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Grupo que administra escolas públicas do Paraná lucra R$ 106 milhões Créditos: Gabriel Rosa/AEN

Grupo que administra escolas públicas do Paraná lucra R$ 106 milhões

Grupo Salta registra lucro líquido de R$ 106 milhões no primeiro semestre de 2026 e administra 39 escolas públicas do Paraná pelo Parceiro da Escola

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O Grupo Salta registrou lucro líquido de R$ 106 milhões no primeiro semestre de 2026 e fechou o período com 175,9 mil alunos em 243 escolas. Controlador da Impulso, uma das empresas contratadas pelo governo do Paraná no Programa Parceiro da Escola, o grupo administra atualmente 39 unidades da rede estadual, que reúnem 27,4 mil estudantes.

Os dados constam em um relatório divulgado pelo Grupo Salta aos acionistas. A receita líquida chegou a R$ 1,747 bilhão entre janeiro e junho, alta de 12,3% em relação ao primeiro semestre de 2025.

No segundo trimestre, a receita líquida cresceu 9,1% na comparação anual. De acordo com o relatório, o resultado foi influenciado pelo desempenho das escolas que fazem parte do portfólio e pelas aquisições realizadas nos 12 meses anteriores.

O resultado financeiro ocorre em meio à discussão sobre a remuneração dos professores da rede estadual do Paraná e aos questionamentos da APP-Sindicato sobre os custos e a participação de empresas privadas na gestão administrativa das escolas públicas.

Os números foram usados pela APP-Sindicato para questionar a diferença entre os resultados financeiros registrados pelo grupo privado e a remuneração dos professores da rede estadual.

Segundo o sindicato, um professor da rede estadual do Paraná em início de carreira recebe cerca de R$ 5,1 mil por mês para uma jornada de 40 horas semanais. A entidade afirma que o valor está abaixo da remuneração de servidores de outras áreas do Estado com a mesma exigência de escolaridade e carga horária, estimada em R$ 7,6 mil.

A APP-Sindicato também compara o salário dos professores paranaenses com o de profissionais de Mato Grosso do Sul. Segundo o levantamento citado pela entidade, os docentes daquele estado recebem cerca de R$ 13 mil, colocando Mato Grosso do Sul entre as unidades da federação com maior remuneração para a categoria.

A equiparação salarial dos professores com outras carreiras do serviço público estadual foi incluída na campanha salarial da categoria neste ano. A proposta foi apresentada pela APP-Sindicato ao governo e aos deputados estaduais.

Uma comissão formada por representantes do sindicato e das secretarias estaduais da Educação, Fazenda e Administração chegou a elaborar uma proposta. Segundo a entidade, porém, o governador Ratinho Junior não autorizou o encaminhamento do projeto de lei para votação na Assembleia Legislativa.

A presidente da APP-Sindicato afirma que o magistério é a única carreira pública do Paraná que não passou por uma reformulação nos últimos anos e que, por isso, os salários dos professores ficaram defasados em relação a outras categorias.

Grupo Salta administra escolas públicas do Paraná

O Grupo Salta é um conglomerado educacional que reúne 28 marcas de escolas privadas e atua na educação básica em 19 estados, além do Distrito Federal.

Desde 2025, o grupo também passou a atuar na administração de escolas públicas do Paraná por meio do Programa Parceiro da Escola, por meio da Impulso.

O programa prevê a participação de empresas privadas na gestão administrativa de unidades da rede estadual. Além da Impulso, também foram contratadas as empresas Tom Educação e Apogeu.

A iniciativa começou como projeto-piloto em duas escolas, em 2023. No ano seguinte, a Lei nº 22.006/2024 autorizou a ampliação do modelo para mais de 200 unidades.

Atualmente, 95 escolas fazem parte do programa. A quantidade é inferior ao número inicialmente previsto porque comunidades escolares consultadas rejeitaram a transferência da gestão administrativa para empresas privadas.

Participação privada gera debate sobre custos

A discussão sobre os custos do Programa Parceiro da Escola já havia aparecido antes da contratação das empresas.

Durante uma audiência pública realizada em setembro de 2024, antes do processo licitatório, participantes discutiram os valores necessários para que o modelo fosse considerado viável pelas empresas.

Na ocasião, Jean Pierre Neto afirmou que estava preocupado com os custos e com a possibilidade de prejuízo para a iniciativa privada.

"Eu fico muito preocupado com a parte de custos justamente por entender que o projeto não vai parar em pé, uma vez que a iniciativa privada vai ter prejuízo", disse.

Segundo ele, "para que esse projeto seja viável, ele não pode gerar prejuízo para a iniciativa privada".

Um levantamento realizado pela APP-Sindicato naquele período apontou que o governo estimava pagar R$ 800 por aluno por mês às empresas. A entidade comparou o valor com o investimento médio do Estado por estudante nas escolas que não participam do modelo.

A APP-Sindicato afirma que, mesmo diante da diferença apontada, empresários que participaram da audiência questionaram os cálculos apresentados pelo governo e demonstraram preocupação com a margem de lucro projetada.

Sindicato contesta programa desde a implantação

A APP-Sindicato se posicionou contra o Programa Parceiro da Escola desde o início da discussão sobre sua implantação.

Em junho de 2024, mais de 20 mil educadores participaram de uma manifestação em Curitiba durante uma greve convocada pelo sindicato contra a proposta.

O programa também é questionado no Supremo Tribunal Federal por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7684, ajuizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Em maio, o ministro Nunes Marques, relator da ação, considerou inconstitucionais a contratação de professores pelas empresas responsáveis pela gestão e a proibição da participação de estudantes na consulta à comunidade escolar.

O julgamento começou no plenário virtual do STF, mas foi suspenso após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.

Relação com investidores

Entre os investidores ligados à estrutura acionária do Grupo Salta está a Gera Capital, empresa da qual o empresário Jorge Paulo Lemann é sócio.

Lemann foi um dos controladores das Americanas quando veio à tona, em 2023, um rombo contábil de aproximadamente R$ 20 bilhões na companhia. Uma CPI foi instalada na Câmara dos Deputados para investigar o caso, mas terminou sem apontar responsáveis.

Dados da revista Forbes indicam que o patrimônio de Lemann passou de R$ 80,26 bilhões em 2023 para cerca de R$ 103,5 bilhões atualmente.

Gazeta procura Grupo Salta e Impulso

A Gazeta do Paraná procurou o Grupo Salta e a Impulso para saber como as empresas avaliam os resultados financeiros registrados no primeiro semestre de 2026, a atuação no Programa Parceiro da Escola e os questionamentos apresentados pela APP-Sindicato sobre os custos e a participação da iniciativa privada na gestão das escolas públicas.

A reportagem também questionou as empresas sobre os valores pagos pelo governo do Paraná, a margem financeira das operações realizadas no Estado e os critérios utilizados para a administração das unidades que fazem parte do programa.

O espaço permanece aberto para manifestação do Grupo Salta e da Impulso.

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