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“Grande inimigo”: João Carlos Ribeiro declara guerra a Sandro Alex e mira Ratinho

Empresário diz que votar no candidato de Ratinho é votar contra Pontal, acusa ex-secretário de travar desenvolvimento e questiona projeto levado pelo governo à gigante MSC na Suíça

Por Gazeta do Paraná

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“Grande inimigo”: João Carlos Ribeiro declara guerra a Sandro Alex e mira Ratinho Créditos: Reprodução

João Carlos Ribeiro decidiu tirar as luvas. Em uma sequência de três vídeos, o empresário partiu para o confronto aberto com o governador Ratinho Junior e, principalmente, com Sandro Alex, escolhido pelo grupo governista para a disputa eleitoral. Ribeiro chama o ex-secretário de Infraestrutura de “grande inimigo” de Pontal do Paraná, pede votos contra ele e acusa o governo de ter desperdiçado anos sem executar obras que, segundo ele, poderiam transformar a economia do Litoral.

“Sandro Alex, este é o nosso grande inimigo. Este é que nós temos que alijar, tirar de fora”, dispara Ribeiro. Pouco depois, o empresário transforma a crítica em um recado direto aos eleitores: “O pontalense que votar em favor de Sandro Alex está votando contra a sua comunidade, contra a sua gente, com o emprego bom que você pode ter”.

A ofensiva não para por aí. Ribeiro responsabiliza Sandro Alex pela falta de uma obra rodoviária que considera fundamental para o desenvolvimento de Pontal. Segundo ele, o ex-secretário teve condições de executá-la durante os anos em que esteve no comando da infraestrutura estadual, mas não o fez.

“Ele tava com tudo pra construir. Mas não quis construir”, afirma. Ribeiro prevê que, caso o mesmo grupo permaneça no poder, Pontal poderá passar outros oito anos “perdendo emprego e não crescendo”. “Por favor, senhores, nos ajudem a tirar esse pessoal daqui”, pede.

 

“Não serve”

O empresário também atinge diretamente a construção da candidatura de Sandro Alex. Segundo Ribeiro, o ex-secretário “saiu do anonimato pra ser candidato pelas mãos do Ratinho”, numa escolha que teria passado por cima de outros integrantes do próprio grupo político.

É nesse momento que Ribeiro faz uma das declarações mais duras da sequência: afirma que Sandro Alex “não tem mérito algum” e “não serve pra nada”.

O ataque ocorre justamente quando o grupo de Ratinho Junior tenta consolidar seu projeto de sucessão. Ribeiro, porém, procura transformar Pontal do Paraná em uma espécie de vitrine negativa dessa trajetória, associando Sandro Alex à ausência de infraestrutura, empregos e desenvolvimento que, segundo ele, poderiam ter chegado ao município.


Interesse próprio

Ribeiro também enfrenta diretamente uma acusação delicada: a de que estaria travando essa batalha porque possui interesse empresarial nas obras que defende.

Ele não nega. “Não sou cara de pau de dizer que não vou ser beneficiário. Lógico que sou”, admite. Em seguida, sustenta que seu interesse particular caminharia junto com o interesse econômico de Pontal: “Mas eu quero o desenvolvimento da comunidade. Eu quero que isso realmente reflita na vida do povo”.

Segundo Ribeiro, o projeto poderia resultar em 1,7 mil empregos diretos dentro do porto e outros 3 mil nas indústrias que se instalariam para atender à operação portuária. As estimativas são apresentadas pelo próprio empresário, que não indica, nos vídeos, qual estudo sustenta os números.

 

Suíça na mira

Mas é quando Ribeiro passa a falar da atuação internacional do governo que a disputa ganha outro ingrediente. Ele afirma que Ratinho Junior, Sandro Alex e assessores viajaram no começo do ano à Suíça para conversar com a direção da MSC, uma das gigantes mundiais da movimentação de contêineres.

A partir daí, lança uma pergunta: o que o governo foi oferecer à companhia?

Ribeiro relaciona a conversa com a MSC ao projeto portuário e às áreas declaradas de utilidade pública pelo Estado. Segundo ele, foram incluídas uma área ligada à Odebrecht, outra que identifica como da “Tequinte” e uma terceira da “SIGA”, que afirma pertencer ao seu próprio grupo.

O empresário sustenta, porém, que a composição territorial escolhida pelo governo não faria sentido tecnicamente. Ele questiona especialmente por que outras áreas que considera fundamentais teriam ficado de fora.

Uma delas é a Cataline. E Ribeiro lança uma suspeita pesada, embora sem apresentar provas nos vídeos: “Eu acho que a Cataline é porque deve ser de algum amigo deles e eles deixaram de fora”.

A declaração é uma hipótese levantada pelo empresário e não aparece acompanhada, nas gravações, de documentos ou outros elementos capazes de demonstrar eventual favorecimento.

 

“Palhaçada”

Ribeiro não economiza palavras para classificar o projeto. Fala em “descalabro”, “brincadeira” e “palhaçada” e sustenta que o desenho apresentado pelo governo não teria condições técnicas de entregar o terminal anunciado.

“Não tem intenção nenhuma, não tem programação, não tem técnica, não tem nada”, afirma. Na conclusão, acusa diretamente a administração Ratinho Junior: “Eles estão brincando com o povo do Pontal do Paraná para não dizer do Paraná todo”.

Ribeiro ainda desafia Ratinho Junior, Sandro Alex e o prefeito de Pontal para um confronto público. Diz querer os três “de frente em frente” para discutir desenvolvimento, obras portuárias e estradas.

Os três vídeos deixam pouca margem para dúvida sobre o tamanho da ruptura. João Carlos Ribeiro não está mais apenas questionando uma obra ou cobrando investimentos. Ele transformou Sandro Alex em alvo político, colocou Ratinho Junior dentro da disputa e pretende fazer do desenvolvimento de Pontal do Paraná uma arma contra o projeto eleitoral do Palácio Iguaçu.

E o recado mais duro é dirigido diretamente ao eleitor: na versão de Ribeiro, Sandro Alex teve anos para entregar as obras que Pontal precisava, não entregou e agora quer o voto dos mesmos moradores que, segundo ele, ficaram esperando pelo desenvolvimento prometido.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp