EPR vence leilão da Régis Bittencourt e conquista quarta concessão no Paraná
Grupo conquista corredor estratégico entre Curitiba e São Paulo com deságio de 22,53%
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Divulgação/ANTT
A EPR ampliou ainda mais sua presença no setor de concessões rodoviárias ao vencer, nesta quinta-feira (23), o leilão da BR-116 entre Curitiba e São Paulo, a Rodovia Régis Bittencourt. Com um deságio de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio, o grupo superou as propostas apresentadas pela atual concessionária Arteris e pela Motiva (antiga CCR), garantindo a administração de um dos corredores logísticos mais importantes do país.
Com a vitória, a empresa passa a controlar sua quarta concessão diretamente relacionada ao Paraná. Atualmente, a EPR já administra os lotes 2, 4 e 6 do novo programa de concessões rodoviárias do Estado, por meio das concessionárias EPR Litoral Pioneiro, EPR Paraná e EPR Iguaçu.
Embora a Régis Bittencourt seja uma concessão federal, a rodovia possui forte ligação com o Paraná ao conectar Curitiba à capital paulista, formando o principal eixo de transporte de cargas entre as regiões Sul e Sudeste.
O novo contrato prevê investimentos de aproximadamente R$ 7,2 bilhões em obras de ampliação, modernização e adequação da infraestrutura ao longo de 15 anos de concessão. Outros R$ 4,06 bilhões deverão ser destinados às atividades de operação e manutenção da rodovia durante todo o período contratual.
Ao todo, a concessão compreende 383 quilômetros da BR-116, passando por 16 municípios e atendendo um fluxo diário estimado em cerca de 29 mil veículos. Desse total, aproximadamente 80% são caminhões e ônibus, evidenciando a importância econômica da via para o transporte de mercadorias.
Entre as principais intervenções previstas estão a implantação de 68,91 quilômetros de faixas adicionais, 32,8 quilômetros de vias marginais, 18 passarelas para pedestres, 19 passagens de fauna, 91,4 quilômetros de iluminação em trechos de serra, além da construção de ciclovias, pontos de ônibus, melhorias em acessos, obras de drenagem e correções de traçado.
Concessão nasce após renegociação
O leilão marca o encerramento de um longo processo de renegociação do contrato atualmente administrado pela Arteris desde 2008. A Régis Bittencourt integra o programa federal de otimização das chamadas concessões "estressadas", que reúne contratos antigos marcados por judicializações, atrasos em investimentos e dificuldades para execução das obras previstas originalmente.
Nos últimos anos, a rodovia acumulou críticas de usuários, principalmente durante períodos de chuvas intensas, quando deslizamentos de terra e bloqueios na Serra do Cafezal provocaram congestionamentos e interrupções frequentes do tráfego.
Para solucionar o impasse, o governo federal optou por renegociar as condições do contrato e submetê-lo novamente à concorrência. Nesse modelo, conhecido como leilão de otimização, outras empresas podem disputar a concessão oferecendo descontos maiores sobre a tarifa de pedágio. Foi justamente esse critério que garantiu a vitória da EPR.
Concentração das concessões
O resultado também reforça um movimento observado nos últimos anos: a concentração das concessões rodoviárias nas mãos de um número reduzido de grandes grupos econômicos.
As três empresas que participaram da disputa já possuem operações relevantes no Paraná. A Motiva administra o Lote 3 das concessões estaduais. A Arteris segue responsável pela Arteris Litoral Sul, que compreende o Contorno Leste de Curitiba, a BR-376 e parte da BR-101 em Santa Catarina. Já a EPR, agora vencedora da Régis Bittencourt, amplia ainda mais seu portfólio ao acumular quatro concessões ligadas ao Estado.
Especialistas apontam que contratos bilionários desse porte exigem elevado poder de investimento, acesso facilitado a financiamentos e ampla experiência operacional, fatores que acabam limitando o número de empresas capazes de disputar os leilões.
Na prática, isso faz com que os mesmos grupos estejam presentes nas principais licitações federais e estaduais, ampliando continuamente sua participação no mercado.
