RESULT

Reforma tributária traz novas regras para o setor agropecuário do Paraná

Reforma tributária exige que produtores rurais informem o enquadramento tributário na nota fiscal, trazendo mudanças no sistema de tributação e novas oportunidades para o setor agropecuário.

Por Eliane Alexandrino

Reforma tributária traz novas regras para o setor agropecuário do Paraná Créditos: Divulgação

A reforma tributária, em vigor desde 2 de janeiro, trouxe mudanças significativas para o setor agropecuário do Paraná, com impacto direto na forma de tributação dos produtores rurais. As alterações serão implementadas de forma gradual, mas já exigem ações dos produtores a partir de 2026. A principal modificação nesta primeira fase é a obrigatoriedade de informar na nota fiscal se o produtor é ou não contribuinte do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A inclusão dessa informação é essencial para que os compradores possam declarar corretamente a operação e utilizar os créditos tributários permitidos pela nova legislação.

A reforma tem como objetivo simplificar a tributação sobre o consumo, substituindo os cinco tributos atualmente em vigor sobre a venda de mercadorias e serviços (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por dois novos: o IBS e o CBS. Com isso, o Governo pretende reduzir a burocracia, aumentar a transparência e eliminar distorções que afetam a competitividade do setor produtivo, o que se reflete diretamente na rotina dos produtores rurais.

A reforma estabelece critérios claros para a adesão ao novo regime de recolhimento do IBS e da CBS. Os produtores rurais que têm receita bruta anual igual ou superior a R$ 3,6 milhões são obrigados a se enquadrar nesse modelo, passando a recolher os novos tributos de forma regular. Já os produtores com faturamento abaixo desse valor têm a opção de aderir ao novo regime, considerando a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários.

Para auxiliar na tomada de decisão, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) desenvolveu uma calculadora tributária que permite simular se a adesão ao novo regime será vantajosa financeiramente. A ferramenta pode ser acessada no site da CNA e ajuda os produtores a analisar o impacto da reforma em sua atividade, considerando o faturamento, os custos de produção e o volume de insumos adquiridos.

Embora a adesão ao novo regime de recolhimento do IBS e da CBS seja obrigatória para os produtores com receita superior a R$ 3,6 milhões, aqueles com faturamento abaixo desse valor devem avaliar com cautela a adesão ao sistema. Em muitos casos, a opção pode trazer benefícios significativos, principalmente para atividades que demandam alto investimento em insumos, como fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes e ração. Com a adesão ao novo regime, o produtor poderá aproveitar créditos dos impostos pagos na aquisição desses insumos, reduzindo o valor do imposto devido na venda da produção.

Outro benefício é a formalização do produtor no novo sistema tributário, o que pode facilitar o acesso ao crédito rural e a financiamentos com condições melhores. Além disso, a formalização abre portas para a participação em programas governamentais e facilita a emissão de documentos fiscais exigidos por grandes compradores e para compras públicas, ampliando o mercado de atuação do produtor.

 Desafios e a necessidade de adaptação antecipada

Embora as mudanças da reforma tributária no setor agropecuário sejam pequenas neste primeiro momento, elas exigem a adaptação imediata dos produtores, especialmente no que se refere à atualização dos sistemas de emissão de notas fiscais. A omissão ou o preenchimento incorreto das informações sobre a condição tributária na nota fiscal pode gerar inconsistências fiscais e até autuações, prejudicando o produtor no futuro.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, alerta para a necessidade de os produtores se anteciparem às mudanças, para evitar problemas no médio e longo prazo. Ele ressalta que o Sistema FAEP, junto aos sindicatos rurais, está mobilizado para fornecer toda a orientação necessária aos produtores rurais, garantindo que eles possam realizar os ajustes necessários com segurança e eficiência.

 A reformulação do sistema tributário no setor agropecuário

A reforma tributária busca transformar um sistema considerado complexo e burocrático em um modelo mais simples e transparente. Ao unificar tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS, a proposta visa aumentar a competitividade do setor, simplificar a apuração de tributos e reduzir a carga administrativa sobre os produtores. Além disso, a unificação deve trazer mais clareza para o processo de tributação e facilitar o cumprimento das obrigações fiscais.

O impacto dessa reforma será sentido especialmente no setor agropecuário, que representa uma parcela significativa da economia do Paraná. A forma como os produtores se adaptarem ao novo sistema tributário será decisiva para a continuidade do crescimento do setor e para a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.

 A importância do apoio contábil especializado

Diante das mudanças, especialistas recomendam que os produtores rurais busquem apoio contábil especializado, participem de capacitações oferecidas por sindicatos e entidades do setor e acompanhem as atualizações da legislação tributária. A adaptação antecipada permitirá que os produtores aproveitem as oportunidades criadas pela reforma e garantam mais segurança jurídica em suas operações.

Embora a implementação da reforma seja escalonada, ela é irreversível, e aqueles que se anteciparem às exigências terão vantagem competitiva. Com a devida preparação, os produtores rurais poderão enfrentar o novo cenário tributário de forma tranquila, aproveitando as oportunidades de modernização e fortalecimento do agronegócio paranaense.

A reforma tributária representa um marco para o setor agropecuário, exigindo dos produtores rurais atenção aos detalhes e a busca por informações para garantir que cumpram corretamente as novas exigências. Com a implementação gradual, os ajustes feitos agora serão fundamentais para que os produtores possam aproveitar os benefícios do novo sistema, como o aproveitamento de créditos tributários, o acesso facilitado ao crédito e a ampliação do mercado. A orientação das entidades representativas e a adaptação antecipada ao novo modelo tributário serão fundamentais para o sucesso do setor.

Foto: Divulgação

VEJA TAMBÉM NA GAZETA DO PARANÁ

👉 SHOW RURAL: PREPARATIVOS PARA 38ª EDIÇÃO SEGUEM NA RETA FINAL

👉 ITAIPU INVESTE R$ 1,5 BILHÃO PARA MANTER TARIFA DE ENERGIA E BENEFICIAR CONSUMIDORES

Acesse nosso canal no WhatsApp