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PF deve indiciar Nelson Tanure em relatório final da Operação Compliance Zero

Documento deve concluir primeira fase da investigação que deu origem ao caso Banco Master

Por Gazeta do Paraná

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PF deve indiciar Nelson Tanure em relatório final da Operação Compliance Zero Créditos: Folhapress

A Polícia Federal deve apresentar, ainda na primeira quinzena de agosto, o relatório final da primeira fase da Operação Compliance Zero, investigação que deu origem ao caso envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Entre os principais pontos esperados no documento está o possível indiciamento do empresário Nelson Tanure, apontado pelos investigadores como um dos personagens centrais da estrutura societária ligada ao banco. As informações são do Metrópoles.

Segundo informações apuradas pela coluna, o relatório deve marcar a conclusão das investigações realizadas nesta etapa do chamado “inquérito-mãe” do caso Banco Master. Além de Tanure, a Polícia Federal pretende indiciar Daniel Vorcaro, controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

O inquérito tem como foco principal as relações entre o Banco Master e o BRB e foi instaurado a partir de uma denúncia apresentada pelo investidor Vladimir Timerman. Ele foi o primeiro a apontar supostas operações fraudulentas envolvendo a instituição financeira e, a partir dessas informações, a Polícia Federal passou a aprofundar a apuração sobre as operações realizadas pelo banco e seus dirigentes.

Tanure é apontado como sócio oculto

A possível inclusão de Nelson Tanure entre os indiciados é um dos pontos de maior atenção do relatório. Segundo as investigações, o empresário teria atuado como uma espécie de sócio oculto do Banco Master, exercendo influência sobre a instituição por meio de fundos de investimento e diferentes estruturas societárias.

Tanure não aparece formalmente como controlador do banco, mas os investigadores apuram se ele teria participação efetiva nas decisões e negócios da instituição por meio dessas estruturas. A suspeita levou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão contra o empresário durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.

O eventual indiciamento não significa, por si só, uma condenação ou mesmo o oferecimento imediato de uma denúncia pelo Ministério Público. O relatório policial reúne as conclusões da investigação e aponta, segundo o entendimento da PF, a existência de elementos que podem justificar a responsabilização dos envolvidos. Caberá posteriormente ao Ministério Público Federal analisar as provas e decidir quais medidas serão adotadas.

Vorcaro está preso desde março

Daniel Vorcaro, principal nome do Banco Master, está preso preventivamente desde 4 de março de 2026. A prisão foi solicitada pela Polícia Federal sob a alegação de que o empresário poderia ameaçar testemunhas e foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Até o momento, Vorcaro permanece preso sem que tenha sido apresentada denúncia criminal contra ele. O empresário também teria tentado firmar acordo de delação premiada em duas oportunidades, mas as negociações não avançaram e foram rejeitadas.

O possível indiciamento pela PF representa, portanto, uma nova etapa no processo de investigação sobre a atuação do controlador do Master e sobre as operações que colocaram o banco no centro de uma das principais apurações financeiras em andamento no país.

Ex-presidente do BRB também deve ser indiciado

Outro nome que deve aparecer no relatório final é o de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ele está preso desde 16 de abril de 2026.

A Polícia Federal suspeita que Costa tenha recebido R$ 146,5 milhões em propina por meio de operações envolvendo imóveis. Segundo a investigação, os valores estariam relacionados a favorecimentos na tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB.

A negociação entre as instituições se tornou um dos principais eixos do caso. As suspeitas levantadas pela PF envolvem não apenas as condições da operação, mas também a possível existência de interesses particulares e vantagens indevidas relacionadas à tentativa de aquisição.

Com a entrega do relatório final, a expectativa é de que a primeira fase da investigação avance para uma etapa de análise pelo Ministério Público e pelo Judiciário. O documento também deverá consolidar a linha de investigação construída pela PF desde a deflagração da Compliance Zero e detalhar o papel atribuído a cada um dos principais investigados.

O caso ainda está longe de uma conclusão judicial. O relatório da Polícia Federal deverá indicar os possíveis crimes e os elementos reunidos contra os investigados, mas eventuais responsabilizações dependerão das próximas etapas do processo, incluindo a análise do Ministério Público e, se houver denúncia, a decisão da Justiça sobre o prosseguimento das ações penais.

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