O que a nova pesquisa muda na eleição do Paraná?
Levantamento mostra senador com 35%, Sandro Alex com 25% e Requião Filho com 21%; vantagem do líder caiu porque candidato do PSD avançou, mas diferenças entre institutos mostram que cenário ainda está aberto
Por Ana Zimermann
Créditos: redes sociais
A nova pesquisa Real Time Big Data sobre a disputa pelo Governo do Paraná confirma a liderança de Sergio Moro (PL), mas traz uma mudança importante na corrida: Sandro Alex (PSD) avançou, ultrapassou Requião Filho (PDT) e reduziu de 12 para 10 pontos a distância para Moro. Mais do que registrar uma fotografia do momento, o levantamento ajuda a responder uma pergunta central para a eleição: o segundo turno está começando a tomar forma?
No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Moro aparece com 35%, Sandro Alex com 25% e Requião Filho com 21%. Luiz França (Missão) tem 2%, enquanto os demais candidatos somados chegam a 1%. Brancos e nulos representam 6% e 10% não sabem ou não responderam. A vantagem de Moro sobre Sandro, portanto, é de 10 pontos percentuais. Mas há outro dado politicamente relevante: a liderança de Moro permaneceu estável, enquanto Sandro cresceu.
Sandro cresce; Moro fica estável
Na pesquisa anterior do mesmo instituto, realizada no fim de agosto, Moro tinha 35%, Sandro Alex 23% e Requião Filho 20%. Agora, Moro continua com 35%, Sandro passa a 25% e Requião chega a 21%.A mudança mais significativa, portanto, não está no desempenho de Moro, mas na reorganização da disputa pelo segundo lugar. Sandro Alex deixa de estar tecnicamente próximo de Requião Filho e passa a abrir uma vantagem numérica de quatro pontos sobre o candidato do PDT. Isso muda a narrativa da eleição: em vez de uma disputa entre três nomes pela liderança, o cenário começa a apresentar Moro isolado na frente e uma disputa mais concentrada entre Sandro e Requião pela vaga restante no segundo turno.
A liderança de Moro é sólida?
A resposta depende do que se considera “sólida”. Pela pesquisa Real Time, Moro lidera com folga no primeiro turno e também aparece à frente em todos os cenários de segundo turno nos quais é testado. Contra Requião Filho, o senador teria 53% contra 29%. Contra Sandro Alex, 43% contra 36%. Já num eventual confronto entre Sandro e Requião, o candidato do PSD aparece com 40% contra 31%. O cenário Moro x Sandro merece atenção especial. A diferença no segundo turno é de 7 pontos, menor do que os 10 pontos registrados no primeiro turno. Além disso, 10% dizem votar branco ou nulo e 11% permanecem indecisos. Ou seja: a vantagem de Moro diminui quando a disputa fica binária. Isso não significa que exista empate técnico — não há, pelos números divulgados —, mas mostra que uma eleição em segundo turno pode ser significativamente mais competitiva do que a fotografia atual do primeiro turno.
Rejeição é o principal ponto de atenção para Moro
É justamente na rejeição que aparece uma das principais fragilidades do líder. Na pesquisa anterior do Real Time, 39% afirmavam que não votariam em Moro de jeito nenhum, contra 29% de Sandro Alex. Requião Filho aparecia com 41%. No novo levantamento, a divulgação dos resultados mantém Sandro como o candidato com menor rejeição entre os três principais nomes, enquanto Moro permanece próximo do índice de 40%. Esse dado é fundamental porque intenção de voto e rejeição medem coisas diferentes. Moro tem um eleitorado consolidado suficiente para liderar a disputa, mas também carrega uma resistência elevada. Sandro, por outro lado, aparece atrás no primeiro turno, porém possui um espaço potencial maior para conquistar eleitores que ainda não estão fechados com nenhum candidato. É uma das razões pelas quais uma liderança de 35% não pode ser interpretada automaticamente como caminho para uma vitória.
O eleitor ainda está longe de estar decidido
A pesquisa espontânea ajuda a dimensionar esse ponto. Quando os nomes não são apresentados, Moro aparece com 18%, Sandro Alex com 11% e Requião Filho com 10%. Outros nomes somam 3%, enquanto 46% não sabem ou não respondem. É um retrato diferente do cenário estimulado. Isso significa que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não transformou sua preferência em uma escolha espontânea. Portanto, há espaço para alterações importantes durante a campanha, especialmente entre os candidatos que disputam o segundo lugar.
A pesquisa anterior já apontava a ascensão de Sandro
O crescimento de Sandro não surgiu nesta rodada. No levantamento de agosto do Real Time, ele tinha 22%, contra 37% de Moro e 20% de Requião. Depois, avançou para 23% e agora chega a 25%. A tendência sugere que Sandro é, entre os três principais candidatos, quem apresenta o movimento mais favorável nas últimas rodadas do Real Time. Mas há uma ressalva importante: isso é uma tendência dentro de um mesmo instituto. Não significa que todos os levantamentos disponíveis estejam apontando exatamente para o mesmo cenário.
Por que os institutos apresentam números tão diferentes?
