Governo prorroga subsídio da gasolina por 30 dias após alta do petróleo causada por conflito no Oriente Médio
Benefício de R$ 0,44 por litro seria encerrado neste sábado, mas foi estendido diante da escalada da guerra e da pressão sobre os preços internacionais dos combustíveis
Créditos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O governo federal decidiu prorrogar por mais 30 dias o subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina diante da alta do petróleo provocada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio. A medida, que terminaria neste sábado (25), continuará em vigor a partir de domingo (26).
A portaria que estende o benefício foi assinada na noite desta quinta-feira (23) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o governo, a decisão busca reduzir os impactos da valorização do petróleo sobre os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.
O subsídio ao diesel, de R$ 1,12 por litro, permanece mantido. A Medida Provisória 1.363, que instituiu o benefício, já havia sido prorrogada por mais 60 dias pelo Congresso Nacional no último dia 16.
Como funciona o subsídio
Chamado oficialmente de subvenção econômica, o programa prevê o pagamento de recursos públicos a produtores e importadores de combustíveis para compensar parte do aumento dos custos provocado pela valorização do petróleo no mercado internacional.
Na prática, o governo absorve uma parcela do reajuste, reduzindo o impacto que chegaria ao consumidor final nos postos de combustíveis.
Os pagamentos são feitos por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Alta do petróleo motivou decisão
A prorrogação foi motivada pela nova disparada das cotações internacionais do petróleo.
Depois de um período de queda registrado em junho, o barril do tipo Brent voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 nesta semana, impulsionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio.
O cenário mudou após o fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã e a intensificação dos conflitos na região.
Além disso, ataques a petroleiros no Mar Vermelho elevaram as preocupações com a oferta mundial de petróleo e pressionaram ainda mais os preços internacionais.
Mais cedo, o Ministério da Fazenda já havia informado que estudava uma possível prorrogação do benefício, mas ressaltava que a decisão ainda dependia de avaliações técnicas.
Benefício amenizou reajuste da Petrobras
O subsídio foi criado em maio justamente para reduzir os efeitos da alta do petróleo sobre os consumidores brasileiros.
Poucos dias após a entrada em vigor da medida, a Petrobras reajustou em R$ 0,48 por litro o preço da gasolina A vendida às distribuidoras.
Com a subvenção federal, o impacto efetivo para o mercado foi reduzido para aproximadamente R$ 0,04 por litro, segundo o governo.
Diesel segue com benefício
Enquanto a gasolina teve o incentivo prorrogado por 30 dias, o subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel continua garantido por mais 60 dias.
Pelas regras da medida provisória, ao término de cada período de vigência, o Ministério da Fazenda poderá manter, alterar ou encerrar o benefício, desde que comunique os produtores e importadores com antecedência mínima de 15 dias.
Já outro programa de incentivo ao diesel, que concedia R$ 0,35 por litro, foi encerrado em 1º de julho, após a redução das cotações do petróleo no mercado internacional naquele período.
Governo aposta também no etanol
Além das subvenções aos combustíveis, o governo adotou outras medidas para tentar conter a pressão sobre os preços.
Na semana passada, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, inicialmente pelo período de 180 dias.
A expectativa é que a maior participação do biocombustível reduza a dependência da gasolina derivada do petróleo e ajude a limitar futuros reajustes caso a instabilidade no mercado internacional persista.
