PT aciona STF contra Flávio Bolsonaro por vídeo com IA de Jair Bolsonaro exibido em convenção do PL
Partido dos Trabalhadores afirma que vídeo produzido com inteligência artificial de Jair Bolsonaro, exibido durante a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, pode descumprir decisão do ministro Alexandre de Moraes
Créditos: Reprodução Redes Sociais
O Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou uma notícia de fato ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção nacional do PL, realizada no domingo (26), que oficializou a candidatura do parlamentar à Presidência da República.
Na manifestação encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, o partido sustenta que o material descumpre uma decisão judicial que proibiu Bolsonaro de divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral, inclusive por meio de terceiros.
O PT não pede, neste momento, a aplicação de novas sanções. A legenda solicita que Moraes tome conhecimento dos fatos e encaminhe o caso ao procurador-geral da República e procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, para análise.
PT diz ao STF que vídeo de IA descumpre decisão de Alexandre de Moraes
Na petição, o PT afirma que a utilização de inteligência artificial representa uma nova forma de desrespeito às restrições impostas ao ex-presidente.
Segundo o documento, a divulgação do vídeo demonstra uma repetição deliberada da conduta anteriormente vedada pelo Supremo.
A legenda argumenta que não se trata de uma manifestação espontânea, mas de um conteúdo político-eleitoral elaborado com inteligência artificial e divulgado por terceiros, o que, na avaliação do partido, evidencia planejamento para contornar a decisão judicial.
Vídeo de Jair Bolsonaro foi exibido durante convenção do PL
O vídeo apresentado no evento começa com uma mensagem em que Jair Bolsonaro afirma que a voz e a imagem exibidas não são originais, mas uma simulação produzida por inteligência artificial.
Na sequência, o ex-presidente critica a decisão de Alexandre de Moraes, classificando-a como "injusta e arbitrária". Ainda na gravação, afirma que nenhuma prisão o fará permanecer em silêncio e pede aos eleitores que apoiem Flávio Bolsonaro como seu sucessor na disputa pelo Palácio do Planalto.
PT cita decisão do STF sobre manifestações político-eleitorais
O partido fundamenta a representação em decisão de Alexandre de Moraes proferida em 17 de junho, que proibiu Jair Bolsonaro de realizar a divulgação de "manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado".
A restrição foi imposta após a divulgação da chamada "Carta aos Brasileiros", documento elaborado pelo ex-presidente e publicado nas redes sociais por Flávio Bolsonaro.
Para o PT, a expressão "independentemente do meio utilizado" também alcança conteúdos produzidos por inteligência artificial.
Na avaliação da legenda, utilizar voz e imagem sintetizadas para transmitir uma mensagem política não representa exceção à decisão do Supremo, mas se enquadra exatamente na vedação estabelecida pelo ministro.
Legenda aponta possível infração à legislação eleitoral
Além do suposto descumprimento da decisão judicial, o PT sustenta que o vídeo pode configurar violação da legislação eleitoral.
Na manifestação, o partido cita entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segundo o qual a adulteração de conteúdo digital com finalidade eleitoral pode caracterizar irregularidade, independentemente da comprovação de que o material tenha induzido eleitores ao erro.
Convenção do PL também gerou repercussão após falas de Javier Milei
A convenção nacional do PL também provocou reações do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal em razão da participação do presidente da Argentina, Javier Milei.
Durante o evento, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "presidiário" e o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca".
Após as declarações, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil para transmitir a posição oficial do governo brasileiro sobre o episódio.
Já o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que as declarações representam um exemplo de manifestações incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre os Estados.
