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Tarifa dos EUA poupa maioria das frutas brasileiras, mas uva fica fora da lista de isenção

Setor avalia que impacto será menor do que em outras cadeias, porém produtores de uva podem perder competitividade no mercado norte-americano com aumento da tarifa para 35%

Tarifa dos EUA poupa maioria das frutas brasileiras, mas uva fica fora da lista de isenção Créditos: Fábio Ribeiro dos Santos/Embrapa

A maior parte das frutas brasileiras exportadas para os Estados Unidos ficou de fora da sobretaxa de 25% anunciada pelo governo norte-americano na última quarta-feira (15). A principal exceção é a uva, que não aparece na lista de produtos isentos e poderá enfrentar perda de competitividade no mercado dos Estados Unidos.

A avaliação é da pesquisadora Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo ela, embora a medida represente um desafio para os produtores de uva, os efeitos sobre o setor de hortifrutis como um todo tendem a ser limitados.

De acordo com a pesquisadora, as exportações brasileiras de uva para os Estados Unidos já vinham perdendo espaço desde a adoção de tarifas anteriores, reduzindo a importância do mercado norte-americano para o produto.

"As exportações brasileiras de uva para os Estados Unidos já vinham perdendo competitividade desde a tarifação anterior, reduzindo significativamente a participação desse destino nas vendas externas da fruta. Embora o mercado norte-americano representasse uma importante janela comercial no início do segundo semestre, a Europa continua sendo o principal destino da uva brasileira", afirmou em nota.

Maioria dos produtos ficou de fora da sobretaxa

Segundo a análise do Cepea, frutas tropicais, cítricos, suco de laranja e diversos outros derivados brasileiros foram incluídos na lista de produtos isentos da nova tarifa.

Com isso, o impacto direto sobre a cadeia brasileira de hortifrutis tende a ser menor quando comparado ao observado em outros segmentos do agronegócio.

Ainda assim, Margarete Boteon afirma que o setor continuará acompanhando a regulamentação da medida para verificar a relação definitiva dos produtos atingidos.

"Mesmo com um cenário relativamente favorável, o setor deverá acompanhar atentamente a publicação definitiva dos códigos tarifários, especialmente no caso da uva e de outros produtos que permaneceram fora da lista de isenções", destacou.

Tarifa sobre uva pode chegar a 35%

A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) informou que a nova sobretaxa elevará para 35% a tributação incidente sobre a uva brasileira exportada aos Estados Unidos.

Na avaliação da entidade, a medida reduz significativamente a competitividade do produto brasileiro naquele mercado.

Melão e melancia também foram atingidos pelas novas tarifas. Entretanto, segundo a Abrafrutas, o impacto sobre essas frutas deve ser menor devido ao menor volume exportado e ao perfil das vendas destinadas aos Estados Unidos.

Setor busca alternativas

Diante do novo cenário, a Abrafrutas informou que já está orientando produtores e exportadores sobre os procedimentos que poderão ser adotados para reduzir os impactos da medida.

Entre as estratégias discutidas estão a diversificação dos mercados compradores e a ampliação de ações comerciais para garantir o escoamento da produção brasileira.

Segundo dados da associação, o Brasil exportou aproximadamente 14 mil toneladas de uva para os Estados Unidos em 2025, movimentando cerca de US$ 41,5 milhões.

Apesar da importância desse mercado, especialistas avaliam que a forte presença da fruta brasileira na Europa pode amenizar parte dos efeitos da nova tarifa sobre as exportações nacionais.

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