Novas cultivares prometem elevar produtividade da mandioca no Paraná
Novas variedades desenvolvidas pelo IDR-Paraná prometem mais produtividade, qualidade industrial e adaptação às condições do Estado
Créditos: José Fernando Ogura/Arquivo AEN
O Paraná vai lançar três novas cultivares de mandioca voltadas à indústria durante o Show Rural Coopavel 2026, que acontece de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel. As variedades foram desenvolvidas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e têm como foco ampliar a produtividade, melhorar a qualidade da matéria-prima e atender às demandas da agroindústria.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná é o segundo maior produtor de mandioca do Brasil e o principal polo nacional de produção para uso industrial. A previsão para 2026 é de uma colheita de cerca de 4,4 milhões de toneladas. Em 2024, o Valor Bruto de Produção (VBP) da mandioca destinada à indústria atingiu R$ 1,76 bilhão. A produção se concentra, principalmente, na região Noroeste, onde estão instaladas fecularias e farinheiras.
As novas cultivares, IPR Clara, IPR Topázio e IPR Quartzo foram desenvolvidas especialmente para a produção de fécula e farinha. De acordo com o IDR-Paraná, os materiais apresentam desempenho superior às variedades atualmente utilizadas, com avanços em produtividade, sanidade, qualidade industrial e adaptação a diferentes tipos de solo.
O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, afirma que o lançamento reforça o papel da pesquisa pública no fortalecimento da agroindústria. Segundo ele, o desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições do Paraná contribui para aumentar a produtividade e a renda dos produtores rurais. Para o secretário, apresentar as novas variedades no Show Rural também evidencia o protagonismo do Estado em inovação e tecnologia no campo.
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A diretora de pesquisa e inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, destaca que as cultivares resultam de pesquisas alinhadas às necessidades do setor produtivo. De acordo com ela, os materiais combinam bons atributos agronômicos com alta qualidade no processamento industrial.
Entre as novidades, a cultivar IPR Clara se destaca pela coloração clara da casca e da polpa, característica valorizada pela indústria por resultar em produtos de maior alvura. O potencial produtivo ultrapassa 30 toneladas por hectare no primeiro ciclo, com possibilidade de colheita em dois ciclos, conforme o manejo adotado. A variedade permite a produção de fécula e farinha mais brancas, com menor incidência de pontos escuros.
A IPR Quartzo apresenta porte médio a alto e resistência moderada à podridão radicular. A cultivar tem ampla adaptação e pode ser cultivada tanto em solos arenosos quanto argilosos. Em cultivos de dois ciclos, tem mostrado raízes mais grossas e elevado rendimento industrial.
Já a IPR Topázio tem porte baixo e é indicada, principalmente, para solos arenosos. Conforme o IDR-Paraná, a cultivar apresenta alto potencial produtivo, desde que o produtor adote cuidados adequados no armazenamento e uso das ramas.
Avaliações realizadas entre 2021 e 2025 indicam que as cultivares IPR Quartzo e IPR Topázio apresentaram produtividade de 10% a 15% superior à da IPR Paraguainha, atualmente a variedade industrial mais plantada no Paraná, tanto em cultivos de um quanto de dois ciclos.
O Show Rural Coopavel abre o calendário anual de eventos do agronegócio no Paraná. Durante cinco dias, o evento reúne produtores, pesquisadores e técnicos para troca de conhecimento, apresentação de tecnologias e realização de negócios. Em 2025, a feira recebeu mais de 400 mil visitantes e movimentou cerca de R$ 7 bilhões.
