Copel Horta
Produtores de leite do Paraná ganham ferramenta para proteger renda com mercado futuro Créditos: Assessoria

Produtores de leite do Paraná ganham ferramenta para proteger renda com mercado futuro

Nova modalidade permite que produtores negociem antecipadamente o preço do leite, reduzindo os impactos das oscilações do mercado

Os produtores de leite do Paraná passaram a contar, desde maio deste ano, com uma nova ferramenta para reduzir os riscos das oscilações de preços no setor. O chamado mercado futuro do leite, que permite negociar contratos com valores definidos antecipadamente, foi um dos principais temas da reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, realizada nesta quinta-feira (16).

A modalidade funciona por meio de contratos firmados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, para entrega futura da produção com preço previamente estabelecido. Segundo a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), a ferramenta oferece mais previsibilidade, segurança e rentabilidade aos produtores.

"O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas, como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios", afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Ferramenta já é utilizada em outros mercados

Durante a reunião, a gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani, apresentou aos produtores o funcionamento do mercado futuro e esclareceu dúvidas sobre a contratação da ferramenta.

Segundo ela, cerca de 70% dos participantes do mercado mundial de leite já utilizam esse tipo de mecanismo para proteger a rentabilidade da atividade.

Marianne explicou que o primeiro passo para aderir ao sistema é abrir uma conta em uma corretora habilitada.

"O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não há custo para essa abertura", afirmou.

O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da FAEP, Eduardo Lucacin, destacou que o sucesso da ferramenta depende do conhecimento dos custos de produção.

"Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso. É preciso conhecer bem o nosso negócio e os nossos custos para saber o melhor momento de travar o preço", disse.

O desenvolvimento do mercado futuro do leite contou com a participação da FAEP, da StoneX Leite Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Energia elétrica preocupa produtores

Além do mercado futuro, os integrantes da comissão discutiram outros desafios enfrentados pela cadeia leiteira, como os custos de produção, a sanidade animal, oportunidades para ampliar a rentabilidade e, principalmente, os problemas no fornecimento de energia elétrica no meio rural.

Segundo os produtores, as constantes interrupções no serviço provocam perdas na produção e danos aos equipamentos utilizados nas propriedades.

"Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema FAEP tem atuado em Brasília e junto ao Ministério Público Estadual para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que pensar em outras alternativas para minimizar os danos", afirmou Lucacin.

Controle da brucelose também entrou em pauta

Outro tema debatido foi o combate à brucelose, considerada uma das principais doenças que afetam a pecuária leiteira.

Para o vice-presidente da comissão, Roger van der Vinne, médico-veterinário e produtor rural em Carambeí, o controle da enfermidade é fundamental para ampliar a competitividade do leite brasileiro no mercado internacional.

"O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial. Cada produtor precisa fazer sua parte, realizando testes, vacinação e buscando a certificação de propriedade livre da doença", afirmou.

A comissão também discutiu alternativas para aumentar a rentabilidade da atividade por meio da valorização de derivados do leite, como proteínas do soro (whey) e concentrados proteicos, produtos que vêm ganhando espaço no mercado e podem ampliar a geração de receita para o setor.

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