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Copel tem maior reajuste em cinco anos e mercado comemora aumento que pesa no bolso dos paranaenses
Enquanto consumidores passam a pagar 20,51% a mais na conta de luz, analistas financeiros avaliam revisão tarifária como positiva para a geração de valor da companhia e para os acionistas
A conta de energia elétrica ficou mais cara para os paranaenses a partir desta quarta-feira (24). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou uma revisão tarifária que elevou em média 20,51% as tarifas da Copel Distribuição, índice que atinge diretamente mais de 5,3 milhões de unidades consumidoras em todo o Estado.
O aumento, um dos maiores registrados nos últimos anos, foi recebido com preocupação por consumidores, empresas e setores produtivos. No mercado financeiro, porém, a reação foi oposta.
Poucas horas após a aprovação da revisão tarifária, o Banco Safra divulgou relatório classificando o resultado como positivo para a companhia. Na avaliação dos analistas, a decisão da Aneel fortalece a capacidade da Copel de gerar valor nos próximos anos e reforça as perspectivas de crescimento da empresa no segundo semestre de 2026.
A diferença de percepção evidencia um contraste que acompanha o setor elétrico brasileiro: enquanto o consumidor se prepara para absorver uma conta mais pesada no orçamento, investidores enxergam na mesma decisão uma oportunidade de aumento de rentabilidade.
Para os clientes residenciais, enquadrados na classe B1, o reajuste ficou em 20%. Já para os consumidores atendidos em baixa tensão, grupo que inclui pequenos comércios, produtores rurais e iluminação pública, a alta média será de 19,85%.
No caso dos consumidores de alta tensão, categoria que engloba indústrias, hospitais, grandes empresas e shopping centers, o aumento médio aprovado chegou a 21,87%.
Na prática, o reajuste tende a produzir efeitos que vão além da conta de luz. O aumento dos custos de energia costuma impactar toda a cadeia produtiva, influenciando despesas de empresas, serviços e até preços de produtos repassados ao consumidor final.
Mercado vê criação de valor
Enquanto consumidores calculam os impactos do reajuste, o mercado financeiro destacou os ganhos regulatórios obtidos pela distribuidora.
Em relatório divulgado após a decisão da Aneel, o Banco Safra afirmou que a revisão tarifária apresentou poucas mudanças em relação à proposta preliminar divulgada em abril e manteve uma visão positiva sobre a empresa.
Segundo os analistas, o processo cria valor adicional para a Copel e amplia as perspectivas de crescimento da companhia.
Diante do resultado, o banco manteve a recomendação de desempenho acima da média do mercado para as ações da empresa.
Um dos principais pontos destacados pelo relatório foi a definição da Base de Remuneração Regulatória Líquida (RAB) em R$ 19,9 bilhões. O valor ficou acima dos R$ 19,7 bilhões previstos inicialmente pela Aneel e cerca de 11% superior às projeções feitas pelo próprio Safra.
Na avaliação do banco, esse resultado representa um reconhecimento maior dos investimentos realizados pela concessionária e fortalece a estrutura regulatória utilizada para remunerar seus ativos.
Outro indicador que chamou atenção dos analistas foi o Ebitda regulatório, fixado em R$ 3,9 bilhões. O montante superou em aproximadamente R$ 600 milhões as estimativas do banco, que projetava R$ 3,3 bilhões.
Os números também ficaram acima das expectativas em relação às despesas operacionais regulatórias, estabelecidas em R$ 2,2 bilhões, e às receitas acessórias, fixadas em R$ 475 milhões.
Para o mercado, esses indicadores podem resultar em revisões positivas das projeções financeiras da companhia ao longo dos próximos anos.
Conta mais alta e lucros maiores
A revisão tarifária periódica ocorre a cada cinco anos e possui alcance muito maior do que os reajustes anuais normalmente autorizados pela Aneel.
Durante o processo, a agência revisa investimentos, custos operacionais, expansão da rede, qualidade do serviço e a remuneração considerada adequada para a distribuidora.
Segundo a Aneel, os principais fatores que pressionaram a revisão deste ano foram os custos de compra de energia, despesas com transmissão, encargos setoriais e componentes financeiros herdados do ciclo tarifário anterior.
No entanto, o resultado final acabou produzindo um cenário considerado favorável pelos investidores.
A chamada Parcela B, componente da tarifa que remunera os custos gerenciáveis e os investimentos da concessionária, foi fixada em R$ 5,7 bilhões. O valor ficou acima das projeções do mercado e praticamente alinhado à proposta preliminar da agência reguladora.
Outro destaque foi a definição do Fator X em 0,95%, percentual superior às estimativas do banco e da própria proposta inicial da Aneel. Embora esse indicador exija maiores ganhos de eficiência da distribuidora ao longo do ciclo tarifário, o Safra considera que o conjunto das definições foi amplamente positivo para a empresa.
Maior aumento desde a última revisão
A última revisão tarifária periódica da Copel havia sido aprovada em 2021, quando o aumento médio autorizado foi de 9,89%.
Mais recentemente, em junho de 2025, a companhia recebeu apenas o reajuste tarifário anual, limitado a 2,02%.
Com a aprovação dos 20,51% deste ano, o percentual mais do que dobra o índice da revisão anterior e representa uma das maiores correções tarifárias registradas para os consumidores paranaenses na última década.
A decisão também reacende o debate sobre os efeitos da privatização da Copel, concluída em 2023. À época, defensores do processo argumentavam que a mudança ampliaria a capacidade de investimento e aumentaria a eficiência operacional da companhia.
Agora, diante de um reajuste que pesa sobre milhões de consumidores e é celebrado por analistas do mercado financeiro, volta à discussão uma pergunta recorrente entre entidades de defesa do consumidor: qual será o retorno percebido pelos usuários do sistema elétrico diante de uma tarifa significativamente mais alta nos próximos cinco anos?
Por enquanto, a resposta mais imediata é conhecida pelos paranaenses. A partir deste mês, ela chegará diretamente na fatura de energia.
