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Prejuízo da Sanepar acende alerta e pode alimentar debate sobre privatização no Paraná

Resultado negativo de R$ 505,2 milhões no trimestre contrasta com avanço da receita e coloca desempenho financeiro da companhia sob atenção

Por Gazeta do Paraná

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Prejuízo da Sanepar acende alerta e pode alimentar debate sobre privatização no Paraná Créditos: AEN

A Sanepar registrou prejuízo líquido de R$ 505,2 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 263,8 milhões apurado no mesmo período do ano passado. O resultado coloca os números financeiros da companhia novamente no centro das atenções e pode ampliar, no Paraná, o debate sobre o futuro da empresa e a possibilidade de uma eventual privatização.

O prejuízo ocorreu mesmo com crescimento da receita líquida, que avançou 11,5% na comparação anual e chegou a R$ 1,90 bilhão. O aumento do faturamento, porém, não se refletiu na mesma proporção nos indicadores operacionais. O EBITDA ficou praticamente estável, em R$ 540,3 milhões, alta de 0,8%, enquanto o resultado operacional caiu 4,3%, para R$ 365,4 milhões.

Outro ponto de atenção está nos indicadores de retorno. O ROE anualizado caiu de 20% no segundo trimestre de 2025 para 3,7% no mesmo período de 2026. Já o ROIC recuou de 14,1% para 4,8%.

Os números, portanto, mostram uma piora relevante do resultado contábil e da capacidade de retorno sobre o capital, embora o balanço também apresente fatores positivos. A dívida líquida da companhia caiu 51,2% em um ano, passando de R$ 5,30 bilhões para R$ 2,59 bilhões.

Além disso, o prejuízo do trimestre foi fortemente influenciado por um evento regulatório extraordinário. A Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) decidiu elevar de 75% para 100% o compartilhamento com os consumidores dos recursos relacionados ao precatório de IRPJ.

Com a decisão, a Sanepar reconheceu R$ 952,7 milhões adicionais de passivo regulatório no segundo trimestre. Desse total, R$ 259,6 milhões tiveram impacto no resultado operacional e R$ 693,1 milhões no resultado financeiro.

Por esse motivo, a leitura do balanço exige uma separação entre o resultado reportado e o desempenho recorrente da operação. Segundo análise da Genial Investimentos, quando excluídos os efeitos considerados não recorrentes, o cenário é significativamente diferente. O EBITDA ajustado chegou a R$ 799,9 milhões, crescimento de 15,1% na comparação anual, enquanto o lucro líquido ajustado alcançou R$ 447,5 milhões, alta de 35%.

A diferença entre os números reportados e ajustados faz com que o prejuízo de R$ 505,2 milhões não possa ser interpretado isoladamente como uma deterioração completa da operação da empresa. Ao mesmo tempo, o resultado oficial reforça a necessidade de acompanhar a evolução das despesas, das margens e da capacidade da companhia de transformar o crescimento da receita em geração de resultados.

É nesse cenário que o desempenho financeiro pode ganhar dimensão política no Paraná. Resultados negativos, redução dos indicadores de retorno e necessidade de investimentos elevados podem alimentar discussões sobre mudanças na estrutura e no modelo de gestão da companhia, incluindo a possibilidade de uma futura privatização.

A Sanepar é responsável por serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em centenas de municípios paranaenses. Por isso, qualquer discussão sobre alteração no controle da empresa teria efeitos que vão além do mercado financeiro e envolveriam temas como tarifas, investimentos, metas de universalização e atendimento aos municípios.

Uma eventual privatização também precisaria considerar as condições estabelecidas para o novo controlador, os compromissos de investimento e os mecanismos de regulação dos serviços. No setor de saneamento, a atuação privada não elimina a necessidade de fiscalização pública, especialmente porque água e esgoto são serviços essenciais.

O resultado do segundo trimestre, portanto, não significa que exista uma privatização definida ou em andamento. O que o balanço faz é reforçar um debate que pode ganhar espaço caso os indicadores financeiros negativos persistam.

Ao mesmo tempo, os números positivos da operação e a forte redução da dívida mostram que o cenário da Sanepar é mais complexo do que o prejuízo líquido sugere. O desempenho ajustado, o crescimento da receita e a redução do endividamento são fatores que também precisam entrar na avaliação sobre o futuro da companhia.

A partir dos próximos resultados, a evolução do lucro, das margens, do retorno sobre o capital e dos investimentos será importante para determinar se o prejuízo do segundo trimestre foi predominantemente resultado de efeitos extraordinários ou se representa uma tendência de piora financeira.

Para o Paraná, a discussão ganha relevância justamente porque a Sanepar presta um serviço essencial. Caso a possibilidade de privatização volte a ser colocada na mesa, o desempenho financeiro será um dos elementos considerados, mas não o único. Questões regulatórias, investimentos, tarifas e qualidade dos serviços também estarão no centro da discussão.

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