Créditos: Ricardo Stuckert/PR
Soraya Thronicke confirma pré-candidatura à reeleição e reforça aliança com Lula em Mato Grosso do Sul
Senadora do PSB afasta rumores de que abriria mão da disputa ao Senado e mantém aproximação com o PT após trajetória iniciada na base de Jair Bolsonaro
A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) confirmou nesta sexta-feira (17) que disputará a reeleição nas eleições de outubro e reforçou sua aliança política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita nas redes sociais, após rumores de que ela poderia desistir da candidatura para integrar uma chapa como primeira suplente de outro candidato ao Senado.
Ao publicar uma foto ao lado de Lula, Soraya foi direta ao responder às especulações.
"Se sou pré-candidata à reeleição? Nunca deixei de ser!", escreveu.
A manifestação praticamente encerra as especulações de que ela abriria espaço para o deputado federal Vander Loubet (PT-MS), em uma composição em que ele disputaria uma das vagas ao Senado e ela figuraria como primeira suplente.
Aliança com o PT ganha força
Soraya se filiou ao PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, em abril deste ano. Desde então, intensificou a aproximação com o PT e participou de agendas ao lado do presidente Lula.
Em junho, integrou a comitiva presidencial durante compromissos em Mato Grosso do Sul e apareceu em fotografias ao lado do chefe do Executivo federal.
A tendência é que PT e PSB formem uma aliança no Estado para as eleições deste ano. Além de Soraya e Vander Loubet na disputa pelo Senado, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) é apontado como pré-candidato ao governo sul-mato-grossense.
Trajetória começou ao lado de Bolsonaro
A aproximação com o governo Lula representa uma mudança significativa na trajetória política da senadora.
Advogada de formação, Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 pelo então PSL, na mesma onda eleitoral que levou Jair Bolsonaro à Presidência da República.
Em 2021, chegou a exercer a função de vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional e defendia pautas ligadas ao conservadorismo, como reformas econômicas e a flexibilização das regras para posse e porte de armas.
Na época, afirmou que compartilhava as mesmas bandeiras do então presidente.
"As pautas que nos elegeram, o presidente Bolsonaro e eu, são as mesmas e sempre me mantive fiel a elas, pois são demandas da população brasileira", declarou.
Rompimento ocorreu durante a pandemia
O distanciamento entre Soraya e Bolsonaro começou ainda em 2021, durante a pandemia de Covid-19.
Enquanto o então presidente questionava a vacinação e defendia medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, a senadora passou a defender a imunização e o fortalecimento das políticas públicas de saúde.
"É um momento que o Poder Público deve atuar com sabedoria. A vacinação e condições dignas de tratamento continuam sendo as prioridades", afirmou durante os trabalhos da CPI da Covid, após se recuperar da doença.
Mudanças de partido marcaram trajetória
Depois de deixar o PSL, Soraya migrou para o União Brasil e disputou a Presidência da República em 2022.
Terminou a eleição na quinta colocação e ganhou destaque durante os debates eleitorais, especialmente pelo embate com o então candidato Padre Kelmon, a quem chamou de "padre de festa junina".
Em 2023, filiou-se ao Podemos, partido pelo qual presidiu o diretório estadual de Mato Grosso do Sul e participou das articulações das eleições municipais de 2024.
Já em abril deste ano, trocou novamente de legenda e ingressou no PSB.
Ao justificar a mudança, afirmou que "recalculou a rota", mas negou ter alterado seus princípios.
"Entrei para a política em 2018 por um Mato Grosso do Sul mais justo e mais próspero. Nessa caminhada, sofri decepções, mas recalculei a rota e hoje estou no PSB, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, um homem honrado e trabalhador."
Em outra declaração, acrescentou:
"Se eu mudei? Não, não mudei. Uma sigla ou uma cor diferente não mudaram meus valores e as minhas ideias."
Com a confirmação da pré-candidatura, Soraya Thronicke permanece como um dos principais nomes do PSB para a disputa ao Senado em Mato Grosso do Sul, em uma composição política que aproxima a legenda do presidente Lula nas eleições de 2026.
