Reviravolta: DC muda de comando no Paraná e deve ser primeiro partido a declarar apoio à pré-candidatura de Sergio Moro
Mudança na direção estadual retira legenda das mãos de adversários do senador, enfraquece projeto de Tony Garcia e reposiciona o DC no cenário eleitoral paranaense
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Uma reviravolta no Democracia Cristã (DC) do Paraná alterou o posicionamento da legenda na disputa pelo Governo do Estado em 2026. Após a direção nacional decidir pela inativação da comissão provisória estadual, o partido deixou de ser comandado pelo grupo ligado ao ex-deputado federal Ricardo Gomyde — que articulava a pré-candidatura do empresário Tony Garcia ao Palácio Iguaçu — e passou para um grupo alinhado ao senador Sergio Moro (PL). As informações são do Blog do Esmael Morais.
A mudança deve ter um desdobramento imediato. Na próxima segunda-feira (20), o Democracia Cristã deverá se tornar o primeiro partido a anunciar oficialmente apoio à pré-candidatura de Moro ao governo do Paraná. A nova composição da legenda é liderada pelo advogado Jorge Casagrande e pelo empresário Fabio Aguayo, ambos identificados como aliados do senador.
A alteração representa uma mudança radical na estratégia da sigla. Até poucos dias atrás, o partido era apontado como a plataforma política de Tony Garcia, empresário que construiu sua pré-candidatura com forte discurso crítico à atuação de Sergio Moro durante a Operação Lava Jato.
Garcia era tratado por aliados como o nome que entraria na corrida eleitoral para confrontar diretamente o senador nos debates e entrevistas. O empresário sustenta ter atuado como informante da força-tarefa e afirma ter recebido ordens para realizar gravações e coletar informações durante o período em que Moro atuava como juiz federal. O senador sempre negou as acusações, classificando as declarações como tentativa de vingança.
Com a intervenção da direção nacional do partido, entretanto, o espaço para essa estratégia praticamente desapareceu.
Comissão estadual foi oficialmente inativada
A mudança foi registrada pela Justiça Eleitoral em certidão emitida no último dia 15 de julho. O documento mostra que a comissão provisória estadual da Democracia Cristã, presidida por Ricardo Gomyde, teve sua situação alterada para "inativada por decisão do partido".
O órgão partidário havia sido constituído em fevereiro e tinha vigência até 14 de julho. Além de Gomyde, todos os integrantes da direção estadual passaram a constar como inativos.
Embora a certidão confirme o encerramento da comissão provisória, ela não informa quem solicitou a medida nem identifica a nova direção estadual. Também não faz qualquer referência a Sergio Moro ou aos motivos políticos que levaram à decisão.
Na prática, porém, a mudança fortalece os aliados do senador às vésperas do período das convenções partidárias, quando serão oficializadas as candidaturas.
Apesar disso, especialistas lembram que a inativação da comissão não significa, automaticamente, o fim da pré-candidatura de Tony Garcia. As definições oficiais dependem das convenções partidárias, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto. A direção nacional ainda poderá constituir uma nova comissão provisória para conduzir o processo eleitoral no Estado.
De adversário a aliado
A mudança chama atenção justamente pela rapidez com que o partido mudou de posição.
Desde fevereiro, quando passou ao comando do grupo de Ricardo Gomyde, o DC vinha sendo utilizado para estruturar uma candidatura de oposição direta a Moro. Agora, menos de uma semana antes das convenções, a legenda caminha para integrar justamente o campo político do senador.
Nos bastidores, a reorganização é vista como uma vitória política da equipe de Moro, que elimina uma candidatura considerada potencialmente incômoda durante a campanha.
Caso a nova direção estadual seja definitivamente homologada pela direção nacional da Democracia Cristã, o partido não apenas deixará de servir de base para a candidatura de Tony Garcia, como também passará a integrar oficialmente a articulação política em torno de Sergio Moro. A movimentação altera o tabuleiro da sucessão estadual às vésperas das convenções partidárias e reforça a disputa entre os principais grupos que pretendem concorrer ao Palácio Iguaçu em 2026.
