Polícia Civil registra mais de 782 mil atendimentos a mulheres em 2025
Unidades especializadas atenderam 329.451 vítimas em todo o país; ameaça, lesão corporal e injúria foram as ocorrências mais registradas
Créditos: José Cruz/Agência Brasil
As unidades especializadas da Polícia Civil no atendimento às mulheres realizaram 782.474 atendimentos em todo o Brasil durante 2025. O número inclui casos de ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio, entre outras ocorrências.
Ao todo, 329.451 mulheres foram atendidas pelas unidades. O número mostra que uma mesma vítima pode procurar o serviço mais de uma vez ao longo do período.
Os dados fazem parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado na sexta-feira (7) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O levantamento foi publicado no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha e reuniu informações de 530 das 585 unidades especializadas existentes no país. A pesquisa considera delegacias especializadas e outros tipos de unidades que prestam atendimento às mulheres.
Sudeste concentra maior número de vítimas
A Região Sudeste concentrou a maior parte das vítimas atendidas em 2025. Foram 125.769 mulheres, o equivalente a 47,8% do total registrado no país.
Na sequência aparecem o Nordeste, com 53.067 vítimas, ou 20,2%; o Centro-Oeste, com 43.662, equivalente a 16,6%; o Sul, com 21.087, ou 8%; e o Norte, com 19.712 vítimas, correspondente a 7,5%.
Entre os estados, São Paulo registrou o maior número de mulheres atendidas, com 84.103 vítimas.
Ameaça lidera registros
A ameaça foi o tipo de ocorrência mais registrado pelas unidades especializadas em 2025. Foram 148.544 casos.
Na sequência aparecem lesão corporal, com 99.473 registros, e injúria, com 88.739.
Entre os tipos de ocorrência analisados, perseguição e violência psicológica tiveram os maiores aumentos em relação ao levantamento anterior, que utilizou dados de 2023 como ano-base.
Os registros de perseguição chegaram a 52.855, alta de 44,3%. Já os casos de violência psicológica somaram 23.911, crescimento de 49,7%.
Mais de 302 mil medidas protetivas foram solicitadas
Os atendimentos realizados pelas unidades especializadas também resultaram em 302.626 pedidos de medidas protetivas de urgência.
Desse total, 118.672 medidas foram concedidas. A maioria, 74,2%, foi deferida.
O levantamento aponta ainda que 38.214 medidas protetivas concedidas foram descumpridas pelos agressores.
Unidades especializadas
A primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam) do Brasil foi criada em 1985, na região central de São Paulo. No mesmo ano, outras 19 unidades foram inauguradas.
Desde então, a estrutura foi ampliada e chegou às atuais 585 unidades em todo o país.
Atualmente, cerca de 6.200 profissionais trabalham nesses locais. A equipe reúne delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais, que seguem protocolos específicos para o acolhimento e a escuta das vítimas.
Unidades ainda enfrentam dificuldades
Apesar da expansão da estrutura, o diagnóstico aponta dificuldades no atendimento.
Cerca de 80% das unidades especializadas ainda não funcionam 24 horas por dia. A falta de estrutura também aparece entre os principais problemas apontados pelos responsáveis.
A insuficiência de recursos para investigação foi citada por 57% das unidades. A falta de viaturas apareceu em 46% dos casos, enquanto 40% relataram falta de materiais de menor potencial ofensivo.