Esse talvez seja o ponto mais importante para interpretar a pesquisa. Poucos dias antes do levantamento do Real Time, a Paraná Pesquisas apresentou um cenário bastante diferente: Moro tinha 45%, Requião Filho, 24%, e Sandro Alex, 17,5%.
Em outras palavras:
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Real Time: Moro 35%, Sandro 25%, Requião 21%;
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Paraná Pesquisas: Moro 45%, Requião 24%, Sandro 17,5%.
A diferença não é pequena. Moro oscila 10 pontos entre os dois levantamentos; Sandro, 7,5 pontos; e a própria ordem dos candidatos que aparecem em segundo lugar muda. Isso não permite concluir automaticamente que uma pesquisa está “certa” e outra “errada”.
Métodos diferentes produzem fotografias diferentes
A Paraná Pesquisas entrevistou 1.280 eleitores entre 31 de agosto e 2 de setembro, em entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, com margem de erro de 2,8 pontos e confiança de 95%. O Real Time ouviu 1.600 eleitores em setembro, também com nível de confiança de 95%, mas com metodologia, período de campo e questionário próprios. O levantamento está registrado no TSE sob o número PR-08220/2026. Além disso, pesquisas anteriores no Paraná já demonstraram como a apresentação dos candidatos, a composição das chapas, a inclusão de vices e a formulação da pergunta podem alterar significativamente o resultado. O levantamento do IRG divulgado no início de setembro, por exemplo, apresentou os candidatos associados aos respectivos vices, enquanto a Paraná Pesquisas testou apenas os candidatos ao governo. Por isso, o melhor indicador não é simplesmente escolher o instituto cujo número parece mais favorável a determinado candidato. É observar a tendência de cada série histórica e a convergência — ou divergência — entre diferentes pesquisas.
Senado: outra eleição dentro da eleição
O levantamento do Real Time também mostra como a disputa pelo Senado permanece aberta. Como o Paraná elegerá dois senadores em 2026, cada eleitor pode escolher dois nomes. Na pesquisa, Deltan Dallagnol (Novo) aparece com 19%, Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) têm 18% cada, Gleisi Hoffmann (PT) registra 16%, Cristina Graeml (PSD), 15%, e Dr. Rosinha (PT), 5%. O cenário é particularmente relevante porque a pesquisa anterior do Paraná Pesquisas havia colocado Dallagnol em 30,8%, Curi em 28,4%, Gleisi em 25,7% e Filipe Barros em 22,9%. A diferença reforça uma conclusão: a eleição para o Senado está muito mais aberta do que a corrida pelo governo, e os números ainda devem oscilar bastante. Além disso, Dallagnol teve recentemente o registro de candidatura aprovado pelo TRE-PR por 4 votos a 3, decisão que ainda pode ser questionada no TSE.
O que a nova pesquisa muda na eleição?
A principal mudança não é colocar Moro na liderança — isso já acontecia antes. O que muda é o desenho da disputa. O candidato do PSD cresce pela terceira rodada consecutiva no Real Time e agora aparece claramente à frente de Requião Filho. Moro mantém um patamar alto, mas não cresce. O líder permanece em 35%. Sua vantagem sobre Sandro caiu porque o adversário avançou. O segundo turno começa a ganhar contornos. Se os números se confirmarem, Moro seria hoje o candidato mais provável a chegar ao segundo turno. A questão passa a ser quem o enfrentará. Sandro abre vantagem sobre Requião no Real Time. Os quatro pontos que separam Sandro de Requião no novo levantamento não são suficientes para decretar uma disputa encerrada, mas alteram a fotografia da corrida.
A rejeição pode ser decisiva
Moro lidera, mas apresenta rejeição elevada. Sandro tem menos resistência, enquanto Requião enfrenta o maior índice entre os três. As pesquisas ainda estão muito distantes umas das outras. A diferença entre Real Time e Paraná Pesquisas impede uma leitura simplista de que “Moro tem 35%” ou “Moro tem 45%”. A conclusão mais segura é que Moro lidera, mas o tamanho exato dessa liderança ainda é objeto de divergência entre os institutos. A eleição está definida? Não. E talvez esse seja o principal alerta que a nova pesquisa traz.
O cenário atual apresenta um favorito e uma disputa aberta pelo segundo lugar. Moro está em posição confortável para buscar a passagem ao segundo turno, mas sua rejeição elevada estabelece um limite potencial para seu crescimento. Sandro Alex, por sua vez, ainda precisa transformar crescimento em consolidação. A vantagem sobre Requião no Real Time é importante, mas outros institutos apresentam uma fotografia diferente. E o elevado contingente de eleitores que ainda não declara uma preferência espontânea mostra que há espaço para uma campanha capaz de alterar o cenário até a votação.
Portanto, a pergunta mais importante neste momento talvez não seja apenas “quem está na frente?”. E sim: Moro conseguirá transformar a liderança do primeiro turno em maioria no segundo — e Sandro Alex conseguirá consolidar o segundo lugar antes que Requião recupere espaço? É essa disputa que a nova pesquisa coloca no centro da eleição paranaense.
Créditos: Ana Zimermann
