Isolamento político amplia incertezas sobre o futuro de Cristina Graeml no grupo de Ratinho Junior
Jornalista enfrenta resistências internas, vê apoio político diminuir e passa a depender das articulações do PSD
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Redes Sociais
A decisão da jornalista Cristina Graeml (PSD) de deixar o grupo político do senador Sergio Moro e ingressar na base do governador Ratinho Junior, inicialmente apresentada como um movimento estratégico para viabilizar uma candidatura majoritária em 2026, tem se mostrado cada vez mais complexa. A poucos dias das convenções partidárias, a possibilidade de disputar uma vaga ao Senado parece perder força diante das resistências internas dentro da própria base governista.
Cristina chegou ao PSD em abril, após um período de intensa movimentação partidária. Depois de disputar a Prefeitura de Curitiba em 2024 pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) e surpreender ao chegar ao segundo turno contra Eduardo Pimentel (PSD), ela passou pelo Podemos e pelo União Brasil, onde se aproximou de Sergio Moro. O plano inicial era integrar uma chapa liderada pelo senador, concorrendo ao Senado.
O cenário mudou completamente quando Moro decidiu migrar para o PL, legenda que já possuía dois nomes fortes para disputar o Senado: o deputado federal Filipe Barros e o ex-procurador Deltan Dallagnol. Sem espaço no novo projeto político do antigo aliado, Cristina passou a procurar outra alternativa.
Foi nesse contexto que surgiu o convite de Ratinho Junior. Ao anunciar sua filiação ao PSD, o governador afirmou que queria a jornalista ajudando a construir o futuro do Paraná. Segundo interlocutores, Cristina deixou claro que não pretendia disputar uma vaga para deputada federal ou estadual. A expectativa era integrar a chapa majoritária, seja como candidata ao Senado ou como vice na disputa pelo governo estadual.
Entretanto, a construção dessa composição passou a enfrentar obstáculos dentro do próprio grupo governista.
A principal resistência vem de lideranças do Republicanos. Integrantes do partido avaliam que uma candidatura de Cristina ao Senado dividiria o eleitorado de direita com Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao mesmo cargo. Nos bastidores, interlocutores afirmam que a legenda chegou a sinalizar que poderia rever sua participação na aliança caso a jornalista fosse confirmada na chapa.
Além da disputa interna pelo espaço político, Cristina também carrega o desgaste da eleição municipal de Curitiba. Sua candidatura enfrentou diretamente Eduardo Pimentel, atual prefeito da capital e integrante do PSD. A campanha foi marcada por debates acalorados, críticas e troca de acusações entre os dois candidatos.
Embora aliados da jornalista afirmem que ela não vê problemas em dividir o mesmo palanque com o antigo adversário, integrantes da base reconhecem que o histórico da disputa ainda pesa nas negociações políticas e pode influenciar a decisão final do grupo.
Outro episódio recente reforçou o isolamento político vivido por Cristina após a mudança de lado.
Em Ponta Grossa, o presidente da Câmara Municipal, vereador Julio Kuller (PL), retirou de tramitação um projeto de sua própria autoria que concedia à jornalista o título de cidadã honorária do município. A proposta havia sido apresentada no início do ano, quando Cristina ainda integrava o grupo político de Sergio Moro, da prefeita Elizabeth Schmidt e do próprio Kuller.
Com a mudança de alianças, o vereador pediu o arquivamento da homenagem antes mesmo da votação. O episódio gerou críticas e reacendeu o debate sobre o uso político das honrarias concedidas pelas câmaras municipais. Kuller chegou a admitir que Cristina não havia realizado ações concretas por Ponta Grossa, mas justificava anteriormente que ela poderia contribuir futuramente caso fosse eleita senadora.
Enquanto isso, o calendário eleitoral avança. O Republicanos marcou sua convenção para o último dia do prazo legal, mantendo abertas as negociações sobre a composição da chapa governista.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que Ratinho Junior possui compromissos políticos importantes com Alexandre Curi, que passou a ser tratado como prioridade para a vaga ao Senado. Caso essa estratégia seja mantida, Cristina teria poucas alternativas dentro da aliança.
Entre os cenários discutidos estão uma eventual candidatura a vice-governadora na chapa encabeçada por Sandro Alex ou uma disputa para deputada federal, hipótese que a própria jornalista já declarou publicamente não ser seu objetivo.
Após despontar como um dos principais nomes da direita paranaense nas eleições municipais de Curitiba, Cristina Graeml agora enfrenta o desafio de consolidar seu lugar dentro de um novo grupo político, onde precisa conciliar interesses partidários, alianças regionais e disputas internas que tornam cada vez mais incerta sua presença na chapa majoritária do PSD em 2026.
