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Sem médicos, serviço para: HUOP confirma suspensão total do aborto legal e expõe falha na garantia do atendimento

Hospital de referência admite paralisação temporária por falta de profissionais; dados mostram oscilação nos procedimentos e reforçam debate levado à Alep

Por Gazeta do Paraná

Sem médicos, serviço para: HUOP confirma suspensão total do aborto legal e expõe falha na garantia do atendimento Créditos: Divulgação/HUOP

A resposta oficial do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) à Gazeta do Paraná detalha, pela primeira vez, o que estava por trás da denúncia que levou o acesso ao aborto legal à pauta da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep): o serviço foi totalmente suspenso, ainda que de forma temporária, por falta de médicos dispostos a realizar o procedimento.

As informações foram repassadas à reportagem pelo diretor do HUOP, Rodrigo Barcella, com apoio da equipe responsável pelo programa.

O HUOP integra a rede de referência do Paraná para interrupção legal da gravidez — procedimento permitido em casos de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal. A unidade atende pacientes de toda a macrorregião Oeste.

Mesmo assim, o hospital admite que houve paralisação completa.

“Houve suspensão de todo o serviço no HUOP por um período, motivado pela falta de cobertura médica para o procedimento”, afirmou o diretor Rodrigo Barcella à Gazeta do Paraná.

 

Recusa de médicos impacta oferta

O ponto central da interrupção não foi estrutural, mas humano. Segundo Barcella, há dificuldade recorrente na composição de equipes devido à resistência de parte dos profissionais.

A instituição afirma que médicos podem se recusar a participar do procedimento por razões pessoais, morais, religiosas ou ideológicas, dentro do que é reconhecido como objeção de consciência.

“Parte dos profissionais manifesta desconforto em participar do procedimento”, explicou Barcella.

Embora o hospital destaque que não há recusa institucional, reconhece que essa realidade interfere diretamente na continuidade do serviço.

Na prática, foi essa indisponibilidade que levou à suspensão total do atendimento.

 

Pacientes foram transferidas

Durante o período de interrupção, as pacientes foram encaminhadas a outras unidades de referência. Segundo Barcella, não houve prejuízo aos atendimentos, mas o hospital não detalhou quantos casos foram redirecionados nem o tempo exato da paralisação.

O diretor também esclareceu que o atendimento a vítimas de violência sexual continuou sendo realizado normalmente, sendo afetada apenas a realização do procedimento de interrupção da gravidez.

 

Números revelam oscilação no serviço

Os dados informados pelo diretor do HUOP mostram variação significativa no número de procedimentos realizados nos últimos anos:

2023: 13 procedimentos
2024: 9 procedimentos
2025: 23 procedimentos

Todos os casos são de pacientes encaminhadas pela macrorregião Oeste. 

O aumento registrado em 2025 ocorre justamente no período mais recente, após a retomada do serviço.

Atualmente, segundo Barcella, há apenas uma paciente em processo de agendamento, o que indica ausência de fila relevante no momento.

 

Serviço foi retomado, mas fragilidade persiste

Barcella afirmou que o atendimento já foi restabelecido e segue em funcionamento regular, com equipe multidisciplinar e protocolos ativos.

Ainda assim, a própria resposta revela uma vulnerabilidade estrutural: a continuidade do serviço depende diretamente da disponibilidade de médicos dispostos a realizá-lo.

O hospital reconhece que essa é uma dificuldade permanente e que exige esforço institucional para garantir equipes aptas.

 

Debate chega à Alep

A confirmação da suspensão total, ainda que temporária, reforça o debate que já havia sido provocado por denúncias sobre a interrupção do serviço em Cascavel.

O foco da discussão, agora, deixa de ser apenas a existência formal do atendimento e passa a ser sua efetividade.

No caso do HUOP, a resposta oficial é direta: o serviço existe, é legal e está previsto como política pública. Mas pode parar. E já parou. 

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp