Reviravolta outra vez: TSE devolve a Gomyde comando da DC no Paraná
Liminar de André Mendonça suspende destituição da direção estadual, mas mantém decisões tomadas na convenção que levou o partido ao apoio a Sergio Moro
Por Gazeta do Paraná
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Pouco mais de dois meses depois de uma mudança no comando da Democracia Cristã (DC) alterar o tabuleiro eleitoral do Paraná, o partido vive uma nova reviravolta. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu liminar determinando o retorno do ex-deputado federal Ricardo Gomyde à direção estadual da legenda.
A decisão foi proferida na sexta-feira (25), no Mandado de Segurança nº 0601285-62.2026.6.00.0000, apresentado por Gomyde contra ato do presidente nacional da DC, João Caldas da Silva.
Na prática, Mendonça suspendeu a destituição da direção estadual e determinou o restabelecimento da composição anterior do partido no Paraná. O TRE-PR também deverá ser comunicado da decisão.
A liminar, entretanto, tem um detalhe fundamental: Gomyde recupera o comando partidário, mas isso não significa que a DC tenha deixado automaticamente a aliança construída com Sergio Moro (PL). O TSE preservou, neste momento, as deliberações da convenção partidária realizada em 5 de agosto.
Gazeta mostrou a primeira reviravolta
A decisão representa uma nova virada em uma disputa interna acompanhada pela Gazeta do Paraná desde julho.
No dia 16 daquele mês, a Gazeta mostrou que a comissão provisória estadual comandada por Gomyde havia sido inativada por decisão do partido. A mudança retirou a DC das mãos do grupo que, naquele momento, articulava a pré-candidatura do empresário Tony Garcia ao Governo do Paraná.
A reorganização colocou a legenda sob influência de um grupo próximo a Sergio Moro. Fabio Aguayo passou a ocupar posição central na nova estrutura estadual e a DC acabou integrando a articulação eleitoral em torno do candidato.
A movimentação chamou atenção justamente porque, antes da intervenção, o partido caminhava em direção oposta. Tony Garcia estruturava sua pré-candidatura com discurso crítico a Moro e encontrava espaço dentro da direção comandada por Gomyde.
Agora, dois meses depois, a direção afastada retorna por ordem do TSE.
Mendonça vê problema na destituição
O ponto central da disputa não foi, neste momento, definir qual candidato a DC deve apoiar, mas a maneira como a direção estadual comandada por Gomyde foi retirada.
Ao analisar o pedido de urgência, André Mendonça identificou indícios de que a destituição teria ocorrido sem prévia notificação e sem que os integrantes da direção estadual tivessem oportunidade de apresentar defesa.
Foi esse questionamento sobre o procedimento adotado pela direção nacional que sustentou a concessão da liminar.
Com isso, a composição anterior da direção estadual deve ser restabelecida enquanto o processo continua tramitando.
A decisão é provisória. O caso ainda deverá passar por manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral e pela análise posterior da própria medida concedida por Mendonça.
Gomyde volta, mas convenção continua valendo
É justamente aqui que a nova reviravolta fica mais complexa.
Entre a retirada de Gomyde da presidência e seu retorno por decisão judicial ocorreu a convenção estadual da DC, em 5 de agosto. Foi nesse período que o partido formalizou suas decisões para as eleições.
A liminar não anulou as deliberações dessa convenção.
Portanto, seria incorreto concluir que o retorno de Gomyde retirou imediatamente a DC da composição eleitoral construída com Moro. O que mudou, por enquanto, foi quem controla formalmente a estrutura estadual da legenda.
Isso cria uma situação política peculiar: a direção que perdeu o controle antes das convenções está de volta, mas encontra decisões eleitorais tomadas durante seu afastamento que continuam produzindo efeitos.
Gomyde declara apoio a Sandro Alex
A consequência política da decisão apareceu rapidamente. Depois de recuperar o comando estadual, Gomyde declarou apoio à candidatura de Sandro Alex ao Governo do Paraná.
Ao comentar a decisão, o ex-deputado afirmou que o partido havia retornado à situação anterior à intervenção e disse que a retomada ocorreu “sem tapetão”.
A declaração explicita o tamanho do impasse. De um lado está a posição política do presidente estadual novamente reconhecido por força da liminar. De outro, permanecem válidas, até nova decisão judicial, as deliberações tomadas pela convenção partidária de agosto.
Assim, o retorno de Gomyde ao comando não pode ser confundido com uma mudança automática de coligação ou de apoio eleitoral da legenda.
Uma disputa que começou antes das convenções
A briga pelo DC ganhou relevância porque a legenda passou por mudanças sucessivas justamente durante a montagem das candidaturas ao Governo do Paraná.
Quando Gomyde comandava o partido, a sigla estava ligada ao projeto de Tony Garcia. Com a destituição da direção estadual em julho, o partido mudou de mãos e se aproximou de Moro. Agora, já na reta final da campanha, Gomyde recupera judicialmente a presidência e anuncia apoio a Sandro Alex.
A decisão de André Mendonça não encerra essa disputa. Ela restabelece a direção anterior enquanto preserva, ao menos por enquanto, as decisões eleitorais tomadas durante o período em que Gomyde estava afastado.
O resultado é uma situação incomum: o DC do Paraná voltou a ter o presidente que possuía antes da intervenção, mas não voltou automaticamente ao cenário político que existia antes dela.
