Créditos: Roberto Dziura/AEN
Simepar prevê reflexos do El Niño no Paraná com chuvas a partir de julho
Agência dos EUA confirma aquecimento no Oceano Pacífico; meteorologia do Paraná prevê precipitações acima da média a partir de julho e Defesa Civil adota medidas
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) o início das condições favoráveis à formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o Simepar, os primeiros reflexos no Paraná podem ser sentidos a partir de julho, com previsão de aumento no volume de chuvas ao longo do segundo semestre.
De acordo com os dados monitorados pela agência norte-americana, a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial já está mais de 0,5°C acima da média histórica desde maio. A tendência é de continuidade do aquecimento nos próximos meses, tanto na superfície quanto nas camadas mais profundas do oceano.
O Simepar explica que o aquecimento das águas altera o comportamento dos ventos alísios, responsáveis pela circulação atmosférica na região do Pacífico, influenciando diretamente os padrões climáticos em diversas partes do planeta.
Segundo o meteorologista Reinaldo Kneib, a mudança na direção dos ventos já começou a ser observada. O fluxo, que normalmente ocorre de leste para oeste, passou a apresentar comportamento contrário, deslocando águas mais quentes da região da Oceania em direção à costa oeste da América do Sul.
Esse processo contribui para intensificar o aquecimento das águas e alterar a formação de sistemas meteorológicos em diferentes regiões do mundo.
Apesar da confirmação das condições favoráveis ao fenômeno, o Simepar ressalta que o El Niño ainda não está oficialmente consolidado. Para isso, é necessário que o aquecimento do oceano permaneça acima de 0,5°C por três meses consecutivos. A expectativa é que essa condição seja atingida em julho.
Paraná pode registrar mais chuva no segundo semestre
Embora os efeitos ainda não sejam observados diretamente no Estado, as projeções climáticas indicam que o Paraná deverá registrar chuvas acima da média entre julho e dezembro.
Segundo o Simepar, os principais centros internacionais de monitoramento climático convergem para um cenário de precipitações superiores ao normal durante o segundo semestre, especialmente na primavera.
A previsão aponta ainda uma probabilidade de 63% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Caso esse cenário se confirme, o evento poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início da série histórica de monitoramento, iniciada em 1950.
Além da NOAA, uma atualização divulgada nesta semana pelo sistema europeu Copernicus também aponta para a formação de um El Niño forte a muito forte. O levantamento reúne projeções de centros meteorológicos da Austrália, Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França e Reino Unido.
Defesa Civil intensifica ações preventivas
Diante das previsões, a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil já iniciou ações de preparação para minimizar possíveis impactos do fenômeno.
Desde março, os dez Núcleos de Atuação Regional (NAR) passaram a reforçar atividades voltadas à prevenção de desastres naturais em diferentes regiões do Paraná.
Entre as medidas adotadas estão simulados em áreas de risco, reuniões com prefeitos e coordenadores regionais e orientações para atualização dos planos municipais de contingência.
Os municípios também foram orientados a intensificar ações como o desassoreamento de rios e córregos, o mapeamento de áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos, a identificação de populações vulneráveis e a atualização dos cadastros de abrigos.
Outra recomendação é a criação ou fortalecimento dos fundos municipais de Defesa Civil, mecanismo utilizado para agilizar o recebimento de recursos em situações de emergência.
Segundo o Governo do Estado, entre 2025 e 2026 foram destinados R$ 16 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras preventivas e de reconstrução em municípios como Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.
O Simepar seguirá monitorando a evolução do fenômeno e atualizando as previsões climáticas para os próximos meses.
