadow, conhecido em território francês como SCALP. Para Moscou, o apoio representa um aumento da participação dos dois países no conflito.
A porta-voz do governo russo ainda alertou que a postura dos países pode levar a guerra a “outro nível”.
O Reino Unido é membro da Otan e, por isso, uma eventual ofensiva russa contra uma instalação militar britânica fora da Ucrânia poderia elevar ainda mais a tensão entre Moscou e a aliança militar. Embora um ataque desse tipo não signifique automaticamente uma guerra entre Rússia e Otan, a possibilidade de atingir um país integrante do bloco poderia provocar uma crise de grandes proporções, dependendo do alvo e da resposta dos demais membros.
Nesse contexto, a ameaça russa também evidencia como o conflito vem ultrapassando os limites territoriais da Ucrânia: enquanto países europeus ampliam o fornecimento de armas, tecnologia, treinamento e inteligência a Kiev, Moscou aumenta as advertências de que poderá retaliar os países envolvidos.
Apesar disso, a declaração representa, até o momento, uma ameaça e uma escalada retórica, e não um anúncio de ataque ao Reino Unido.
Créditos: Julia Maraschi
