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Possível greve de caminhoneiros ganha força após reunião entre lideranças da categoria

Categoria reclama do aumento do diesel e da variação de preços nos postos, enquanto lideranças discutem a possibilidade de uma paralisação nacional nos próximos dias

Por Da Redação

Possível greve de caminhoneiros ganha força após reunião entre lideranças da categoria Créditos: Getty Images | BNDES

Uma possível nova paralisação nacional de caminhoneiros começou a ganhar força após uma reunião realizada nesta segunda-feira (16) no Porto de Santos, em São Paulo. O encontro reuniu lideranças da categoria e representantes de diferentes regiões do país para discutir os impactos do aumento do diesel e a possibilidade de mobilização nacional.

Segundo Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a maioria das lideranças presentes se manifestou favorável à paralisação. Apesar disso, ainda não há uma data definida para o início do movimento.

De acordo com ele, a convocação precisa seguir trâmites legais e ser discutida com outras entidades representativas da categoria. “A maioria das lideranças decidiu que vai fazer uma paralisação, mas precisamos conversar com outras organizações e alinhar uma data dentro da legislação”, afirmou em entrevista ao portal Agência Transporte Moderno.

O principal motivo da mobilização é o aumento expressivo no preço do diesel registrado nas últimas semanas. Dados do painel online da ValeCard indicam que o diesel S-10 teve alta de 18,86% desde o dia 28 de fevereiro. No mesmo período, o diesel comum registrou aumento superior a 22%.

Caminhoneiros afirmam que, além do aumento, há grande variação de preços entre postos, o que gera insatisfação na categoria. Segundo Landim, em alguns trajetos é possível encontrar valores diferentes em distâncias muito curtas.

A mobilização ainda não conta com adesão total em todo o país. Algumas lideranças e entidades seguem consultando suas bases para decidir se irão participar do movimento. Entre os grupos que acompanham as discussões estão sindicatos de caminhoneiros e representantes do setor rural.

Para Everaldo Bastos, presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo (Fetrabens), o setor acompanha com preocupação o cenário atual de aumento do combustível e possível desabastecimento.

Segundo ele, algumas paralisações pontuais já estão sendo organizadas por sindicatos regionais e por grupos independentes de caminhoneiros em diferentes pontos do país.

Além do transporte rodoviário, o aumento do diesel também tem preocupado o setor do agronegócio. De acordo com o analista Alê Delara, da Pine Agronegócio, o custo elevado do combustível e dificuldades de distribuição podem afetar diretamente a logística do campo.

Em algumas regiões, há relatos de postos que passaram a limitar o volume de abastecimento entre 200 e 300 litros por caminhão, o que pode comprometer operações de transporte em longas distâncias.

O cenário preocupa especialmente produtores rurais que estão em período de plantio do milho safrinha e conclusão da colheita da soja, atividades que dependem intensamente do transporte rodoviário.

Diante desse contexto, novas reuniões entre lideranças da categoria devem ocorrer nos próximos dias. Caso haja consenso entre as entidades representativas, a paralisação poderá ser oficialmente convocada, ampliando a pressão sobre o setor de combustíveis e sobre o governo federal.

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