Nelson Tanure tinha apenas R$ 268 após ordem de bloqueio de R$ 3,2 bilhões
Documento do Sisbajud mostra que ordem judicial de R$ 3,281 bilhões encontrou apenas R$ 268,08; medida ocorreu no contexto das investigações envolvendo o Banco Master
Créditos: Redes sociais
Uma ordem judicial para bloquear R$ 3,281 bilhões do empresário Nelson Tanure encontrou apenas R$ 268,08. O valor consta em um documento do Sisbajud obtido pela Jovem Pan entre os arquivos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master.
O bloqueio foi protocolado em 13 de janeiro deste ano pela 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, em uma ação criminal movida pelo Ministério Público Federal (MPF). No documento, Tanure aparece como alvo da medida e o campo destinado ao total efetivamente bloqueado registra R$ 268,08.
A quantia foi localizada pela Genial Investimentos. A instituição informou que a ordem judicial, no valor exato de R$ 3.281.486.463,31, foi cumprida apenas parcialmente por insuficiência de saldo. A medida incidiu sobre depósito a prazo, títulos ou valores mobiliários.
A Caixa Econômica Federal também respondeu à ordem e informou que Tanure não possuía saldo positivo.
O documento que consolida o resultado do bloqueio foi emitido em 15 de janeiro. O registro aponta que apenas R$ 268,08 foram encontrados e efetivamente bloqueados.
Tanure foi alvo de busca e apreensão
A ordem de bloqueio ocorreu no contexto das medidas judiciais relacionadas às investigações do Banco Master.
Em 14 de janeiro, Tanure foi alvo de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Antes disso, em 6 de janeiro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado o bloqueio de bens do empresário a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Segundo a decisão, a Polícia Federal identificou indícios de que Tanure seria um "sócio oculto" do Banco Master e teria exercido influência sobre a instituição por meio de fundos e estruturas societárias consideradas complexas.
A defesa do empresário nega as acusações.
Em manifestação divulgada em janeiro, os advogados afirmaram que Tanure "jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master" e que ele foi cliente da instituição financeira.
Tanure enfrenta restrição de crédito e execução de dívidas
O bloqueio de apenas R$ 268,08 ocorre em meio a uma sequência de problemas financeiros enfrentados por Nelson Tanure e ao aumento das restrições impostas por instituições do mercado financeiro.
Executivos da Faria Lima que tiveram contato com o empresário nos últimos anos afirmam que os principais bancos deixaram de oferecer novas operações de crédito a Tanure. Segundo essas fontes, o relacionamento passou a ser conduzido principalmente pelos departamentos responsáveis pela reestruturação de crédito.
A situação se agravou após bancos executarem operações que tinham ações de empresas como garantia. Com o avanço dessas medidas, Tanure perdeu participações em companhias e passou a ter uma relação mais restrita com as instituições financeiras.
Um dos principais episódios ocorreu em outubro de 2025, quando o UBS antecipou o vencimento de uma operação de "collar finance" avaliada em pelo menos R$ 2 bilhões. A operação havia sido estruturada ainda durante o período em que o Credit Suisse atuava no mercado e tinha ações da Prio como garantia.
Segundo estimativas de fontes do mercado financeiro, Tanure já não possui uma participação relevante na Prio. O filho dele, Nelson Queiroz Tanure, é acionista e presidente do conselho da companhia.
Antes disso, a XP havia antecipado o vencimento de uma operação de R$ 520 milhões concedida a Tanure por meio de debêntures garantidas por ações da Emae e da Ambipar. O processo resultou na perda da Emae, empresa que estava sob controle do empresário.
Tanure também possui uma dívida estimada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão com um grupo formado por BTG Pactual, Prisma, Farallon e Santander. As instituições financiaram a aquisição da Copel Telecom, atualmente Ligga, pelo empresário.
Com o não pagamento de parcelas previstas nos contratos, os credores executaram a dívida e assumiram participações que estavam em poder de empresas ligadas a Tanure. Entre os ativos envolvidos estão participações em companhias como Light e Alliance.
Esses ativos poderão ser vendidos pelos credores. Os recursos obtidos com as eventuais alienações deverão ser utilizados para reduzir a dívida.
Segundo interlocutores, o empresário também deixou de pagar valores relacionados a prestadores de serviços, entre eles escritórios de advocacia e consultorias que atuavam em diferentes áreas.
O cenário financeiro se desenvolve paralelamente às investigações envolvendo o Banco Master, nas quais Tanure passou a ser citado entre os nomes sob apuração da Polícia Federal.
