Tupac Shakur: ex-líder de gangue é condenado por assassinato
Duane “Keffe D” Davis foi considerado culpado pelo assassinato do rapper, morto a tiros em Las Vegas em 1996; ele pode ser condenado à prisão perpétua
Créditos: Reprodução Redes Sociais
Duane “Keffe D” Davis, ex-líder de uma gangue de Los Angeles, nos Estados Unidos, foi considerado culpado nesta segunda-feira (31) pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, morto em 1996. O júri de Las Vegas chegou ao veredicto após algumas horas de deliberação.
Davis, de 63 anos, foi condenado por homicídio em primeiro grau com uso de arma letal. Ele pode receber prisão perpétua sem direito à liberdade condicional. Após o anúncio da decisão, Davis disse à juíza Carli Kierny que pretende recorrer. A sentença está marcada para 13 de outubro.
O assassinato aconteceu em 7 de setembro de 1996. Tupac estava no banco do passageiro de um BMW dirigido por Marion “Suge” Knight, cofundador da Death Row Records, quando um Cadillac branco parou ao lado do veículo em um semáforo. Os ocupantes do carro abriram fogo.
Tupac foi atingido pelos disparos e morreu seis dias depois, aos 25 anos. Knight também foi baleado, mas sobreviveu.
Horas antes do ataque, Tupac e Knight haviam se envolvido em uma briga com o sobrinho de Davis dentro de um cassino em Las Vegas. Segundo a acusação, o episódio teria motivado a retaliação.
Davis teria conseguido uma arma, reunido outros integrantes da gangue e seguido em busca de Tupac e Knight.
“Ele é responsável pelo assassinato de Tupac Shakur”, afirmou o vice-procurador distrital Binu Palal aos jurados durante as alegações finais. “Considerem-no culpado.”
A Promotoria não afirmou que Davis foi o responsável pelos disparos. A tese apresentada no julgamento foi de que ele entregou a arma a um dos homens que estavam no banco traseiro do Cadillac e ordenou o ataque.
Davis era uma figura de autoridade dentro da South Side Compton Crips. Segundo os promotores, os outros integrantes do veículo obedeceriam às ordens dele.
Caso ficou sem solução por décadas
O assassinato de Tupac permaneceu sem solução durante décadas. Davis foi a única pessoa entre os quatro ocupantes do Cadillac que continuou viva e acabou sendo formalmente acusado pelo crime.
A investigação ganhou novo impulso depois que Davis passou a falar publicamente sobre o assassinato.
Em entrevistas e no livro de memórias Compton Street Legend, publicado em 2019, Davis afirmou que estava no Cadillac e que entregou a arma aos homens que estavam no banco traseiro.
Em diferentes momentos, porém, ele apresentou versões diferentes sobre alguns detalhes e não revelou quem teria feito os disparos.
A Promotoria utilizou as próprias declarações de Davis como uma das principais peças do processo. A defesa, por outro lado, afirmou que os relatos foram inventados para divulgar o livro e ganhar dinheiro.
Michael Sanft, advogado de Davis, também questionou a falta de provas físicas que ligassem o cliente ao assassinato.
“Eles não têm nada neste caso que indique que esse homem estava aqui em Las Vegas em 7 de setembro de 1996”, afirmou.
A defesa também questionou a existência de provas de que Davis teria dado ordens antes ou depois do tiroteio. Ele se declarou inocente da acusação.
Assassinato marcou rivalidade do hip-hop
O julgamento voltou a colocar em evidência a rivalidade entre gangues de Los Angeles que marcou o hip-hop nos anos 1990.
Tupac, conhecido como 2Pac, era um dos principais representantes da Costa Oeste dos Estados Unidos e estava no centro da disputa entre artistas e gravadoras das costas Oeste e Leste.
Com músicas como California Love e All Eyez on Me, o rapper se tornou uma das figuras mais importantes da história do gênero.
Seu assassinato, ocorrido quando tinha apenas 25 anos, permaneceu durante décadas entre os crimes mais conhecidos e discutidos da música norte-americana.
