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Saudade não tem idade: A igrejinha no alto do morro em Guaraniaçu

Construção da igreja ocorreu em meio às obras da então chamada "Estratégica" ou "A Federal" — a estrada que ligava Guarapuava a Foz do Iguaçu

Saudade não tem idade: A igrejinha no alto do morro em Guaraniaçu Créditos: Oscar Ramos Pereira Jr/Acervo Xico Tebaldi

 

Na paisagem bucólica de Guaraniaçu, uma imagem da década de 1950 ressurge como símbolo de fé, trabalho e história: a pequena Igreja Nossa Senhora de Fátima, erguida no alto do morro na localidade da Linha Secção. A fotografia é um registro comovente de uma época em que a religiosidade caminhava lado a lado com o desenvolvimento do interior do Paraná.

A construção da igreja ocorreu em meio às obras da então chamada "Estratégica" ou "A Federal" — a estrada que ligava Guarapuava a Foz do Iguaçu e que mais tarde receberia a denominação BR-35. Já na década de 1960, com a pavimentação, passou a ser oficialmente identificada como BR-277, hoje uma das mais importantes rodovias do Estado.

Comandadas pelo Major Oscar Ramos Pereira, com o apoio fundamental dos empreiteiros — conhecidos como taifeiros — Geraldo Marques Saraiva, José Neves Formighieri e José Sampaio, as frentes de trabalho que abriam caminho pela mata virgem decidiram também erguer um símbolo de fé para os trabalhadores e moradores da região: a Igreja Nossa Senhora de Fátima. A escolha do alto do morro como local para a capela não foi por acaso. Além de proporcionar uma vista privilegiada da região, a localização conferia à pequena igreja um caráter espiritual ainda mais marcante, como se protegesse, do alto, todos que ali passavam.

Infelizmente, a construção teve vida curta. Nos anos 1950, poucos anos após sua inauguração, a igrejinha foi destruída por um incêndio. Restaram as lembranças e, felizmente, esta valiosa fotografia: uma imagem rara onde é possível ver uma das máquinas da CER-1 abrindo caminho até o templo, em um tempo em que o progresso era árduo e a fé era inabalável.

 Fontes: Oscar Ramos Pereira Jr/Acervo Xico Tebaldi

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comentários

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    Autamir há 8 meses

    Quando eu era jovem, nos finais dos anos 70 e inicio dos anos 80 , lembro me bem desta igrejinha. Da varanda da casa dos meus queridos avos, Antônio Freduczewski e Maria Freduczewski, in memóriam, avistavamos esta pequena igreja , na cor amarela. Subir lá era algo maravilhoso e uma vista maravilhosa e depois da missa tinha os almoços de domingo, com um belo churrasco oferecido para a comunidade. Meu pai, Autanegio Gonzaga, participou da construção desta estrada e foi aí que meu pai conheceu meu avô, onde pediu autorização para guardar as máquinas. Muitas lembranças bonitas tenho desta época. Autamir Gonzaga