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Quando o microfone vira porrete: o fantasma do Caso Master no coração do Centro Cívico em Curitiba

Recentemente, o apresentador Carlos Massa ameaçou “quebrar as pernas” do jornalista Marcos Formighieri após denúncias jornalísticas feitas pelo decano do jornalismo paranaense.

Por Oswaldo Eustáquio

Quando o microfone vira porrete: o fantasma do Caso Master no coração do Centro Cívico em Curitiba Créditos: Reprodução Facebook

Recentemente, o apresentador Carlos Massa ameaçou “quebrar as pernas” do jornalista Marcos Formighieri após denúncias jornalísticas feitas pelo decano do jornalismo paranaense. Segundo relatos, a declaração teria ocorrido durante um programa de rádio, utilizando uma concessão pública como palco para intimidar um profissional da imprensa.
Não foi uma conversa privada. Não foi um áudio vazado. Foi uma manifestação pública, transmitida para milhares de ouvintes.
Por muito menos, Daniel Vorcaro acabou preso. Um dos elementos que contribuíram para o endurecimento das investigações contra o banqueiro e seu suposto operador, conhecido como “Sicário”, foi justamente a suspeita de ameaças e intimidação contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo.


Mas o caso envolvendo o apresentador do SBT rapidamente desapareceu do debate público nacional.
A diferença de tratamento chama atenção.
Quando um banqueiro ameaça jornalistas, o sistema reage. Quando um dos homens mais influentes da comunicação paranaense fala em violência física contra um jornalista ao vivo, parte da elite política e midiática prefere fingir que não ouviu.
O problema é que o episódio não surge isolado. Ele explode justamente quando os casos envolvendo o Banco Master, o Tayayá e os bastidores da privatização da Copel começam a se aproximar perigosamente do entorno político e empresarial do clã Massa.


As denúncias e questionamentos se tornaram tão relevantes politicamente que Ratinho Junior acabou deixando o tabuleiro da disputa presidencial. Oficialmente, os motivos apresentados foram outros. Mas, entre a versão oficial, a versão oficiosa e a verdade, costuma existir uma distância considerável em determinados capítulos da política brasileira.
No Centro Cívico de Curitiba, a avaliação de bastidor é mais dura: o governador já se daria por satisfeito se conseguir concluir o mandato sem novos escândalos atravessando seu caminho.


As conexões entre empresários ligados ao Banco Master, investimentos associados ao Tayayá, grupos financeiros interessados em ativos estratégicos do Paraná e a compra de ações da Copel passaram a alimentar conversas cada vez mais intensas nos bastidores do poder estadual.
O que antes parecia mera especulação política passou a gerar desconforto real dentro do núcleo governista.
Talvez isso explique o nervosismo crescente diante de jornalistas independentes e investigadores que insistem em ligar os pontos entre dinheiro, mídia, concessões públicas e poder político.
Porque o problema deixou de ser apenas empresarial. Tornou-se simbólico.
Quando um apresentador influente utiliza um microfone de concessão pública para falar em “quebrar as pernas” de um jornalista com taco de beisebol, o episódio deixa de ser simples destempero verbal. Passa a representar um ambiente político onde a crítica parece ser tratada como ameaça pessoal.


E quanto mais as conexões do Caso Master avançam sobre o debate público paranaense, mais evidente fica o desconforto de setores que até pouco tempo atrás pareciam intocáveis.
No fundo, talvez o medo maior não seja das denúncias já publicadas.
Talvez seja das que ainda podem surgir.

E em Curitiba já há quem diga, em voz baixa, pelos corredores do Centro Cívico, que não é apenas a Grécia que possui sua Helena de Troia

Créditos: Oswaldo Eustáquio Acesse nosso canal no WhatsApp