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Roubo e furto de celulares caem no Brasil, mas furtos seguem em alta e já representam 61% dos casos

País registrou mais de 830 mil ocorrências em 2025; especialistas alertam para prejuízos financeiros e riscos de golpes após a perda do aparelho

Roubo e furto de celulares caem no Brasil, mas furtos seguem em alta e já representam 61% dos casos Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil registrou 830.890 roubos e furtos de celulares em 2025, uma redução de 9% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 909.753 ocorrências. Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e mostram que, embora os roubos tenham diminuído, os furtos continuam em alta e já representam a maior parte dos casos registrados no país.

Segundo o levantamento, os roubos caíram 18,6%, passando de 377.787 registros em 2024 para 308.723 em 2025. Já os furtos cresceram 0,9%, saltando de 477.326 para 483.561 ocorrências.

Furtos já representam seis em cada dez casos

Os furtos, geralmente praticados sem que a vítima perceba imediatamente, sobretudo em locais de grande circulação e no transporte público, responderam por 61% das ocorrências de subtração de celulares no último ano.

Com o aumento registrado em 2025, o país passou a contabilizar, em média, cerca de 1.325 furtos de celulares por dia.

Perda do aparelho afeta orçamento das famílias

Além do prejuízo material, a perda do celular pode comprometer diretamente a vida financeira das vítimas. É o que aponta a pesquisa Expansão de Seguros Inclusivos em Comunidades Periféricas, realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com o Instituto Locomotiva.

O levantamento mostra que 60% dos entrevistados já tiveram o celular roubado ou furtado, ou convivem com alguém que passou pela situação e não conseguiu comprar outro aparelho imediatamente.

A pesquisa também revela que 53% das famílias brasileiras não conseguem cobrir todas as despesas mensais, enquanto 36% pagam as contas sem qualquer sobra financeira. Apenas 11% encerram o mês com algum recurso disponível.

Nesse cenário, a necessidade de substituir o celular pode levar ao endividamento ou ao comprometimento de gastos essenciais, como alimentação, transporte e moradia.

Prejuízo vai além do valor do aparelho

Para muitos brasileiros, especialmente trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o celular é uma ferramenta de trabalho. A perda do equipamento pode interromper atividades como atendimento a clientes, recebimento de pagamentos, vendas online e acesso a plataformas digitais.

Além disso, especialistas alertam que o principal alvo dos criminosos nem sempre é o aparelho em si, mas as informações armazenadas nele.

Aplicativos bancários, documentos digitais, carteiras virtuais, redes sociais e dados pessoais podem ser utilizados para golpes, transferências bancárias, contratação de empréstimos e fraudes contra familiares e contatos da vítima.

Uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, em março de 2026, mostrou que 78,8% dos brasileiros têm medo de ter o celular roubado ou furtado. O receio de sofrer golpes pela internet ou telefone é ainda maior, alcançando 83,2% dos entrevistados.

Especialistas recomendam agir rapidamente

Após um roubo ou furto, a orientação é bloquear imediatamente o aparelho, a linha telefônica, os aplicativos bancários e demais serviços vinculados ao dispositivo para reduzir os riscos de fraudes.

O presidente da Comissão de Seguros Gerais Afinidades da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Sidemar Sprincigo, afirma que a proteção financeira também pode ser uma alternativa para minimizar os prejuízos.

"Quando o celular é levado, o prejuízo pode ir muito além do valor do equipamento. O seguro para celular e o seguro contra golpes bancários, conhecido como seguro Pix, oferecem camadas complementares de proteção. O primeiro pode amparar a reposição do aparelho, enquanto o segundo cobre prejuízos decorrentes do uso fraudulento de aplicativos bancários ou de transferências realizadas sob coação, conforme as condições previstas na apólice", explica.

Seguro exige atenção às regras da cobertura

Especialistas orientam que, antes da contratação, o consumidor analise itens como valor do prêmio, franquia, critérios de indenização, depreciação do aparelho e situações cobertas pela apólice.

Também é importante verificar se há cobertura para furto simples, furto qualificado, roubo e danos acidentais, já que as condições variam entre as seguradoras.

Embora o seguro não impeça a ocorrência do crime, ele pode reduzir os impactos financeiros da perda do aparelho e evitar que o consumidor arque sozinho com um prejuízo que, muitas vezes, compromete o orçamento familiar.

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