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Flávio Dino diz que crime organizado usa mercado de capitais para lavar dinheiro Créditos: Assessoria

Flávio Dino diz que crime organizado usa mercado de capitais para lavar dinheiro

Em despacho no STF, ministro cita nova fase da Operação Carbono Oculto, aponta uso de fundos por facções armadas e exige ações urgentes do governo para reestruturar órgãos de fiscalização

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas à utilização do sistema financeiro por organizações criminosas e defendeu o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização do mercado de capitais no Brasil. As declarações constam em despacho assinado nesta quinta-feira (28), no âmbito de uma ação que discute a estrutura e a capacidade de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários.

Na decisão, Dino citou os desdobramentos mais recentes da Operação Carbono Oculto para sustentar a necessidade de uma reestruturação dos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro nacional.

Segundo o ministro, as investigações revelam indícios de utilização de instrumentos sofisticados do mercado de capitais para ocultação e movimentação de recursos ligados ao crime organizado.

“Registro que hoje se realizou nova fase da operação Carbono Oculto, envolvendo Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados (FIDC-NP), entre outros mecanismos do mercado de capitais para lavagem de dinheiro de facções armadas e do crime organizado em geral”, escreveu Dino no despacho.

A manifestação é considerada uma das mais contundentes já feitas por um integrante do STF ao relacionar estruturas do mercado financeiro à atuação de organizações criminosas.

No documento, o ministro afirma que o caso reforça a necessidade de ampliar a capacidade operacional e fiscalizatória de instituições como a CVM, o Banco Central do Brasil e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

“Isso sublinha, mais uma vez, a urgência da reestruturação dos sistemas de regulação e fiscalização, com destaque para a CVM, mas também se estendendo à atuação de órgãos como Banco Central, COAF, entre outros”, afirmou.

Flávio Dino também destacou que esses órgãos integram o que classificou como um “ecossistema de blindagem da ordem econômica e da economia popular”, defendendo uma atuação mais coordenada para impedir o avanço do crime organizado sobre o sistema financeiro.

A manifestação foi apresentada após a União encaminhar ao STF um Plano Emergencial de Reestruturação da Atividade Fiscalizatória da CVM, elaborado em resposta a determinações anteriores da Corte.

Antes de analisar se as medidas propostas pelo governo federal são suficientes, o ministro determinou a abertura de prazo de cinco dias para que as partes envolvidas no processo e os chamados amici curiae apresentem manifestações.

A discussão pode ampliar a pressão por mudanças estruturais nos órgãos de fiscalização financeira, incluindo reforço de orçamento, ampliação do quadro de servidores e maior integração entre os sistemas de monitoramento da CVM, Banco Central e COAF.

A Operação Carbono Oculto, mencionada por Dino, apura suspeitas de utilização de fundos estruturados e outros mecanismos financeiros complexos para ocultar, movimentar e dar aparência de legalidade a recursos supostamente vinculados a organizações criminosas.

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