Juliane Vieira relembra incêndio, recuperação e decisão de entrar na política no Gazeta Entrevista
Sobrevivente de um incêndio em Cascavel, advogada fala sobre os mais de três meses de internação, os impactos deixados pelas queimaduras e a luta por um centro especializado na região
Por Julia Maraschi
Créditos: Divulgação
A história de Juliane Vieira ganhou repercussão nacional depois de sobreviver a um incêndio em um prédio de Cascavel, no qual ficou pendurada no suporte de um aparelho de ar-condicionado, no 13º andar, enquanto buscava uma forma de salvar a própria família. Quase um ano depois do acidente, a advogada revisita aquela noite e fala sobre o que aconteceu depois dela no novo episódio do Gazeta Entrevista, apresentado por Ana Zimermann.
Durante a conversa, Juliane conta detalhes do momento em que percebeu que precisava encontrar uma saída para escapar das chamas. Ela relata que conseguiu retirar o primo da fumaça, acordar a mãe e chegar até a janela, onde encontrou no suporte do ar-condicionado uma possibilidade de sobrevivência. “Eu realmente calculei o que eu estava fazendo. Eu olhei para o fogo, eu entendi que a porta eu não conseguiria arrombar”, relembra.
O episódio também mostra uma parte da história que nem sempre aparece nas imagens do resgate: a longa recuperação que veio depois.
Uma recuperação sem prazo
Juliane passou cerca de três meses internada em Londrina e ficou cerca de 96 dias na UTI, segundo seu relato. Com queimaduras extensas, precisou passar por procedimentos, enxertos e diferentes etapas de tratamento. Ela conta que voltou para casa ainda bastante debilitada e precisou reaprender atividades básicas do cotidiano. O tratamento continua sem uma previsão de encerramento e inclui fisioterapia, acompanhamento médico e cirurgias reparadoras. “O meu tratamento não tem data para acabar”, afirma durante a entrevista.
Além das marcas físicas, Juliane fala sobre os impactos emocionais provocados pelo incêndio e sobre a dificuldade de lidar com as mudanças no próprio corpo. Ela também relata situações do cotidiano que ainda despertam lembranças e medo relacionados ao acidente. Para ela, sobreviver não encerrou a história, mas abriu uma nova etapa, marcada por desafios que continuam presentes.
"Sobreviver custa caro"
Um dos momentos centrais da entrevista acontece quando Juliane explica a frase que dá nome ao episódio. “As pessoas não sabem que custa muito também sobreviver a uma tragédia dessa. Custa muito caro. O preço hoje que eu pago por tudo isso é muito caro.”
A partir da própria experiência, ela também fala sobre as condições encontradas no atendimento a vítimas de queimaduras e sobre a necessidade de estrutura especializada mais próxima de Cascavel.
Juliane relata que recebeu tratamento em Londrina e defende a implantação de um centro especializado para atendimento de queimados na região Oeste do Paraná. A proposta, segundo ela, está entre os motivos que a levaram a aceitar o desafio de entrar na política.
Da repercução a política
A advogada conta que inicialmente resistiu à ideia de disputar uma eleição. Segundo seu relato, o contato com outras famílias e pacientes durante a recuperação e as demandas relacionadas à saúde fizeram com que ela passasse a considerar a atuação política como uma forma de buscar mudanças na área.
Hoje candidata a deputada estadual, Juliane também fala sobre as críticas que recebeu depois de questionar as condições de treinamento e os equipamentos utilizados no resgate em altura durante o incêndio.
Ela afirma que suas críticas não são direcionadas individualmente aos bombeiros que participaram do atendimento, mas às condições de treinamento e estrutura que, em sua avaliação, precisam ser discutidas. “A minha crítica foi: não tiveram equipamentos e treinamento para me salvar.”
A entrevista aborda ainda a trajetória profissional de Juliane, sua atuação como advogada, a relação com a família, as mudanças provocadas pelo acidente e a forma como passou a enxergar a própria vida depois do incêndio.
O episódio completo do Gazeta Entrevista está disponível no canal da Gazeta do Paraná. A conversa reúne relatos sobre sobrevivência, recuperação, saúde pública e os caminhos que Juliane decidiu seguir depois do acidente.
Acesse a íntegra no Youtube da Gazeta do Paraná
Créditos: Julia Maraschi
