O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a aliados e integrantes do governo que pretende manter o nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após a rejeição do advogado-geral da União pelo Senado Federal.
Nos bastidores, Lula tem tratado a derrota de Messias não como uma rejeição técnica ou pessoal ao ministro, mas como uma articulação política liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em confronto direto com o Palácio do Planalto.
A indicação de Jorge Messias recebeu apenas 34 votos favoráveis na Casa, resultado considerado insuficiente para aprovação. Ainda assim, interlocutores próximos ao presidente afirmam que Lula não pretende abandonar o nome do chefe da Advocacia-Geral da União.
Nos meios jurídicos e também dentro da Procuradoria-Geral da República (PGR), a avaliação predominante é de que Messias reúne os requisitos necessários para ocupar uma cadeira no STF. Integrantes dessas áreas consideram que o Senado ultrapassou o debate técnico ao barrar a indicação.
Embora exista reconhecimento de que o governo falhou na articulação política junto aos senadores, parte do Judiciário entende que, mesmo diante desse cenário, o indicado deveria ter sido aprovado.
Apesar da sinalização de apoio a Jorge Messias, Lula também reconhece que o ambiente político atual dificulta uma nova tentativa imediata de indicação.
A tendência, segundo pessoas próximas ao presidente, é que o governo aguarde até outubro para decidir os próximos passos em relação à vaga aberta no Supremo desde a saída de Roberto Barroso, em outubro de 2025.
Aliados do presidente afirmam que, caso Lula consiga reverter o cenário político até lá, a intenção seria insistir novamente na indicação do atual advogado-geral da União para a Suprema Corte.