Moradora de Foz descobre que próprio número de telefone foi usado em golpe
Técnica de spoofing permite falsificar identificador de chamadas e fazer número de familiar, banco ou órgão público aparecer na tela da vítima
Créditos: Divulgação
Uma moradora de Foz do Iguaçu descobriu que o próprio número de telefone estava sendo usado por criminosos em uma tentativa de golpe. A fraude utiliza uma técnica conhecida como spoofing, que permite falsificar a identificação da chamada e fazer com que um número conhecido apareça na tela do celular de quem recebe a ligação.
O caso foi descoberto depois que um parente de Cláudia Simone da Silva de Oliveira recebeu uma ligação em que apareciam na tela o nome e o número de telefone dela. Ao atender, ele ouviu uma música e, na sequência, uma mensagem informando que havia ganhado um prêmio.
Desconfiado, o homem fez um print da tela e procurou Cláudia para confirmar se ela havia realizado a ligação.
“Eu não liguei para ele. Ele me mandou o print, e realmente é o meu número que tá lá, o meu nome”, relatou.
Apesar da fraude, o celular de Cláudia não havia sido clonado. O aparelho continuava funcionando normalmente. O que foi falsificado foi apenas a identificação apresentada na tela do telefone do parente.
COMO FUNCIONA O GOLPE
Segundo o professor de Ciência da Computação Renato Bobsin Machado, os criminosos utilizam centrais telefônicas e softwares que permitem alterar o número que aparece para a vítima.
Dessa forma, o golpista pode fazer com que o telefone de um familiar, banco ou órgão público apareça na tela, aumentando a chance de a vítima acreditar que a chamada é verdadeira.
Para obter informações sobre as vítimas, os criminosos também podem recorrer a dados vazados e informações disponíveis em redes sociais. O cruzamento desses dados permite identificar parentes, amigos e colegas de trabalho.
Em situações mais raras, aplicativos maliciosos instalados no celular também podem acessar informações da agenda e compartilhar esses dados.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AUMENTA RISCO
O uso de inteligência artificial pode deixar esse tipo de fraude ainda mais convincente. A tecnologia pode ser utilizada para tentar imitar a voz de uma pessoa a partir de áudios disponíveis.
O golpe pode ser combinado com histórias de emergência, pedidos de dinheiro ou transferências via Pix, criando uma situação de pressão para impedir que a vítima tenha tempo de confirmar a informação.
COMO SE PROTEGER
A orientação é desconfiar mesmo quando o número exibido na tela parece ser de alguém conhecido.
Em caso de pedido de Pix ou dinheiro, a recomendação é desligar a ligação e procurar a pessoa por outro canal, como uma chamada ou mensagem para um número já conhecido.
Também é indicado combinar com familiares uma pergunta ou palavra-chave que possa confirmar a identidade em situações suspeitas.
Nunca devem ser informados por telefone códigos de SMS, senhas, CPF, dados bancários ou outras informações pessoais.
Em caso de tentativa de golpe, a orientação é registrar um boletim de ocorrência e guardar prints e demais informações da ligação para auxiliar na investigação.
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