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PF faz busca na casa de Ciro Nogueira e apreende celular e dólares em operação sobre o Banco Master Créditos: Pedro França/Agência Senado

PF faz busca na casa de Ciro Nogueira e apreende celular e dólares em operação sobre o Banco Master

Quinta fase da Operação Compliance Zero mira suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro; PF investiga se emenda parlamentar foi redigida por banqueiro para beneficiar instituição financeira

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (7) a quinta fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master. Pela primeira vez desde o início da apuração, um parlamentar foi alvo direto das medidas judiciais: o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro.

Agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do senador, localizada em um bairro nobre de Brasília. Ciro Nogueira acompanhou a operação no imóvel. Durante as diligências, os investigadores apreenderam o celular do parlamentar e cerca de US$ 27 mil em dinheiro vivo.

A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também comunicou previamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre o cumprimento das medidas.

Segundo a decisão judicial, os investigadores identificaram indícios de que o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria concedido vantagens econômicas ao senador em troca de atuação política favorável a interesses do grupo financeiro.

Na decisão, André Mendonça afirma que os autos reúnem “diversos elementos de prova”, incluindo registros bancários, mensagens eletrônicas, comprovantes de viagens e trocas de comunicação entre investigados, que apontariam, em tese, para práticas de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva.

Além de Brasília, a operação cumpriu outros nove mandados nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Piauí.

Em Teresina, policiais federais estiveram em uma concessionária de motocicletas ligada à família de Ciro Nogueira. No mesmo endereço funciona outra empresa citada na investigação. O empresário Raimundo Nogueira, irmão do senador, também foi alvo da operação e deverá usar tornozeleira eletrônica por determinação judicial.

De acordo com a Polícia Federal, Raimundo teria atuado na sustentação operacional e formal do suposto esquema investigado.

Outro alvo foi Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, assessor ligado ao gabinete de Ciro Nogueira. Segundo os investigadores, ele teria auxiliado na operacionalização de pagamentos para dificultar o rastreamento de recursos considerados ilícitos.

A única prisão realizada nesta fase da operação foi a de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Ele foi localizado em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A prisão temporária tem prazo inicial de cinco dias.

Felipe já era investigado desde fases anteriores da Compliance Zero e, segundo a PF, atuaria como operador financeiro do grupo econômico ligado ao Banco Master.

Durante as buscas, os agentes também apreenderam dez veículos de luxo, joias, relógios e outros bens de alto valor pertencentes aos investigados. A Justiça ainda determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 18 milhões em ativos financeiros.

Um dos principais pontos da investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC 65/2023, proposta que tratava de mudanças relacionadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a Polícia Federal, a emenda apresentada pelo senador previa ampliar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A investigação aponta que o texto protocolado no Senado teria reproduzido integralmente uma versão elaborada previamente pelo Banco Master.

A decisão judicial cita mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro nas quais o banqueiro teria afirmado que a emenda “saiu exatamente como mandei”.

Ainda segundo os investigadores, integrantes do banco avaliavam internamente que a alteração poderia multiplicar os negócios da instituição e gerar forte impacto no sistema financeiro nacional.

Em nota oficial, o Progressistas afirmou esperar que os fatos sejam esclarecidos com respeito ao devido processo legal, ao direito de defesa e às garantias constitucionais.

A legenda também declarou confiança nas instituições e na Justiça brasileira.

Já a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar “qualquer ilação de ilicitude” envolvendo o senador. Os advogados sustentam que o parlamentar não participou de atividades ilegais nem teve envolvimento com os fatos investigados pela Polícia Federal.

A defesa também criticou as medidas cautelares autorizadas no caso e afirmou que as decisões judiciais teriam sido fundamentadas principalmente em troca de mensagens envolvendo terceiros.

Segundo os advogados, o senador permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos durante o andamento das investigações.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e uso político de interesses privados ligados ao Banco Master. O caso tramita sob supervisão do STF devido ao envolvimento de autoridades com foro privilegiado.

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