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Quem foi Tiradentes: o mártir da Inconfidência que se tornou símbolo da República no Brasil

Único executado entre os inconfidentes de Minas Gerais, Joaquim José da Silva Xavier teve sua imagem ressignificada ao longo da história e virou herói nacional

Por Eliane Alexandrino

Quem foi Tiradentes: o mártir da Inconfidência que se tornou símbolo da República no Brasil Créditos: Divulgação

Celebrado em 21 de abril, o feriado de Tiradentes marca a memória de um dos personagens mais emblemáticos da história brasileira. Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi um dos líderes da Inconfidência Mineira, movimento que tentou romper com o domínio colonial português no século XVIII.

Nascido em 1746, na então Capitania de Minas Gerais, Tiradentes exerceu diversas atividades ao longo da vida, incluindo tropeiro, minerador, comerciante e dentista, ofício que lhe rendeu o apelido pelo qual ficou conhecido. Sem formação universitária, mas com forte senso crítico, ele também atuou como alferes posto equivalente a um oficial de baixa patente na cavalaria dos Dragões Reais.

O contexto da época era de forte insatisfação na região mineradora, motivada principalmente pela alta carga tributária imposta pela Coroa portuguesa. Um dos principais pontos de tensão era a chamada “derrama”, mecanismo de cobrança forçada de impostos atrasados sobre o ouro. A possibilidade de sua execução intensificou o clima de revolta entre parte da elite local.

Foi nesse cenário que surgiu a Inconfidência Mineira, inspirada por ideais iluministas e pelos movimentos de independência que ganhavam força no mundo, como a Independência dos Estados Unidos. O grupo defendia a criação de uma república independente em Minas Gerais, com maior autonomia econômica e política.

No entanto, o movimento foi denunciado antes de ser colocado em prática. Em 1789, as autoridades portuguesas iniciaram uma investigação que resultou na prisão dos envolvidos. Tiradentes foi um dos principais acusados e, ao longo do processo, assumiu a responsabilidade pela conspiração, o que contribuiu para sua condenação.

Após três anos de julgamento, a sentença foi proferida: Tiradentes seria executado por enforcamento, enquanto os demais inconfidentes tiveram suas penas comutadas para o exílio. A execução ocorreu em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, então capital da colônia. Seu corpo foi esquartejado e partes foram expostas em vias públicas como forma de repressão e exemplo contra novas rebeliões.

Durante o período colonial e até mesmo no Império, a figura de Tiradentes permaneceu relativamente apagada. Foi somente após a Proclamação da República, em 1889, que sua imagem passou a ser resgatada e valorizada como símbolo de resistência e luta pela liberdade. O novo regime buscava heróis nacionais que representassem os ideais republicanos, e Tiradentes passou a ocupar esse papel.

Ao longo do tempo, sua representação foi sendo construída de forma simbólica, muitas vezes associada à imagem de mártir, com traços semelhantes aos de figuras religiosas. Mais do que o homem histórico, Tiradentes tornou-se um ícone político e cultural, presente em livros, monumentos e na memória coletiva do país.

O dia 21 de abril foi instituído como feriado nacional para homenageá-lo, reforçando a importância de sua participação em um dos primeiros movimentos organizados contra o domínio colonial no Brasil. A data também convida à reflexão sobre os valores de liberdade, justiça e cidadania, que continuam atuais mais de dois séculos depois.
Assim, Tiradentes permanece como uma figura central na construção da identidade nacional brasileira, lembrado não apenas por sua morte, mas pelo ideal de transformação que ajudou a inspirar gerações.

Foto: Divulgação 

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