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Servidores pressionam governo por melhorias no SAS e expõem falhas que ainda persistem

Mesmo após avanços anunciados pela gestão estadual, sindicatos apontam demora em atendimentos, problemas estruturais e dificuldades enfrentadas por servidores

Por Gazeta do Paraná

Servidores pressionam governo por melhorias no SAS e expõem falhas que ainda persistem Créditos: Camila Moraes/APP-Sindicato

A assistência à saúde dos servidores públicos estaduais voltou a colocar o governo do Paraná sob pressão. Em reunião realizada no último dia 17 de junho entre representantes do Fórum das Entidades Sindicais (FES), da APP-Sindicato e da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (SEAP), uma série de reclamações sobre o funcionamento do Sistema de Assistência à Saúde (SAS) foi novamente apresentada, evidenciando que, apesar de alguns avanços recentes, problemas considerados crônicos ainda persistem em diversas regiões do estado.

O encontro reuniu integrantes do Grupo de Trabalho de Saúde do FES, representantes da Diretoria de Saúde do Servidor (DSS) e da Divisão de Perícia Médica (DPM). Embora parte das demandas já tivesse recebido encaminhamentos ou soluções antes mesmo da reunião, os sindicatos aproveitaram o espaço para cobrar respostas mais efetivas e maior agilidade na resolução de situações que continuam afetando milhares de servidores.

Um dos principais temas discutidos foi a ampliação da cobertura do SAS. Após anos de reivindicações das entidades sindicais, o governo estadual publicou, em março deste ano, o Decreto nº 13.043/2026, que acrescentou 11 macroprocedimentos ao rol de atendimentos cobertos pelo sistema. Na prática, a medida representa mais de 130 novos procedimentos disponíveis aos beneficiários, incluindo diversas modalidades de exames de imagem, como ressonâncias magnéticas.

A ampliação passou a valer oficialmente em junho, após a publicação da regulamentação necessária. O avanço foi reconhecido pelos representantes sindicais, mas não foi suficiente para reduzir as críticas em relação ao funcionamento cotidiano do sistema.

Durante a reunião, dirigentes apresentaram relatos de dificuldades enfrentadas por usuários do SAS em diferentes regiões do Paraná. As reclamações mais frequentes envolvem demora para consultas, falta de profissionais, deficiência na comunicação com os pacientes e problemas estruturais em unidades credenciadas.

Em Londrina, por exemplo, a situação foi considerada suficientemente grave para resultar na substituição da direção responsável pela administração regional do sistema. Segundo informações apresentadas pela equipe do Departamento de Assistência à Saúde, o Hospital Evangélico recebeu um prazo de 45 dias para adequações exigidas pelo governo.

Já em Curitiba, o Hospital Cruz Vermelha foi alvo de uma série de questionamentos. Representantes do FES relataram demora no agendamento de consultas eletivas, especialmente com especialistas, além de denúncias relacionadas às condições de internação, problemas de higiene, falta de informações aos usuários e deficiências na estrutura física e no quadro de funcionários.

Problemas semelhantes também foram relatados nas regionais de Guarapuava e Cornélio Procópio. A escassez de pessoal e a lentidão nos atendimentos motivaram novos pedidos de providências por parte das entidades sindicais.

Outro ponto que gerou cobranças foi a situação dos servidores que dependem da perícia médica estadual. Segundo os representantes do FES, trabalhadores do interior continuam enfrentando dificuldades para acessar o serviço, muitas vezes sendo obrigados a percorrer longas distâncias até Curitiba para realizar avaliações relacionadas a licenças médicas e processos de readaptação funcional.

As entidades também reivindicaram a regulamentação da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para doenças ocupacionais. Atualmente, o reconhecimento formal ocorre principalmente em casos de acidentes típicos, o que, na avaliação dos sindicatos, deixa desamparados servidores que desenvolvem enfermidades diretamente relacionadas às atividades profissionais.

Além das questões assistenciais, a reunião debateu a implementação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) no serviço público estadual. A medida prevê ações voltadas à prevenção de riscos ocupacionais e à melhoria das condições de trabalho. O governo informou que estudos estão em andamento, mas admitiu que a implantação exige mudanças estruturais e adequações administrativas.

Também foi apresentada uma proposta para criação de um programa complementar ao SAS voltado à promoção da saúde mental dos servidores e à prevenção do adoecimento psicológico, uma demanda que vem ganhando espaço diante do aumento dos afastamentos relacionados a transtornos mentais.

Para a secretária de Saúde e Previdência da APP-Sindicato, Tereza Lemos, a reunião serviu para apresentar tanto os avanços obtidos quanto os desafios ainda existentes. Segundo ela, o acompanhamento permanente das entidades continua sendo fundamental para garantir que as reivindicações dos servidores não fiquem apenas no papel.

O encontro deixou claro que, embora o governo tenha promovido mudanças e anunciado novos investimentos na assistência à saúde do funcionalismo, a pressão das entidades sindicais deve continuar. A permanência de problemas em diversas regionais e as dificuldades relatadas pelos usuários demonstram que a ampliação da cobertura do SAS, por si só, não encerra os desafios enfrentados pelos servidores estaduais.

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