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Produserv: sindicato orienta paralisação por atraso no vale-alimentação e vale-refeição no Paraná

O Sineepres orientou os trabalhadores da Produserv a paralisarem as atividades após o não pagamento do vale-alimentação e do vale-refeição. Funcionários também relatam atrasos no FGTS, férias, holerites e salários

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Produserv: sindicato orienta paralisação por atraso no vale-alimentação e vale-refeição no Paraná Créditos: Reprodução / Produserv

A crise envolvendo a Produserv, empresa responsável por contratos de terceirização junto ao Governo do Paraná, ganhou um novo capítulo. O Sindicato dos Empregados em Empresas Prestadoras de Serviços a Terceiros (Sineepres) orientou a paralisação dos trabalhadores a partir desta terça-feira (28) em razão do não pagamento do vale-refeição e vale-alimentação.

Em comunicado encaminhado aos empregados, o sindicato informou que a paralisação permanecerá até que a empresa regularize o benefício.

Segundo a entidade, as ausências decorrentes da falta de pagamento não poderão ser descontadas dos trabalhadores, já que a situação decorre do descumprimento, por parte da empresa, das obrigações previstas em acordo e convenção coletiva de trabalho.

O sindicato também orientou que os funcionários mantenham comportamento respeitoso durante o movimento e guardem provas da situação, como prints do saldo zerado do benefício, mensagens e outros documentos que possam ser utilizados em eventual ação judicial.

Ao final da nota, o Sineepres informa que já está adotando medidas judiciais e administrativas junto ao Governo do Estado para garantir o cumprimento da convenção coletiva e proteger os trabalhadores afetados.

Trabalhadores da Produserv organizam mobilização contra atrasos

Enquanto o sindicato orienta a paralisação, trabalhadores também começaram a se organizar para cobrar diretamente a empresa.

Segundo relatos encaminhados à Gazeta do Paraná, um grupo criado recentemente para reunir funcionários já conta com aproximadamente 200 participantes. De acordo com uma das fontes ouvidas pela reportagem, o objetivo é organizar atos e buscar apoio jurídico diante da falta de respostas da empresa.

"Chegamos a 200 pessoas no grupo. Estamos organizando uma manifestação para esta tarde", afirmou a fonte.

O grupo reúne empregados de diferentes unidades que enfrentam problemas semelhantes.

Funcionários relatam novos atrasos da Produserv

A funcionária afirma que os atrasos continuam mesmo após reuniões realizadas entre empresa, sindicatos e órgãos públicos.

Segundo ela, representantes da empresa chegaram a informar que os trabalhadores receberiam uma multa referente ao atraso no pagamento do vale-alimentação de junho. No entanto, até o momento, isso não teria ocorrido.

"Agora o vale-alimentação de julho também não caiu novamente", relatou.

Ela também afirma que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) permanece com pendências.

"Regularizaram apenas até abril. O restante continua atrasado."

Empregados denunciam pendências em férias, FGTS e salários

Outra reclamação envolve o pagamento das férias.

Segundo a funcionária, diversos empregados continuam iniciando ou encerrando o período de descanso sem receber os valores previstos pela legislação.

"Muita gente está entrando de férias e voltando de férias sem receber."

Ela também relatou que representantes da empresa realizaram reuniões nas secretarias estaduais informando que, no fim do ano, todos os colaboradores teriam férias coletivas de 15 dias durante o recesso administrativo.

Apesar disso, afirma que os trabalhadores permanecem inseguros.

"O pessoal fica muito inseguro porque eles não passaram segurança nenhuma sobre receber. A gente já não está recebendo salário em dia."

Trabalhadores relatam dificuldades para receber holerites

Outro problema relatado envolve a entrega dos holerites.

Segundo a funcionária, trabalhadores receberam o pagamento referente ao mês de junho com descontos que não conseguiram conferir porque, conforme afirma, a empresa não encaminhou os comprovantes.

"O holerite a gente tem que ficar se humilhando para receber. O de junho eles se recusaram a enviar."

Ela afirma que encaminhou diversos e-mails solicitando o documento, mas não recebeu retorno.

Funcionários temem dificuldades no pagamento do 13º salário

Os trabalhadores também demonstram preocupação com os próximos meses.

Segundo a fonte, diante dos atrasos sucessivos, cresce o receio de que a empresa também enfrente dificuldades para quitar obrigações como o 13º salário e as férias de fim de ano.

"Um dos gestores falou para a gente: 'Vamos ter fé que vai dar certo'. Mas a gente precisa pagar as contas. Tem pessoas que moram de aluguel. Não basta só ter fé", disse.

MPT acompanha crise da Produserv e Governo do Paraná mantém apuração

A nova mobilização ocorre poucos dias após o Ministério Público do Trabalho (MPT) informar à Gazeta do Paraná que acompanha o caso por meio de inquérito civil, procedimentos administrativos e fiscalização do cumprimento de dois Termos de Ajuste de Conduta (TACs).

O órgão confirmou que as pendências trabalhistas ainda não foram regularizadas e informou ter recebido 13 novas denúncias em apenas duas semanas após o início de julho. O MPT também afirmou que avalia a possibilidade de judicializar o caso.

Em nota anterior encaminhada à reportagem, a Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP) informou que o Governo do Paraná não possui pagamentos em atraso com a Produserv e afirmou que os repasses dependem da apresentação da documentação obrigatória prevista em contrato. A pasta também informou que instaurou um Processo Autônomo de Apuração de Responsabilidade (PAAR) para apurar a conduta da empresa.

A Gazeta do Paraná procurou novamente a Produserv para comentar as novas denúncias, o comunicado de paralisação divulgado pelo Sineepres e os relatos dos trabalhadores. Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

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