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Alerta climático: Novo El Niño pode provocar seca na Amazônia e chuvas no Sul Créditos: Freepik

Alerta climático: Novo El Niño pode provocar seca na Amazônia e chuvas no Sul

Agência dos Estados Unidos indica 60% de probabilidade de formação do fenômeno climático já no trimestre entre maio e julho

 

O fenômeno climático El Niño voltou a ganhar destaque nas previsões meteorológicas internacionais e deve influenciar o clima global nos próximos meses. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), considerada uma das principais referências mundiais em monitoramento climático, aponta 60% de probabilidade de formação do fenômeno no trimestre entre maio, junho e julho deste ano. As chances ultrapassam 90% a partir da primavera, em setembro.

Na prática, os dados indicam que o desenvolvimento do El Niño na segunda metade de 2026 é considerado altamente provável. Apesar disso, especialistas alertam que ainda existe incerteza sobre a intensidade que o fenôeno poderá atingir nos próximos meses.

Nos últimos dias, diferentes previsões passaram a apontar a possibilidade de um El Niño forte entre 2026 e 2027. Porém, pesquisadores destacam que prognósticos feitos com tanta antecedência ainda carregam margens importantes de erro.

Atualmente, os modelos climáticos mais modernos conseguem acompanhar a evolução do El Niño com vários meses de antecedência, estimando alterações na temperatura do oceano e possíveis impactos no clima. Essas informações ajudam governos e setores estratégicos a adotarem medidas preventivas.

Mesmo assim, cientistas explicam que as projeções mais confiáveis sobre intensidade e impactos costumam ter precisão maior em prazos de um a três meses. Quanto maior o intervalo da previsão, maiores também são as incertezas sobre o comportamento do fenômeno.

O El Niño é um fenômeno climático e oceânico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na região centro-leste. Ele faz parte de um ciclo natural conhecido como ENOS - El Niño-Oscilação Sul - que influencia o clima em diversas partes do planeta.

O fenômeno começou a ser observado ainda no século XIX por pescadores do Peru e do Equador. Eles perceberam que, próximo ao período do Natal, ocorria um aquecimento das águas do Pacífico que afetava diretamente a pesca. Por isso, associaram o evento ao “Menino Jesus”, dando origem ao nome “El Niño”.

Décadas depois, nos anos 1920, o cientista britânico Gilbert Thomas Walker identificou a relação entre o fenômeno e alterações na pressão atmosférica e nos ventos sobre o Oceano Pacífico. Essas mudanças acabam modificando as correntes marítimas e influenciando a temperatura das águas.

O fenômeno passou a ser amplamente estudado após o forte episódio registrado entre 1982 e 1983, considerado um dos mais intensos já observados até então.

Dentro do ciclo ENOS, o oposto do El Niño é a La Niña, caracterizada pelo resfriamento das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Tanto El Niño quanto La Niña provocam alterações significativas no clima global e afetam de maneiras diferentes várias regiões da América do Sul.

No Brasil, o El Niño costuma provocar aumento das chuvas na Região Sul, além de períodos de seca na Amazônia e no Nordeste. O fenômeno também está associado ao aumento das ondas de calor no Centro-Oeste e em parte do Sudeste do país.

Além disso, especialistas apontam que o El Niño influencia o clima em escala global, contribuindo para o aumento das temperaturas médias do planeta e para a redução da frequência de furacões no Atlântico Norte.

Diversas secas históricas registradas na Amazônia coincidiram com anos de El Niño, como nos períodos de 1877 a 1879, 1972 e 1973, 1983, 1998, 2010, 2015 e 2016, além do ciclo recente entre 2023 e 2024.

Apesar disso, pesquisadores lembram que nem toda estiagem está diretamente ligada ao fenômeno. Eventos de seca também ocorreram em anos sem El Niño, como em 1963 e 2005 na Amazônia e em 2012 no Nordeste brasileiro. Nesses casos, os episódios foram associados a mudanças na temperatura das águas do Atlântico Tropical Norte.

Especialistas defendem que os estudos sobre El Niño precisam ser constantemente atualizados diante das mudanças climáticas globais observadas nas últimas décadas. Segundo pesquisadores, o monitoramento contínuo do oceano e da atmosfera é fundamental para compreender os efeitos atuais do fenômeno e melhorar as previsões para os próximos anos.