Sandro defende privatização da Copel e Requião promete retomada em primeiro debate
Candidatos ao Governo do Paraná também divergiram sobre educação, segurança pública, impostos e infraestrutura; Sérgio Moro não participou do confronto promovido pela Band
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Band
A privatização da Copel, um dos temas mais sensíveis da política paranaense nos últimos anos, colocou Sandro Alex e Requião Filho em campos opostos no primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Paraná. Representante da continuidade da gestão de Ratinho Junior, Sandro defendeu o processo, que classificou como uma “modernização” da companhia, enquanto Requião reafirmou a intenção de recuperar o controle estatal da empresa.
O confronto promovido pela Band na noite deste domingo (9) também evidenciou diferenças entre os dois candidatos em áreas como educação, segurança pública, impostos e infraestrutura. Sérgio Moro não participou do debate. Com isso, a emissora reorganizou a dinâmica prevista e ampliou os momentos de confronto direto entre Sandro e Requião.
Copel divide candidatos
A discussão sobre a Copel expôs uma das diferenças mais claras entre os projetos apresentados. Sandro Alex defendeu a decisão tomada durante o governo Ratinho Junior e argumentou que a mudança no controle da companhia foi necessária para ampliar a capacidade de investimentos.
No pós-debate, questionado novamente sobre as críticas à privatização, Sandro afirmou que o Governo do Paraná continua sendo o maior acionista da empresa, recebe dividendos e mantém poder de veto. Segundo ele, a “modernização” permitiria ampliar investimentos na geração e distribuição de energia.
O candidato também citou as usinas de Segredo e Foz do Areia e afirmou que os investimentos previstos permitiriam praticamente dobrar a capacidade de atendimento, alcançando mais 7 milhões de habitantes. Sandro ainda mencionou a entrega de 19 subestações, a previsão de outras 50 e investimentos que, segundo ele, chegarão a R$ 23 bilhões.
Requião Filho seguiu caminho oposto. Crítico da privatização, afirmou que pretende recuperar o controle estatal da companhia caso seja eleito. No pós-debate, o candidato mencionou três possibilidades para colocar a proposta em prática, entre elas uma operação com participação do BNDES e uma alteração na legislação estadual.
Requião também fez acusações envolvendo o processo e citou possíveis investigações por órgãos de controle. As declarações, no entanto, foram apresentadas pelo candidato durante a entrevista e dependem de comprovação independente.
A Copel acabou funcionando como exemplo de uma divisão que atravessou boa parte do debate. Sandro assumiu a defesa do legado da atual administração e apresentou a continuidade como necessária para manter investimentos e projetos em andamento. Requião tentou fazer justamente o contrário, associando o adversário às decisões mais controversas dos últimos anos e propondo mudanças no modelo adotado pelo Estado.
Continuidade entra no centro do confronto
Sandro não procurou se afastar do governo do qual fez parte. Ao contrário, deixou claro que pretende disputar a eleição como representante da continuidade.
Depois do debate, afirmou que também estava ali para “defender o legado” de Ratinho Junior e argumentou que o Paraná não deveria interromper o atual ciclo. Questionado sobre ter entrado mais tarde na disputa sucessória, disse que iniciou a campanha há pouco mais de 60 dias porque estava dedicado à execução de obras e afirmou ter sido convidado por Ratinho para representar o grupo político que atualmente comanda o Estado.
“Eu sou esse construtor de pontes, tocador de obras, que esteve ao lado do governador Ratinho, braço direito, para transformar esse Estado”, afirmou.
Requião procurou explorar justamente essa vinculação. Ao longo do confronto, direcionou críticas ao aumento de impostos, ao preço da energia, às concessões rodoviárias e a outras decisões tomadas pela atual administração. A estratégia foi colocar Sandro diante da necessidade de responder não apenas por suas propostas para os próximos quatro anos, mas também pelo governo que pretende suceder.
Educação expõe projetos distintos
Outro confronto direto ocorreu na educação. Sandro defendeu a manutenção e a ampliação das escolas cívico-militares e anunciou a intenção de chegar a 500 unidades no Estado. Também falou em investimentos de R$ 6 bilhões nas chamadas “escolas do futuro” e na expansão do ensino bilíngue.
