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Racha à direita: Kilter acusa Missão e MBL de censura após ação de Willian Rocha

Candidato do Novo diz que ação movida por Willian Rocha tenta frear crescimento de sua campanha e sugere que Missão pode ser “linha auxiliar” do PT; os dois já estiveram do mesmo lado contra Renato Freitas

Por Gazeta do Paraná

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Racha à direita: Kilter acusa Missão e MBL de censura após ação de Willian Rocha Créditos: Reprodução Redes Sociais

A disputa entre grupos da direita paranaense ganhou contornos mais duros neste fim de semana. Depois de ser alvo de uma representação eleitoral apresentada por Willian Pedroso da Rocha, candidato a deputado estadual pelo Missão e coordenador estadual do MBL, Guilherme Kilter (Novo) reagiu publicamente, acusou os dois grupos de censura e chegou a sugerir que o Missão poderia atuar como uma espécie de “linha auxiliar” do PT.

A troca chama atenção porque Kilter e Willian já estiveram do mesmo lado em uma ofensiva contra o deputado estadual Renato Freitas (PT). Agora, em plena campanha eleitoral, um foi à Justiça contra o outro.

Em vídeo publicado nas redes sociais após a decisão, Kilter aparece diante do painel de seu comitê coberto pela palavra “CENSURADO” e contesta a determinação da Justiça Eleitoral.

“Enquanto todos os candidatos podem ter uma placa com nome e número no seu comitê central, eu não posso”, afirma. Kilter reclama ainda que a decisão não determinou apenas a redução ou adequação da estrutura, mas a retirada completa da propaganda. “Isso é censura”, declarou.

Na sequência, o candidato direciona a reação diretamente aos responsáveis pela representação.

“Isso a pedido de quem? Do MBL, do Missão, sim”, diz Kilter. Logo depois, afirma já ter sido alvo de mais de dez processos durante a campanha, cita ações apresentadas pelo PT e acrescenta, ao mencionar o Missão: “talvez a sua linha auxiliar”.

A declaração explicita uma disputa que ultrapassa a discussão jurídica sobre as dimensões de uma placa. Novo, Missão e MBL disputam espaço dentro do eleitorado de direita, e o embate agora chegou à Justiça Eleitoral.

Disputa judicial

A representação de Willian questionou um painel bifacial instalado no comitê central da campanha de Kilter, na esquina das ruas Comendador Araújo e Desembargador Motta, em Curitiba.

Em decisão de 4 de setembro, a juíza auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) Adriana de Lourdes Simette julgou parcialmente procedente o pedido e determinou a retirada da propaganda, além de aplicar multa de R$ 5 mil a Kilter.

Cada face da estrutura possui aproximadamente 3,9 metros quadrados. Consideradas conjuntamente, as duas superfícies alcançam 7,8 metros quadrados.

A legislação eleitoral permite excepcionalmente placas de até quatro metros quadrados para identificação da sede do comitê central. No caso de Kilter, porém, a Justiça considerou que a estrutura não se enquadrava na exceção. Além das dimensões consideradas na decisão, o painel não apresentava somente a identificação do candidato e do comitê, mas também a imagem de Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado.

Deltan também figurava entre os representados, mas não foi multado. A Justiça entendeu não haver elementos suficientes para demonstrar que ele tivesse autorizado o uso de sua imagem ou participado da instalação da estrutura.

 

Ataque ao Missão

No vídeo, Kilter não trata a representação como uma controvérsia isolada. O candidato associa a ação a uma tentativa de conter seu desempenho eleitoral.

Segundo ele, os adversários estariam “incomodados” porque sua campanha estaria crescendo. Kilter pede então aos seguidores que compartilhem o vídeo e afirma que não pretende recuar. “Eles não vão nos parar”, declara ao final da gravação.

A manifestação transforma Willian e o Missão em adversários públicos de Kilter justamente durante a disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Willian, que utiliza eleitoralmente o nome Willian Rocha, concorre a deputado estadual pelo Missão. Kilter disputa uma cadeira de deputado federal pelo Novo.

 

Antes, juntos

O confronto ganha um ingrediente adicional pelo histórico recente dos dois.

Documentos oficiais do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa mostram Kilter e Willian entre os autores de representações apresentadas contra Renato Freitas depois da confusão envolvendo o parlamentar petista no Centro de Curitiba, em novembro de 2025.

As diferentes representações acabaram reunidas em um mesmo procedimento. Naquele momento, portanto, Kilter e Willian estavam do mesmo lado de uma disputa política contra um adversário da esquerda.

Menos de um ano depois, o cenário mudou. Willian passou de coautor de uma ofensiva que também tinha Kilter entre os signatários a autor de uma ação eleitoral contra o candidato do Novo.

E a resposta de Kilter indica que a relação azedou de vez: além de responsabilizar nominalmente MBL e Missão pelo processo, o vereador colocou o novo adversário político no mesmo campo de seus embates judiciais com o PT.

 

Mais processos

A decisão sobre o painel ocorre após outro revés eleitoral de Kilter. Em processo distinto, provocado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, o candidato recebeu multa de R$ 5 mil por impulsionamento de conteúdos nas redes sociais contra Renato Freitas.

Kilter agora afirma que já responde a mais de dez processos nesta campanha. O número foi apresentado pelo próprio candidato no vídeo publicado nas redes sociais.

Somadas as duas decisões identificadas, as multas aplicadas chegam a R$ 10 mil. Ainda cabe recurso.

O novo episódio, porém, desloca a disputa para além dos tribunais. Se antes Kilter e Willian apareciam do mesmo lado contra Renato Freitas, agora a briga é interna. E, pela reação pública do candidato do Novo, a disputa entre os grupos da direita paranaense está longe de terminar.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp