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Relatório final do PL do fim da escala 6x1 deve ser apresentado nesta segunda

A proposta em discussão na Câmara dos Deputados busca alterar o modelo atual de jornada para permitir mais tempo de descanso aos trabalhadores

Por Gazeta do Paraná

Relatório final do PL do fim da escala 6x1 deve ser apresentado nesta segunda Créditos: Reprodução/Redes Sociais

O relator da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que a mudança pode começar a valer ainda em 2026. A declaração foi feita durante audiência pública do programa Câmara pelo Brasil, realizada em Florianópolis, e reacendeu o debate nacional sobre a redução da jornada semanal de trabalho no país.

A proposta em discussão na Câmara dos Deputados trata da PEC 221/19, que busca alterar o modelo atual de jornada para permitir mais tempo de descanso aos trabalhadores. O tema ganhou força nos últimos meses com mobilizações sindicais, campanhas nas redes sociais e manifestações organizadas por movimentos ligados aos direitos trabalhistas.

Durante a audiência, Leo Prates afirmou que há um esforço para aprovar o texto ainda neste ano, mas ressaltou que a tramitação depende da construção de maioria no Congresso Nacional. Segundo o parlamentar, a proposta ainda enfrenta resistência dentro da Câmara, especialmente de setores empresariais preocupados com os impactos econômicos da medida.

O deputado explicou que o principal desafio é alcançar os 308 votos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição. Ele destacou que, neste momento, o apoio consolidado ainda está distante do número necessário, mas afirmou que a pressão popular poderá influenciar o resultado da votação.

“Não haverá concessões inegociáveis. Agora, o tamanho das concessões para aprovar o texto que nós teremos depende de cada um de vocês: da mobilização, da pressão. Eu vim do movimento social e é disso que se trata. Nós precisamos de 308 votos, e não é fácil. Na média, temos 114 votos”, declarou o relator.

A proposta debatida prevê mudanças importantes na organização da jornada de trabalho. O modelo conhecido como 6x1 estabelece seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso. A discussão em torno da PEC busca reduzir esse ritmo, criando uma escala com mais tempo livre para o trabalhador e diminuindo a jornada semanal atualmente fixada em 44 horas.

Representantes de sindicatos e movimentos trabalhistas presentes na audiência defenderam que a mudança seja implementada de maneira imediata, sem período de transição. Para eles, a redução da jornada representa uma medida necessária para melhorar a qualidade de vida, ampliar o convívio familiar e reduzir problemas de saúde física e mental relacionados ao excesso de trabalho.

Os sindicalistas pediram ao relator que o texto estabeleça diretamente a jornada semanal de 40 horas e garanta dois dias de descanso consecutivos. A avaliação dos representantes dos trabalhadores é de que a sociedade brasileira já debate a redução da jornada há décadas e que não haveria necessidade de ampliar ainda mais o prazo de adaptação.

O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), que também participou do encontro, sugeriu que o prazo para entrada em vigor das mudanças seja de apenas 60 dias após a aprovação da proposta. Segundo ele, a implementação rápida permitiria garantir imediatamente os benefícios esperados pela categoria trabalhadora.

A coordenadora do Movimento Vida Além do Trabalho, Vanessa Brasil, reforçou a defesa pelo fim imediato da escala 6x1 e criticou a possibilidade de um longo período de transição no texto final da PEC.

“Estamos há 40 anos em transição. 40 anos sem uma conquista real para a classe trabalhadora”, afirmou Vanessa durante a audiência pública.

Enquanto representantes dos trabalhadores defendem a mudança imediata, entidades ligadas ao setor produtivo demonstram preocupação com os possíveis impactos econômicos da proposta. Pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Carlos Kurtz argumentou que a definição da jornada e da escala de trabalho deveria ocorrer por meio de negociação coletiva entre patrões e empregados.

Segundo ele, a redução obrigatória da carga horária poderia gerar aumento de custos para as empresas, afetando principalmente setores industriais que dependem de produção contínua e mão de obra intensiva. Kurtz afirmou ainda que a mudança poderia impactar a competitividade da indústria brasileira em relação a outros países.

“Que possa ser preservada a possibilidade de se fazer 44 horas. Porque isso pode determinar não só uma dificuldade muitas vezes intransponível para as empresas, mas pode determinar — e vai determinar em muitos casos — aumento de custo de vida para o próprio trabalhador e em alguns casos, se não o desemprego, a não geração de emprego”, declarou o representante da Fiesc.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 ocorre em meio a um cenário de mudanças nas relações de trabalho e aumento do debate sobre saúde mental, produtividade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Defensores da proposta argumentam que jornadas menores já são adotadas em diversos países e podem contribuir para maior bem-estar e até aumento de produtividade.

Por outro lado, representantes do setor empresarial defendem cautela e afirmam que mudanças bruscas podem elevar custos operacionais, pressionar pequenas empresas e afetar a geração de empregos.

O relatório final da proposta deverá ser apresentado nesta segunda-feira (25) na comissão especial da Câmara dos Deputados. A expectativa é que a votação no colegiado aconteça no dia 27. Caso seja aprovado, o texto seguirá para análise do plenário da Câmara, onde poderá ser votado ainda até o fim da semana.

 

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