Requião Filho criticou o modelo cívico-militar e afirmou que pretende revê-lo. No pós-debate, classificou a política como ineficaz e argumentou que os recursos deveriam ser direcionados à formação continuada dos profissionais e às escolas que mais precisam de investimentos.
O pedetista também fez duras críticas ao programa Parceiro da Escola, defendendo novos concursos públicos e maior valorização dos profissionais da educação.
Segurança também provoca embate
Na segurança pública, Sandro apresentou números para defender os resultados do governo. Segundo ele, mais de 8 mil profissionais foram contratados, outros 2 mil policiais serão chamados e um novo concurso deverá abrir mais 2 mil vagas.
O candidato afirmou ainda que o orçamento destinado à área passou de R$ 2 bilhões para R$ 4,7 bilhões e mencionou investimentos em viaturas, equipamentos e inteligência. Também atribuiu às políticas adotadas uma redução superior a 70% nos roubos de veículos.
Requião questionou a prioridade dada aos equipamentos e concentrou sua argumentação na valorização dos profissionais. Para ele, investimentos em tecnologia e estrutura precisam ser acompanhados de melhores salários, treinamento e condições de trabalho para policiais militares, civis e penais.
Impostos e custo de vida
A política tributária também entrou no confronto. Requião propôs isenção para micro e pequenas empresas e afirmou que esse grupo seria responsável por apenas 2% da arrecadação estadual de ICMS. Para compensar a medida, defendeu uma revisão dos benefícios fiscais concedidos atualmente pelo Estado.
Segundo o candidato, as renúncias chegariam a R$ 25 bilhões, valor que corresponderia a 25% do orçamento. Os números foram apresentados por Requião durante o debate e não foram acompanhados, naquele momento, da documentação utilizada como base para os cálculos.
A discussão econômica refletiu uma estratégia adotada pelo pedetista durante diferentes momentos do encontro: confrontar indicadores positivos apresentados pelo governo com despesas sentidas diretamente pela população, como energia, água, impostos e custo de vida.
Sandro respondeu apresentando crescimento econômico, atração de investimentos e geração de empregos como resultados da atual administração. No pós-debate, afirmou que o Paraná se tornou a quarta maior economia brasileira e estabeleceu como meta alcançar a terceira posição.
Obras e infraestrutura
Infraestrutura foi outro ponto de atrito. Sandro utilizou sua passagem pela Secretaria de Infraestrutura e Logística para apresentar obras como uma das principais credenciais de sua candidatura e defender a manutenção do planejamento em curso.
Requião contestou a autoria de parte dos investimentos apresentados pelo adversário, argumentando que algumas intervenções citadas seriam de responsabilidade federal ou estariam vinculadas aos contratos de concessão rodoviária. O debate sobre obras acabou se misturando à discussão sobre os novos pedágios e sobre qual deve ser a participação direta do Estado na infraestrutura paranaense.
A divergência reforçou a divisão que marcou praticamente todo o encontro: enquanto Sandro apresentou a continuidade como forma de preservar investimentos e projetos em andamento, Requião sustentou que parte das políticas adotadas precisa ser revista.
Primeiro confronto da campanha
A ausência de Sérgio Moro, que havia confirmado participação anteriormente, reduziu para dois o número de candidatos no estúdio. O tema foi mencionado durante o programa, mas Sandro e Requião concentraram a maior parte do tempo no confronto entre suas próprias propostas e trajetórias.
No pós-debate, a análise apresentada pela Band apontou que o encontro deixou mais evidente para o eleitor a divisão entre uma candidatura de continuidade e outra de oposição. Também chamou a atenção o fato de Sandro, apesar de representar a situação, ter adotado desde o início uma postura ofensiva diante do adversário.
Ao final, os dois deixaram claro que essa divisão deverá continuar durante a campanha. Sandro afirmou que o Paraná “pede continuidade” e que não pretende “quebrar o ciclo” iniciado no atual governo. Requião, por sua vez, apresentou a eleição como uma oportunidade de rever decisões tomadas nos últimos anos.
Na Copel, tema que produziu uma das diferenças mais objetivas da noite, essa escolha ficou especialmente clara: de um lado, a manutenção do modelo defendido por Sandro; do outro, a promessa de Requião Filho de buscar novamente o controle estatal da companhia.
Créditos: Redação
