Olho Vivo: diante de denúncias e falta de transparência, Bakri afirma que vai atrás de respostas
Pressionado por denúncias na Alep, líder do governo promete intervir para obter respostas sobre contratos, atuação de empresa estrangeira e sigilo no TCE envolvendo o programa Olho Vivo
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Orlando Kissner
A sessão desta segunda-feira da Assembleia Legislativa do Paraná colocou o programa Olho Vivo no centro do debate político e levou o líder do governo, deputado Hussein Bakri, a assumir publicamente que irá intervir para garantir acesso a informações sobre a iniciativa.
A declaração veio após o deputado Arilson Chiorato detalhar, da tribuna, uma série de questionamentos envolvendo o programa de monitoramento, incluindo a atuação de uma empresa estrangeira, a ausência de informações públicas sobre contratos e o sigilo imposto pelo Tribunal de Contas do Estado.
Diante das cobranças, Bakri adotou um tom de contenção e se colocou como responsável direto por buscar esclarecimentos junto ao Executivo. “Se eventualmente, deputado, alguma resposta não chegou, é minha obrigação, é o meu papel, eu quero que o senhor me dê uma cópia que eu vou atrás da resposta”, afirmou.
Ao assumir essa posição, o líder do governo reconhece, ainda que indiretamente, que há lacunas na comunicação institucional sobre o Olho Vivo e que a pressão política sobre o tema já ultrapassou o nível de embate rotineiro entre base e oposição.
A fala ocorre em um momento em que o programa passa a ser questionado não apenas pelo seu funcionamento, mas pelo seu modelo de contratação e pelo volume de recursos envolvidos. Na tribuna, Arilson afirmou que o projeto teria saído de uma estrutura inicial de R$ 30 milhões para alcançar cifras próximas de R$ 1 bilhão, com parte significativa relacionada à operação de sistemas.
O deputado também citou a empresa Palladium Corp, apontando que ela poderia receber até R$ 500 milhões sem, segundo ele, a devida formalização pública. “Uma empresa que pode receber até 500 milhões do governo paranaense sem ter uma licitação, sem ter um edital de contratação, sem ter nada que garanta algum documento que ela esteja operando pelo Estado”, disse.
Outro ponto de tensão foi a decisão do Tribunal de Contas de colocar o processo sob sigilo. Arilson criticou duramente a medida e afirmou que a falta de transparência agrava as suspeitas. “Eu já fiz a denúncia porque o processo não era transparente. Agora eu denuncio, trago provas e vocês colocam em sigilo?”, declarou.
Sem entrar diretamente no mérito das acusações, Bakri optou por reforçar a defesa institucional do programa e apresentar a versão do governo sobre sua estrutura. Segundo ele, o Olho Vivo é executado a partir de demandas dos municípios e não por contratação direta do Estado. “A licitação não é o governo que faz. Quem faz a licitação é o município”, afirmou.
O líder do governo também destacou a expansão do programa, afirmando que cerca de 130 cidades já solicitaram adesão, e classificou a iniciativa como estratégica para a segurança pública. Ainda assim, o eixo da sua fala não foi a defesa técnica, mas o compromisso político de buscar respostas.
A postura adotada indica uma tentativa de evitar que o tema evolua para uma crise maior envolvendo o Executivo e os órgãos de controle. Ao se colocar como intermediador, Bakri busca centralizar a interlocução e reduzir o espaço para o avanço da narrativa de falta de transparência.
No entanto, o gesto também cria um novo nível de cobrança. A partir do momento em que o líder do governo assume publicamente que irá “ir atrás das respostas”, a ausência de esclarecimentos passa a ter impacto direto sobre a própria base governista.
A sessão deixou claro que o Olho Vivo deixou de ser apenas um programa administrativo e passou a ocupar um lugar sensível no debate político do Paraná. Entre denúncias, cobranças por transparência e promessas de esclarecimento, o tema agora depende de respostas concretas que ainda não foram apresentadas.
Créditos: Redação
