Gustavo Petro pede que população “tome o poder” se EUA intervirem na Colômbia
Presidente colombiano reage a ataques de Donald Trump e afirma que população deve defender o governo em nível municipal
Créditos: Juan BARRETO / AFP
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu nesta segunda-feira (5) que a população se mobilize e “tome o poder” nos municípios caso seu governo seja alvo de uma ação que considere ilegítima por parte dos Estados Unidos. A declaração foi publicada nas redes sociais e ocorre após críticas públicas e ameaças de intervenção feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
No domingo (4), durante viagem a Washington, Trump atacou o governo colombiano e afirmou que o país estaria “governado por um homem doente”, em referência a Petro, associando-o à produção e ao tráfico de cocaína destinada aos Estados Unidos.
Em resposta, o presidente colombiano afirmou confiar na mobilização popular como forma de defesa institucional. Segundo ele, a orientação às forças de segurança do país é para não agir contra a população. Petro declarou que qualquer tentativa de violência considerada ilegítima deve ser enfrentada com organização popular e resistência civil.
O presidente também fez um alerta direto às Forças Armadas, afirmando que comandantes que priorizarem interesses estrangeiros em detrimento da soberania nacional serão afastados. Petro ressaltou que, conforme a Constituição colombiana, ele é o comandante supremo das forças militares e policiais do país.
Ao rebater as acusações feitas por Trump, Petro negou qualquer ligação com o narcotráfico e afirmou que sua situação patrimonial é pública e compatível com sua renda. Segundo ele, não há indícios de enriquecimento ilícito e seus dados financeiros já foram divulgados.
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O presidente destacou ainda ações recentes de seu governo no combate ao tráfico de drogas, como apreensões recordes de cocaína, operações militares contra grupos armados e a retomada do controle da região de El Plateado, no departamento do Cauca, apontada como estratégica para o narcotráfico. De acordo com Petro, as operações seguem normas do direito humanitário.
Petro também afirmou ter determinado a retirada de oficiais da área de inteligência da polícia colombiana por suspeita de disseminação de informações falsas contra o Estado. Segundo ele, há receio de que autoridades norte-americanas estejam baseando suas avaliações em relatórios distorcidos.
As declarações foram feitas em uma publicação no perfil oficial do presidente colombiano na rede social X, em meio à escalada de tensões diplomáticas entre Bogotá e Washington.
