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Pressão política de Rangel gera desgaste e acende alerta no Palácio Iguaçu

Episódio evidencia tensão com a Alep e reforça limites do Executivo diante do poder de fiscalização dos deputados

Por Eliane Alexandrino

Pressão política de Rangel gera desgaste e acende alerta no Palácio Iguaçu Créditos: Agência Brasil

Créditos: Diário de Maringá 

A tentativa de pressão atribuída ao deputado estadual Marcelo Rangel sobre parlamentares da base governista provocou forte reação nos bastidores da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e acendeu um sinal de alerta no Palácio Iguaçu. O episódio, longe de fortalecer a articulação política, expôs fragilidades na relação entre Executivo e Legislativo e abriu espaço para um desgaste desnecessário.

Nos corredores da Alep, a avaliação predominante é de que a estratégia adotada rompe com o padrão de diálogo institucional e ignora um princípio básico da política: o equilíbrio entre os poderes. A repercussão das mensagens, interpretadas como tentativa de pressão, gerou desconforto e ampliou a desconfiança entre parlamentares.

O caso também evidencia um erro de cálculo político. Enquanto deputados possuem prerrogativas constitucionais para fiscalizar, investigar e até cassar o chefe do Executivo, governadores não têm qualquer poder para interferir nos mandatos parlamentares. Essa assimetria torna qualquer tentativa de intimidação não apenas ineficaz, mas potencialmente prejudicial.

A avaliação, nos bastidores, é de que a postura adotada por Rangel pode produzir efeito inverso ao desejado. Em vez de consolidar apoio, tende a estimular reações mais rígidas por parte dos deputados, especialmente no campo da fiscalização e do controle das ações do governo.

Esse movimento também expõe uma fragilidade na articulação política do Estado. Quando aliados recorrem a estratégias consideradas agressivas para garantir alinhamento, o resultado costuma ser a perda de confiança e o enfraquecimento da base. A consequência pode ser imediata: maior resistência a projetos do Executivo e aumento da vigilância sobre contratos, gastos e decisões administrativas.

Além disso, a Assembleia Legislativa detém instrumentos relevantes de controle, incluindo a possibilidade de travar pautas, instaurar investigações e, em situações extremas, conduzir processos que podem levar à cassação do governador. Esse cenário reforça a importância de uma relação institucional baseada no respeito e no diálogo.

Diante do episódio, cresce a percepção de que a condução política precisa ser revista para evitar o aprofundamento da crise. A governabilidade depende diretamente da capacidade de articulação e da manutenção de um ambiente de cooperação entre os poderes.

O caso serve como um lembrete claro dos limites da atuação política no regime democrático. A independência entre Executivo e Legislativo não é apenas formal, mas uma condição essencial para o funcionamento das instituições.

Ao tensionar essa relação, o episódio evidencia um erro estratégico: deputados podem cassar um governador, mas o contrário não é possível. E esse tipo de abordagem, baseada em pressão e tentativa de imposição, é apontado nos bastidores como uma prática constante no Palácio Iguaçu.

 

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